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“No jornalismo, quem tem boas idéias é o público”

Um dos maiores especialistas em novas tecnologias (e o que elas estão fazendo ao jornalismo), Jeff Jarvis, que comanda o ótimo Buzzmachine, foi entrevistado nesta segunda-feira pelo jornal português “Público”. Vale a leitura atenta e completa do texto.

Entre as coisas que achei bacanas, ele tem sugestões radicais para jornais como o The New York Times sobreviverem (acha que deveriam ser focados no noticiário analítico de internacional), comenta sobre o livro que está escrevendo, “What Would Google Do?” ou “O que o Google faria?”, no qual aplica conceitos do gigante da Internet para negócios comuns, e defende a “sabedoria das multidões”, tão debatida hoje em dia. A ponto de disparar: “no jornalismo, quem tem boas idéias é o público”.

Vamos fazer o perfil de 1,8 milhão de personagens?

O desafio do título acima foi proposto por um grupo de pesquisadores do mundo todo, reunidos por meio de uma rede social própria. Então nasceu a Encyclopedia of Life.

A idéia é, nos moldes da plataforma wiki (programa que facilita a inclusão de novas informações sobre um texto já existente), catalogar _em texto, foto, áudio, vídeo e no que vier a ser criado_ o impressionante inventário de 1,8 milhão de espécies conhecidas no planeta.

É como se, no jornalismo, decidissimos escrever (não só isso, arrumar fotos, imagens, registros de voz…) os perfis de 1,8 milhão de pessoas. Num mundo habitado por 6,6 bilhões, escolher 1,8 milhão não parece tão hercúleo. Não?

É por isso que a “colaboração orientada”, o _e eu acrescentaria, “monitorada”_ vai ser importante para melhorar não apenas o jornalismo. O “crowdsourcing“, na definição de Jeff Howe (aqui, um beabá bem chinfrim em português… ) abre a possibilidade de acelerar imensamente os processos.

Quanto, em tempo e pessoas, seria gasto numa estrutura convencional (pense numa redação), para dar conta da tarefa de redigir, ilustrar, dar acabamento, corrigir, melhorar 1,8 milhão de unidades distintas de informação?

A tecnologia deu, a nós e também às “estruturas convencionais”, o poder de fazer o chamamento do povo. De pedir que as pessoas ajudem a disponibilizar informação mais rapidamente.

Um perfil jornalístico nada mais é do que um resgate de vida pregressa (a origem), performance social (evolução) e contexto da morte (extinção).

É o propósito da Encyclopedia of Life.