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O massacre dos redatores do LA Times

Deirdre Edgar, O ombudsman do Los Angeles Times, teve de comentar (e o fez com bastante humor) o errinho chato da página A22 da edição impressa da última quinta-feira.

Foram rodados 55 mil exemplares até que alguém se desse conta de que não havia títulos nas notas de uma coluna de noticiário nacional.

Quer dizer, títulos havia, mas eram marcações gráficas do tipo “O título vem aqui”, o bom e velho modelo ou figurino: um texto fake salvo para fazer a demarcação do espaço que ocupa.

“Os leitores temeram que todos os redatores tivessem sido demitidos ou até mesmo ‘massacrados’, como disse um”, registrou Edgar.

Acontece.

Campeonato de sorriso

Total off-topic, mas se fosse um campeonato de sorriso, você votaria em quem?

Agruras da diagramação e da falta de acabamento decretam que entrevistado é sem noção

Olha quão importante é, no jornalismo impresso, o acabamento da edição (também o é no on-line, mas é que o papel não permite correção): fui tratado como “sem noção” em entrevista que dei recentemente, como você vê acima.

O projeto gráfico do Diário do Norte do Paraná, de Maringá, me foi cruel: o box em que apareço como entrevistado de um miniping tem um título e uma seta que não deixa dúvida. Leva diretamente ao meu nome. Eu sou sem noção.

Não creio ser uma decisão editorial, já que também ofereço declarações para o abre.

Sempre digo que não é fácil fazer jornalismo em papel…

A Wikipedia é cada vez menos colaborativa

(Ilustração: NYT)

(Ilustração: NYT)

É fato: aos 8 anos e entre os dez sites mais acessados da web, a Wikipedia é cada vez menos colaborativa e caminha para se fechar totalmente em copas, deixando para os odiados administradores a tarefa de editar verbetes _o que, na prática, já vinha ocorrendo com frequência.

Agora, o produto símbolo da web 2.0 (outra denominação odiosa e, pior, picareta e marketeira) decidiu restringir a edição de entradas sobre pessoas vivas.

Isso já vinha sendo discutido desde o início do ano e, a partir de hoje, será assunto na Wikimania, em Buenos Aires.

O gigantismo do site (só em inglês já são mais de 3 milhões de artigos _a versão em português caminha para o milhão) seria a justificativa para o zelo, mesmo contrariando o espírito aberto da iniciativa. A conclusão da Wikipedia é que hoje não faz mais sentido abraçar a cultura do caos, mas sim oferecer um produto maduro e organizado.

Pela proposta, só editores “experientes, ativos e com alta reputação” poderão chancelar mudanças nos verbetes das personalidades vivas.

Ou seja, é a consagração da percepção de que a Wikipedia, que um dia já foi de todo mundo, tem cada vez menos donos. Carlos d’Andrea, que tem estudado bem de perto o fenômeno, vê a mudança por outro ângulo.

Leia mais sobre a Wikipedia no Webmanario

Contra a clicagem burra

Como bem sabemos, edição, além de um processo de escolha e hierarquização do noticiário, também pressupõe limpar redundâncias entre todas as peças que compõem o jogo gráfico (seja em papel ou on-line).

No quesito eletrônico, o blog “Contra a Clicagem Burra“, capitaneado pela colega Luciana Moherdaui, tem cumprido um excelente papel apontando as repetições nossas de cada dia em páginas espalhadas pela web.

Redundâncias como o famigerado “clique aqui”, que faz o hiperlink imediatamente se tornar um elemento decorativo _cabe, à edição, escolher palavra (ou palavras) que, transformadas em hiperlink, transmitam ao receptor exatamente a sensação de onde ele vai desembocar.

O blog da Luciana vale um belo passeio e uma análise bastante profunda.