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Notícias sobre o paywall do NYT

Já são quase 300 mil pessoas pagando para acessar o The New York Times na web. Estes resultados podem estar colocando em xeque algumas “certezas” sobre a cobrança on-line.

Mais uma pensata sobre o paredão do conteúdo pago do NYT

Interessante leitura de Darmon Kiesow sobre o paredão de conteúdo pago erguido pelo New York Times em seu site: “a ideia não é proteger o impresso, mas promover a plataforma móvel”.

Vale ler.

NYT descreve as regras de seu conteúdo pago

Para o NYT, o paredão do conteúdo pago, instituído esta semana, é um “investimento” em jornalismo de qualidade.

Assinada pelo publisher do jornal, Arthur Ochs Sulzberger Jr, uma carta ao leitor publicada na edição impressa de ontem conta as regras deste novo jogo, entre elas o limite de visualização de 20 artigos gratuitos, por mês, para os usuários que não assinam o produto.

Vamos ver no que vai dar.

ATUALIZAÇÃO: O Tiago Dória comenta essas novidades com muito mais propriedade.

O paypal do jornalismo

O Google tinha prometido ajudar os jornais a sair da pindaíba. Para isso, criou um produto, o One Pass.

O serviço é basicamente agregar conteúdo pago selecionado pelo usuário. Tem uma vantagem: não se restringe à web (tudo o que é comprado ali pode ser lido em todas as plataformas).

Yahoo e Apple já tinham anunciado iniciativas semelhantes na semana passada.

Agregador pago é a mais nova insanidade on-line

Que loucura: o Ongo é um agregador de notícias de jornalões e agências de notícias (ou seja, que se encontram em qualquer lugar) e está cobrando US$ 6,99 mensais de seus clientes. Os próprios veículos estão bancando sua operação.

Há um movimento para se combater a saturação de informação na internet, e ele passa, claro, pelo estabelecimento de fontes confiáveis de notícias e trabalho profissional de edição.

Mas cobrar desde o agregador não faz o menor o sentido.

A prova dos nove

O jornal The New York Times tem cerca de um milhão de assinantes de sua versão diária em papel.

No Twitter, são 2,6 milhões de seguidores, quase três vezes mais.

Esses números significam algo?

Sim, antes de mais nada que a adesão a serviços gratuitos via internet é imensamente superior a modelos que ainda suportam (não sabemos até quando) a imprensa escrita.

Mais: que o alcance da sua produção é muito maior quando estamos justamente nesses canais, que via de regra têm custo zero.

E os jornais ainda se perguntam se devem cobrar por conteúdo on-line…

Castells: ‘As redes sociais não são uma virtualidade em nossa vida: é nossa realidade que se fez virtual’

Encerro hoje a semana Manuel Castells, iniciada na terça-feira com a entrevista que o sociólogo espanhol concedeu a mim e que foi publicada pela Folha de S.Paulo. Foi apenas parte de conversa que, além de política, girou muito, claro, sobre internet e redes sociais.

Castells, um dos mais relevantes pesquisadores da web, está especialmente atento ao que acontece hoje nas redes sociais, um espaço ocupado por 1,6 bilhão de seres humanos _e ainda contando.

“As redes sociais começam para valer em 2002, com o Friendster. Ou seja: a pré-história tem menos de dez anos. Essa é a velocidade com a qual estamos trabalhando”, disse.

Era a resposta à minha pergunta sobre a durabilidade das redes (pouco antes, Castells já havia decretado a morte do Twitter). O sociólogo mostra ter uma certeza: que a facilidade de construção de novas redes torna as pessoas totalmente desapegadas às já existentes. “O fundamental das redes sociais é que qualquer jovem que conhece algo de tecnologia e que tem muito pouco capital pode imediatamente construir uma rede social”, afirma.

É o que lhe faz acreditar que modelos que buscam a monetização via cobrança ou controlam excessivamente os usuários estão fadados aos fracasso. “O Facebook ensaiou cobrar e em três dias mudou de ideia porque milhões de pessoas se moveram para outras redes. O dia em que ele tente controlar mais o que acontece lá dentro, as pessoas irão para o Facebook ao lado. Se todas as redes comerciais entrarem num acordo, se criarão outras redes. As possibilidades são ilimitadas.”

Para Castells, quem tentar restringir o acesso na internet ficará isolado.

“Estamos em um mundo de redes sociais. Hoje as pessoas relacionam sua vida física com sua realidade na rede. Estão integradas. Não é uma virtualidade em nossa vida, é nossa realidade que se fez virtual. Essa é uma mudança fundamental. O que a internet permitiu é a autoconstrução das redes de relação, da organização social e das redes de pensamento. É a primeira vez na história que se produz uma autoconstrução da sociedade nessa escala.”

NYT fala pela primeira vez em deixar de publicar

Provocou algum furor a declaração de Arthur Sulzberger Jr, publisher do New York Times, de que um dia o jornal “será forçado” a parar de publicar o produto em papel.

Foi numa resposta a questionamento sobre um suposto crepúsculo para o impresso (perguntou-se se era 2015).

Essa (o fim do impresso) ainda é uma pergunta sem resposta, mas foi a primeira vez que o NYT falou oficialmente sobre isso.

Sulzberger falou também sobre o muro do conteúdo pago, que o jornalão faz subir a partir de 2011. Deu em outra frase ótima: “Para sermos bem-sucedidos, é preciso correr riscos”.

Vamos ver até onde vai essa máxima.

(Leopoldo Godoy foi quem deu a dica)

Notícias sobre o Times e leitores que fogem do conteúdo pago

Atualização sobre a audiência na internet do The Times e do Sunday Times: juntos, perderam 1,2 milhão de usuários únicos desde maio, quando passaram a cobrar por conteúdo.

Outro dado revelador: a carteira de assinantes dos sites é bem menor do que a audiência de 1,6 milhões de visitantes únicos que eles alcançaram em julho.

Claro: descobrir que é preciso pagar para navegar é o melhor convite para a retirada sumária.

Finalmente um golpe de mestre dos jornais

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) anunciou sexta-feira no Rio, no encerramento de seu congresso anual, que está negociando com agregadores estímulos para que os internautas busquem notícias diretamente nos sites que os hospedam.

“Nossa meta é buscar formas adequadas de remuneração de nossos conteúdos, para que o jornalismo de qualidade continue a desempenhar o papel que tem e sempre teve em sociedades democráticas”, disse Judith Brito, presidente da entidade.

Como seriam essas “formas adequadas”? Ainda não sabemos ao certo, mas discute-se a redução dos textos exibidos em agregadores (como o Google News) e critérios de indexação que consigam distinguir entre o que pode ou não ser exibido por meio do Protocolo de Acesso Automático a Conteúdo.

Toda essa discussão, direitos autorais à frente, sempre teve como pano de fundo a sobrevivência dos jornais. A novidade, agora, é que os agregadores aceitaram negociar.

Se os jornais conseguirem ganhar dinheiro com algo que claramente ajuda a promover seu conteúdo, terá sido um golpe de mestre.

Nenhum estímulo para alcançar a fonte original de uma notícia pode ser maior do que o agregador (que, com frequência, possui audiência várias vezes superior aos veículos que se incomodam em aparecer neles).