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O cara que desmascarou o Creative Commons

Robert Levine, ex-editor das revistas “Wired” e “Billboard”, é o novo integrante da cruzada contra o conteúdo “surrupiado” na internet.

Mas seu livro “Free Ride: How Digital Parasites are Destroying the Culture Business, and How the Culture Business Can Fight Back” traz uma contribuição de verdade ao debate.

Nele, Levine faz jornalismo e, em sua apuração, descobre que entidades incensadas como libertárias (caso do Creative Commons) são patrocinadas pela indústria de tecnologia _a principal interessada em compartilhar conteúdo sem desembolsar nada pelo direito autoral.

“Não sei se vender o conteúdo vai funcionar, mas sei que distribuí-lo de graça na internet não vai”, disse Levine em entrevista à Folha de S.Paulo.

Finado em papel, jornal morre também na internet

Lembram do Rocky Mountain News, o jornal cujo fim acompanhamos praticamente ao vivo aqui, em 26 de fevereiro?

Pois ele morreu uma segunda vez, agora na web.

É assim: um grupo de 30 ex-funcionários do diário da cidade norte-americana de Denver se reuniu em torno de veículo on-line criado para manter vivo o espírito do jornal, que ontem completou 150 anos.

A proposta do InDenverTimes era cobrar US$ 5 mensais de uma carteira de clientes estimada em 50 mil pessoas para tornar o negócio viável.

Como todo mundo que aposta em conteúdo noticioso generalista pago na internet, o InDenverTimes fracassou: reuniu só 3 mil assinantes, número insuficiente para bancar parte do espólio funcional do finado Rocky em papel.

Melancias, laranjas e jornalismo

A Folha de S.Paulo reproduziu ontem texto do New York Times que trata da possível cobrança de conteúdo on-line por jornais dos Estados Unidos _movimento (e isso não está no texto) que poderá ser visto pela Justiça americana como cartelização.

De novo, o texto compara laranja e melancia: diz que os modelos de Wall Street Journal e Financial Times (ambos têm vasta carteira de clientes que pagam para ler material exclusivo) provam que é possível taxar o leitor on-line.

Esquece-se o autor da matéria que informação financeira é uma das poucas que as pessoas não estão dispostas a compartilhar. Logo, dentro desse nicho é sim possível cobrar pedágio. Fora dele, jamais.

Outra patinada do texto, e que tem sido frequente quando se fala sobre o assunto, é acreditar no modelo iTunes para o noticiário, como se música e notícia fossem a mesma coisa.

Não, não são. O prazo de validade é seu principal diferencial: notícia acaba assim que é lida. Logo, é incorreto comparar as duas coisas.

É difícil a compreensão de que não há volta com relação ao conteúdo gratuito na internet.