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Palavra de filósofo: transgressão presumida é notícia e deve ser publicada

Artigo publicado ontem pelo filósofo José Arthur Gianotti no Estadão responde, em parte, ao estupor que eu e demais colegas sentimos quando, numa aula de direito da comunicação, o professor praticamente sugeriu que a imprensa só devesse entrar numa história após toda a etapa de investigação policial concluída.

“Mas seria o fim do jornalismo, nunca mais publicaremos nada”, pensamos e dissemos.

Gianotti concorda. Ao discorrer sobre a absurda censura ao Estado de S.Paulo atrelada ao caso Sarney, ele dá uma opinião definitiva sobre o tema.

“[A mídia] não existiria se apenas informasse casos constatados e julgados. Um jornal não se confunde com um boletim científico ou um jornal oficial. Obtida uma informação interessante, cabe ao jornal publicá-la; obviamente assumindo os riscos se ela for exagerada, se informar além do intervalo aceito pelos costumes e pela jurisprudência.”

Mais, e especificamente sobre o caso da censura ao jornal: “Suponhamos que a Justiça decida e mantenha a proibição. Permanece a informação sobre transgressões presumidas. Ora, essa presunção ainda é notícia e deve ser publicada pelo jornal. Não como um fato ocorrido – isto o Estado está proibido de dizer -, mas como presunção, como um caso a ser verificado.”

Pronto, é isso. Gianotti falou e disse. Ou então faço minhas as palavras de um amigo: “olha, eu publico o que eu achar adequado. O departamento jurídico fica em outro andar, não é aqui na redação não”.

Pois é…