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Jornal bom é jornal na banca

Dois meses de muitos ácaros, bolor e poeira depois, finalmente vai às bancas domingo, na Folha de S.Paulo, o caderno especial “Há 50 anos somos campeões”, que tive o prazer de planejar, coordenar, pautar, pesquisar, escrever e até mesmo matar a saudade dos tempos de repórter.

Foi um trabalho de fôlego também dos colegas Rodrigo Bueno e Toni Assis que, tenho certeza, atingiu todos os objetivos: sair do óbvio e descobrir histórias escondidas na inesquecível conquista da Copa do Mundo da Suécia, a primeira da seleção brasileira.

A logística do produto envolveu horas enfiado nos arquivos de Folha, A Gazeta Esportiva e El Pais (48 horas, ou dois dias, para ser mais preciso) e outras tantas lendo conteúdo de outros jornais em CDs. Fora viagens a Suécia, Uruguai e cidades brasileiras. Mais dezenas de entrevistas.

Outro mérito do caderno: descobrimos que existiam íntegras em vídeo de dois jogos daquela seleção (a semifinal, contra a França, e a final, diante da Suécia). As fitas foram analisadas pelo Datafolha, que tradicionalmente faz os scouts de jogos de futebol, e também por Tostão, colunista do jornal e que escreveu um texto tocante.

Daí você me pergunta: e o que o estádio Centenário (foto acima) tem a ver com a Copa do Mundo de 1958? Surpresa…

Cabe tudo na Internet, mas precisa organizar, né?

Multidão ouve jogo do Brasil transmitido pela Rádio Nacional na Copa de 58

Uma coisa insuperável da mídia Internet é que ela comporta absolutamente todas as outras. Costumo dizer que é um “tudo em um”. Nela cabem jornal, revista, livro, TV, rádio…

Só que as coisas precisam ser organizadas. Um exemplo: olhem que bacana a iniciativa da Rádio Nacional-RJ, por ocasião dos festejos dos 50 anos da Copa de 58 (ganha pelo Brasil).

A emissora (que era a TV do Globo da era do rádio, dominando o país de norte a sul como uma superpotência informativa e de entretenimento) disponibilizou áudios, fotos, textos e vídeos com transmissões de jogos daquela seleção brasileira que encantou o mundo.

Agora tentem encontrar as coisas no blog montado especialmente para abrigar o acervo. Tarefa dura: tudo desorganizado. Os áudios (que são o prato principal, afinal estamos falando de uma emissora de rádio) não aparecem com protagonismo e estão perdidos lá no pé da página.

O destaque principal são vídeos que, evidentemente, não foram produzidos pela rádio na época. Basicamente, colagens de filmes oficiais + coisas pescadas nos sites de compartilhamento de vídeos.

Tudo muito legal, confiram. Mas que a bagunça da sala de estar tornou uma baderna quase incompreensível. E, pior, relegou o que tinha de mais legal (as narrações que reuniam milhares de pessoas em torno do rádio, como se vê na imagem lá de cima, tomada na Cinelândia, no Rio).