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A diferença entre negócio na Internet e o negócio Internet

Você já conhece o roteiro: um negócio tradicional dominado por grandes grupos que, diante da diminuição de sua relevância em virtude das novos hábitos de consumo, precisa de um defensor público. A quem ele recorre?

Andrew Keen, claro. O enfant terrible da Internet sempre terá uma palavra de conforto para velhos e refratários empresários que insistem em morrer abraçados a antigas estratégias.

Pois Keen foi a estrela de um debate promovido pela The Book Seller, entidade patronal que reúne editores da Grã-Bretanha. Sua missão: descascar o conteúdo gratuito (tendência irreversível da Internet) e conclamar os publishers a “lutar contra a tirania do grátis na Web”.

O bacana: Keen admitiu que “o negócio do conteúdo está em crise”, traçando um paralelo com os jornais impressos e com a indústria fonográfica. Porém ele enxerga um panorama apenas temporário, garantindo que “na próxima encarnação” o conteúdo pago voltará com força total porque, afinal, “o futuro é dos experts”.

Todos vocês sabem que tenho profunda admiração por Keen desde o ótimo “The Cult of the Amateur” (com tradução prometida em breve para o português), mas esse tipo de comentário é uma pisada na bola monstruosa.

Primeiro que pagar não significa necessariamente um triunfo do expert. Pelo contrário, há toneladas de conteúdo gratuito na Internet (vide, só para começar a conversa, material licenciado sob a chancela do Creative Commons) de qualidade.

Toda a questão gira em torno da seguinte indagação: pagar para quê?

Entendo que o grosso do conteúdo na Web será absolutamente de graça. Pagaremos, e com prazer, àqueles que, em seu rol de serviços sem ônus, oferecem um plus que, justificadamente, mereça o investimento de algumas moedas.

Paralelamente (e para que os editores fiquem ainda mais aliviados), empresas como a Amazon seguirão vendendo (isso mesmo, entregando a troco de dinheiro) livros físicos para os milhões (oxalá bilhões) de pessoas deste mundo.

A questão é não confundir um negócio na Internet com o negócio Internet.

Internet se encaminha para conteúdo 100% gratuito

As coisas vão se encaminhando do jeito que Chris Anderson, editor-chefe da Wired, preconizou. Agora foi a Thomson Reuters, maior agência de notícias do mundo e que ainda vive de vender conteúdo para a mídia mundial, anunciar que abriu seu conteúdo multimídia para a “comunidade on-line”.

É a cultura do free, do preço zero, que Anderson vai defender em um livro que está quase no prelo.

Quando eu digo que não se pode mais cobrar do usuário comum, aquele que utiliza seu site sem fins comerciais, ficam em pânico. Mas só há uma certeza hoje sobre o conteúdo fechado: que ele o exclui das buscas na Internet, hoje a principal porta de acesso do usuário a um site.