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Previsões para 2010: esqueça o diploma de jornalismo

Uma informação a quem carrega, para 2010, esperanças no Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que restitui a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão: o governo Lula já trabalha com a informação de que o contrabando será vetado liminarmente pelo mesmo STF que já havia expurgado essa herança maldita.

A estratégia desse povo agora, e sob a luz da Confecom, aquela aberração, é conseguir uma espécie de casuísmo no Ministério do Trabalho, onde se registrariam os profissionais de jornalismo, o que possibilitaria, claro, a realização dos desejos persecutórios do grupo político que agora está no poder e que, estivesse na oposição, combateria até a morte essa espécie de ditadura mal posta e mal discutida.

O público, e o caldeirão da conversação, ainda é o melhor tribunal da mídia (formal ou social). E há ainda os códigos Civil e Penal, para punir os abusos. Não precisa mais. Tenha caráter, e isso basta.

Curso de jornalismo da USP atrai 25% menos gente

Curso mais concorrido da Fuvest no ano passado (uma relação de quase 42 candidatos por vaga), Jornalismo caiu para 32 postulantes a cada cadeira escolar neste ano _uma procura 25% menor.

O vestibular, que seleciona candidatos a USP, Santa Casa e Academia do Barro Branco, teve justamente essa instituição policial como dona da vaga mais concorrida (quase 46 pessoas por lugar na sala de aula).

O porto seguro de uma carreira pública (ainda que a de oficial militar, aparentemente árdua e pouco reconhecida) tende a atrair cada vez mais gente.

Se a queda da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão tem a ver com a redução da procura pelo curso universitário, e fosse só por isso, estaria plenamente justificada.

Precisamos de menos gente nas faculdades de jornalismo. É um passo para mudar o conceito fast-food e investir no pessoal e intransferível.

A faculdade de jornalismo tem de ser procurada por ser reconhecidamente capacitadora (profissional e intelectualmente).

Tudo menos ser apenas o pedaço de papel que dá o passe para exercer um ofício. Essa era acabou, felizmente.

Aumenta, nos EUA, o número de estudantes de jornalismo

Os patrões encaram a crise, e a profissão tem perdido cada vez mais o glamour.

Então me explica porque o número de estudantes de jornalismo só aumenta, principalmente nos EUA, onde o cenário é de terra arrasada?

Socorro, frente parlamentar defende volta do diploma de jornalismo

Estou me perguntando aqui qual a contrapartida que 184 deputados e 12 senadores receberão por compor a tal frente parlamentar em defesa da exigência do diploma de jornalismo para o registro profissional.

Pior, o grupo diz ter a capacidade de propor uma “lei de transição” entre o vazio com a acertada decisão do STF (o ruim é o vazio, a imprensa sem lei) e o modelo que desejam impor, o da volta da reserva de mercado, do pedaço de papel como passe para exercer a profissão _um curral inaceitável.

Tem gente de todos os partidos na jogada, o que é excelente (economiza saliva em qualquer discussão de botequim).

A universidade, enfim, deu um passo adiante e sugeriu mudanças efetivas nos cursos de graduação e posteriores. Afinal, caiu o diploma, não a profissão e, menos ainda, a formação.

Deixemos deputados e senadores pra lá.

‘Jornalismo é mais do que disseminar notícias, é compartilhar percepções’

Clay Shirky aborda neste artigo a incerteza sobre o futuro do jornalismo. São dois os pontos mais perturbadores: a mudança radical do comportamento do consumidor e o financiamento da atividade jornalística (que hoje persiste, em sua maioria, em fracassados modelos dos séculos passados).

“Jornalismo é mais do que disseminar notícias. É compartilhar percepções”.

Shirky discorre sobre o papel (fundamental) da internet nesse processo e arremata com uma comparação talvez ainda mais dura que a metáfora do cozinheiro à qual recorreu o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, na histórica votação que derrubou a exigência do diploma em jornalismo para o exercício da profissão.

“Jornalismo é como dirigir um carro. Não é uma profissão: nenhum certificado ou especialização é necessária para praticá-lo”.

A última do diploma de jornalismo

Acaba de passar no programa de Sônia Abrão: “vultos em Neverland assustam fãs de Michael Jackson”, chamada seguida de imagens picaretas de qualquer pessoa passando dentro da casa e sendo filmada bem ao longe.

Com direito a entrevista de especialista e tudo.

Sônia Abrão tem diploma de jornalista, sabiam?

Jornal fechado, jornalistas presos. E tudo sob a égide da lei

A charge da discórdia: trabalho de Muharraqi mostra o governo tentando impedir o trabalho da imprensa independente que teria sido o pretexto para o súbito fechamento do jornal

A charge da discórdia: trabalho de Muharraqi mostra o governo tentando impedir o trabalho da imprensa independente que teria sido o pretexto para o súbito fechamento do jornal

O Bahrein fechou, sem justificativa plausível, o jornal Akhbar Al Khaleej _publicação combativa e ligada à oposição do país.

Justo quando a ebulição política no Irã já teve como consequência a prisão de pelo menos 24 jornalistas.

Os dois países, por sinal, têm lei de imprensa e exigência de diploma específico para o exercício da profissão.

Inspire-se com boas ideias de produtos jornalísticos

Que tal, em vez de chorar sobre o leite derramado do fim da reserva de mercado no jornalismo brasileiro, se inspirar nas boas ideias agraciadas com as bolsas polpudas da Knight Foundation, anunciadas ontem?

Entre os projetos (nove) ganhadores, nota-se claramente uma crescente preocupação com a mescla entre apuração, armazenamento e interpretação de dados (sim, dados são jornalismo).

Chamaram a minha atenção o Document Cloud (iniciativa de jornalistas do New York Times), que se propõe a ser uma base de dados pública para enriquecer reportagens investigativas, o Media Bugs (ambiente onde o público pode relatar, acompanhar, discutir e ajudar a corrigir erros em matérias jornalísticas) e o Crowdsourcing Crisis Information (um mashup que combina relatos do jornalismo tradicional e de jornalistas cidadãos).

Lembrando que é um bolsa da Knight o projeto mais inspirador atualmente em curso: o Spot.us, no qual leitores votam em pautas sugeridas e fazem doações para que ela seja concretizada.

O exercício do jornalismo, definitivamente, não depende de um diploma específico. Boas ideias e formação pessoal poderão dar à profissão a oxigenação que ela merece e necessita.

O fim do diploma e o começo de outro jornalismo

A decisão do STF, que por 8 votos a 1 optou ontem pelo fim da exigência do diploma, é histórica e abre caminho para que, enfim, o ensino de jornalismo melhore e seus profissionais passem a constituir uma categoria _o que jamais existiu, com ou sem obrigatoriedade de canudo.

Comecemos pela repercussão: que triste constatar centenas de comentários de jornalistas diplomados tratando a questão meramente como “joguei quatro anos no lixo” ou “e os R$ 60 mil que paguei pelo curso, como ficam?”.

Sintomáticas, são frases que exemplificam porque o jornalismo está tão ruim. Quer dizer que desde sempre a questão foi tratada apenas como um trâmite, uma obrigação a se cumprir, como se a formação pessoal não contasse nada.

Pois bem: é exatamente nesse aspecto (o da formação) que eu vejo um futuro auspicioso.

Leia mais notícias sobre o fim da exigência do diploma
Gay Talese e o orgulho de ser jornalista

Afinal de contas, agora a formação prevalece sobre a imbecil reserva de mercado. E, para ser jornalista, você terá de se preparar de verdade. Não bastará cumprir (sabe-se lá em que nível) uma quarentena obrigatória de oito semestres para, ao final dela, chegar ao pote de ouro.

A mudança atingirá a universidade justamente no momento em que uma comissão de notáveis discute mudanças no currículo da graduação. Essa reformulação precisa ser mais aprofundada agora que a formação e especialização serão a moeda corrente _sim, as empresas seguirão dando preferência a quem entende do assunto.

Não consigo enxergar a extinção e o esvaziamento dos cursos de jornalismo no Brasil. Na Argentina, como contei no ano passado, tampouco existe obrigatoriedade de diploma e as salas de aula estão cheias. É assim nos Estados Unidos e na Europa também.

A formação do profissional, que sem dúvida é muito mais rápida na prática, tendo a redação como lousa e os velhos lobos como professores, continuará existindo na academia.

A diferença é que, agora, o portador do diploma não terá um passe para exercer automaticamente a profissão. Ou seja: a faculdade só poderá lhe fornecer informação, não o passe de papel. E as que vivem acenando com o passe, estas sim, estão seriamente ameaçadas.

Com a decisão do STF, preparar-se passou a ser o fim, não um incômodo entre aluno e salvo-conduto para trabalhar.

Prevejo ainda uma enxurrada de cursos de especialização no que você puder imaginar (jornalismo esportivo, político, econômico, cultural, oficinas de reportagem, texto etc.).  Aliás, já há vários projetos sendo preparados para 2010.

No quesito categoria profissional, o fim do diploma também traz consigo a oportunidade histórica de, finalmente, reunir os jornalistas numa categoria de verdade.

Qualquer argumentação sobre o fim da obrigatoriedade precipitar contratações irregulares, jornadas extenuantes de trabalho, não pagamento de horas extras, condições precárias de trabalho e quetais não colam.

Tudo isso já existe hoje, no mundo real. E sob a égide do diploma. O que leva o patronato a tratar os jornalistas como subempregados é precisamente a ausência de um espírito coletivo.

Vejo a suposta fragilização da profissão, após a decisão do STF, por outro ângulo: o fim da reserva de mercado, e a possibilidade de ingresso no jornalismo de profissionais com outras experiências inclusive no trato com os patrões, dão a todos nós a chance imensa de estabelecer outro tipo de relação com o empregador _e, quem sabe, atingir a tão sonhada categoria que discurso nenhum de sindicato conseguiu forjar.

Quem se habituou a ser tratado como gado, como os jornalistas diplomados, ganha uma ótima perspectiva com a companhia, agora oficializada, de gente que não está acostumada a essas relações de trabalho tão podres que foram construídas com a conivência de quem (eu, inclusive) deveria ter protegido o exercício da profissão.

Restringir o acesso a ela, como já sabemos, não funcionou.

ATUALIZAÇÃO: Já li dois excelentes textos nesta manhã sobre o fim da obrigatoriedade do diploma: o de Marcelo Soares “Se você tem medo de concorrer com analfabetos, melhor plantar batatas” e o de Rogério Christofoletti “Estudar não faz mal a ninguém” (as aspas foram escolhas minhas). Durante o dia, atualizo aqui com mais coisa legal.

Mais textos sobre a decisão do STF: “Não tenho medo de perder meu emprego para um sem-diploma” (Márcio Leijoto), “Existem duas visões que podemos adotar, a otimista e a pessimista” (César Valente) e “Muito barulho por nada” (Carlos Brickman).