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Blogueiro pioneiro entrevista ‘biógrafo’

Dave Winer, um dos primeiros blogueiros, entrevistou (em áudio) o professor Jay Rosen, um dos caras que ajudaram a identificar essa gente (a ex-plateia), como Winer, que ajudou a enterrar o monopólio da imprensa naquela tarefinha de apurar/interpretar/difundir notícias.

Ouça.

Navegando pelos primórdios dos blogs

Scripting News, um dos blogs mais antigos de que se tem noticia, e sua aparência em 1997

Scripting News, um dos blogs mais antigos de que se tem notícia, e sua aparência em 1997

Hoje resolvi fazer a lição de casa e, finalmente, visitei (graças à máquina do tempo da Web) dois dos blogs mais antigos do mundo.

Consta nos autos que Dave Winer e Jorn Barger começaram a blogar em 1997, com diferença de meses. Há relatos de blogueiros ainda mais antigos (como Justin Hall, que foi visto na rede fazendo algo parecido ao ato de colecionar links legais a partir de 1994).

Outra coincidência entre eles é que todos eram, em todas as acepções da palavra, geeks (que no meu tempo eram chamados de nerds, tanto faz). Trabalhavam com programação de computadores e desenvolvimento de softwares. Barger teria sido, ainda, o criador do termo weblog, cuja corruptela se transformaria numa coqueluche a ponto de ser totalmente deturpada _ainda que haja quem, com propriedade, desconstrua as pistas básicas sobre como identificar a plataforma.

Ainda que nossa viagem no tempo favoreça Barger _a impressão mais longínqua de sua página é de 1999, dois anos à frente da de Winer_, nota-se claramente que ambos faziam a mesma coisa: vasculhavam a Internet e publicavam os links que consideravam mais interessantes.

A veia noticiosa do Robot Wisdom (tocado por Barger) se explica: 1999 marcou o auge dos newsjunkies e do consumo por esse tipo de produto. Não por acaso 2000 foi o ano mais auspicioso a história da rede, com a criação em série de portais e produtos, vários deles com ênfase no noticiário do dia-a-dia. Essa fase terminou em tragédia.

Já o Scripting News original, de Winer, era naturalmente focado em tecnologia (característica que resiste até hoje num número expressivo de páginas pessoais).

Entretanto, os dois mostram conhecimento sobre usabilidade e design. Descontados os anos, já eram modernos o minimalismo (expresso no fundo branco, uma contraposição ao carnaval de cores e gifs que dominava a Internet daquela época) e a disposição dos hiperlinks _note quantos, o que envergonharia os blogueiros de meia pataca de hoje que fazem, na verdade, colunas impressas em versão eletrônica.

É engraçado se referir a todas estas coisas tão recentes como “antigas”, mas o timing on-line é assim, inclemente.

Minha inspiração veio da leitura de Blogs.com, uma compilação indispensável para entender do que é que aqueles caras estavam falando há 15 anos.

O blog que não é blog

Afinal, Barack Obama começou bem ou mal sua gestão on-line?

A questão é controversa. Dave Winer, o primeiro blogueiro de que se tem notícia, reparou logo de cara que o “blog” do site da Casa Branca se apropriou indevidamente do nome: não leva o leitor a lugar algum, não coleciona coisas bacanas, não indica outros sites e, reparei agora, nem sequer é publicado na ordem cronológica inversa.

Desta forma, serve apenas para amontoar releases.

Agora há pouco o novo presidente dos EUA repetiu “por precaução” o juramento à constituição americana porque houve uma pequena gafe no juramento original, feito ontem em público, e que emocionou o mundo.

Por um acaso a informação foi distribuída em algum dos canais interativos de Obama? Não. Aliás, nem área de notícias há no site oficial da presidência. Cadê a tal da comunicação imediata tão apregoada?

Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York, acha que ainda é cedo para avaliar o trabalho da equipe de Obama na web. Eu também, mas isso significa que caracterizar o recém-empossado governo como um exemplo no uso das novas tecnologias é avançar bastante o sinal.

Funcionou na campanha mas, como já falei outras vezes, há vários outros pontos ainda obscuros.