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AP estima faturamento de agregadores em US$ 500 milhões

A informação de que os agregadores de notícias movimentam cerca de US$ 500 milhões, estimativa que a agência Associated Press informou em reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo (só para assinantes), é tão surpreendente quanto difícil de confirmar.

Infelizmente a matéria não esclarece qual o período de apuração desse valor (semanal, mensal, anual?) e, estando a AP na linha de frente do combate aos sites que adicionam (e promovem, diga-se) conteúdo alheio, não dá para acreditar em tudo o que ela diz sobre este tema.

A fonte do texto é Srinandan Kasi, vice-presidente da AP, que está empenhada na criação de um formato parecido ao pagamento de direitos autorais, como ocorre na música, por exemplo, para os criadores de conteúdo linkados por agregadores _a priori, estas páginas não possuem publicidade, daí a dificuldade em entender de onde sairia tanto dinheiro.

Vamos ver onde isso vai dar. A tendência é que em lugar nenhum.

Pra não dizer que não falei da Campus Party

Pra não dizer que não falei da Campus Party (mais uma vez não fui, os únicos eventos desorganizados que ainda frequento _ainda que a dose tenha sido reduzida drasticamente_ são jogos de futebol), repasso a impressão que o El Pais teve ao participar de alguns debates no sábado.

Primeiro, que a performance de Alfredo Manevy, secretário-executivo do Ministério da Cultura, encantou os espanhóis. Claro: num momento em que a Espanha discute rígida regulamentação para troca de arquivos e direitos autorais, Manevy (chamado na matéria de “ministro interino com ar hippie”) equiparou a internet a serviços essenciais como água e luz e defendeu a cópia digital de obras como um antídoto para baixa tiragem de livros, edições esgotadas e a falta de hábito de frequentar bibliotecas.

“Com a internet essas pessoas poderiam conhecer a cultura. Incluímos, nos últimos anos, 40 milhões de pessoas na classe média. Não podemos traí-las fechando-lhe as portas. Este não é um país de 40 milhões de piratas, mas de gente que tem vontade de aprender”, disse Manevy na Campus Party deste ano.

Nesse campo, Laurence Lessig tem muito a dizer. Ele é um dos criadores do sistema creative commons, que tenta pacificar a relação entre autores e público, e acha que o Brasil é o país mais importante do mundo para o futuro da cultura digital _eu acho que China e Índia vêm antes.

Mas Lessing tem uma capivara gravíssima: defende que o jornalismo seja financiado com dinheiro público “porque cumpre uma finção social. Sem imprensa livre e com jornalistas formados é impossível entender a democracia”, discursou.

Imprensa livre financiada com dinheiro público? Jornalistas formados? Gente, do que esse cara está falando?