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Foto incrível de urso vira objeto de disputa nos EUA


Um fotógrafo (ainda que seja frila de um jornalzinho de colégio) pode separar seus cliques entre “pessoais” e “de serviço”?

Bem resumidamente, é essa a discussão entre o CU Independent (ligado à Universidade do Colorado) e Andy Duann, aluno da instituição. Duann flagrou o momento em que um urso que invadiu o campus era abatido por uma dose de tranquilizantes e viu a foto correr o mundo creditada para o veículo. Ele diz não querer dinheiro, apenas o crédito da imagem – que foi retirada do repositório da AP, primeira a distribuir a foto, justamente por causa do imbróglio.

Como bom foca, Duann diz que jamais pensou que seu clique era bom (muito menos que seria reproduzido tantas vezes. “A foto estava fora de foco”, resume.

Não sabe o que é notícia, mas se preocupa com o nominho que acompanha uma imagem. Começamos bem, garoto.

ATUALIZAÇÃO: Ah, e como não poderia deixar, o “falling bear” virou meme.

ATUALIZAÇÃO II: Uma semana depois do incidente na Universidade do Colorado, o “falling bear” morreu atropelado.

A foto errada da tragédia idem

A foto acima é de uma tragédia. Mas da tragédia errada.

Explico: no sábado, o jornalão francês Le Monde (aquele afogado em dívidas que recentemente enfrentou uma raríssima greve de jornalistas) publicou reportagem com o sugestivo título de “Hiroshima: o que o mundo nunca disse”, ilustrada com a chocante imagem de corpos inertes, que o prestigioso Hoover Institution, da Universidade de Stanford, possuía em seu acervo.

Pois bem: a foto não retrata o horror pós-bombardeio de Hiroshima, em 1945, mas a devastação de Tóquio no grande terremoto que atingiu o Japão em 1923. O jornal jogou a responsabilidade pelo erro de crédito para o instituto, e lembrou que um livro do historiador Sean Malloy também mostra a imagem como sendo da hecatombe atômica (Malloy, antes tarde do que nunca, agora busca informações sobre o fotógrafo que registrou a cena).

Para nós, fica a lição: confiar na reputação de institutos e historiadores, como se pergunta o Editor’s Weblog, não é suficiente.  O Museu da Paz, em Hiroshima _que é a referência óbvia sobre o assunto_ foi o primeiro a notar o engano. Nem jornal nem historiador nem instituto procuraram o órgão antes de dar a barriga.