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A inteligência coletiva ainda resiste

Fiquei surpreso ao descobrir que o Reddit, criado em 2006, aparece na oitava posição entre os sites de notícias mais acessados da internet, segundo o confiável ranking da Alexa.

Basicamente um repositório de links (nem todos jornalísticos) submetidos à avaliação de seus usuários, que assim determinam em que posição cada contribuição é mostrada no site, o Reddit segue o modelo inaugurado pelo Digg, produto de 2004 ainda no ar e que acabou ultrapassado pelo concorrente.

Trata-se de uma aposta na curadoria da inteligência coletiva, ou seja, uma edição feita a várias mãos, por uma comunidade de usuários.

Mais interessante ainda é a Alexa classificar essas experiências na categoria de notícias.

Não deixa de ser estranho também ver o Reddit ali, entre BBC News, CNN, NYTimes, HuffPo…

Um esclarecimento: a metodologia usada pela Alexa se parece muito com a adotada pelo Ibope para medir a audiência televisiva no Brasil: depende de um programa distribuído por amostragem em residências que monitora os hábitos de uso do aparelho.

A importância da interação com a comunidade

“É indispensável criar e cultivar não um grupo de consumidores, mas uma comunidade em torno do produto ou do serviço que está sendo ofertado. Quanto maior e mais diversificada for a interação nessa comunidade, maior será a percepção de ‘diversão’ por parte do usuário e maior será sua propensão, no longo prazo, a se engajar com a marca e consumir aquilo que está sendo ofertado.”

Julio Vasconcellos, fundador do site de compras coletivas Peixe Urbana, falava, evidentemente, de comércio eletrônico, mas essa lição se enquadra perfeitamente a quem faz jornalismo na internet.

Administrar uma comunidade e interagir com ela é, hoje, o ponto de partida para iniciativas bem-sucedidas em novas plataformas.

De como não gerenciar uma comunidade

Olha como não gerenciar uma comunidade em mídia social.

Ninguém é obrigado a fazer. Mas se você se pretende a fazer, isso é inadmissível.

Crowdsourcing e jornalismo de raiz em debate

Dan Gillmor aparece, num post de blog do Guardian, defendendo o crowdsourcing _outra novidade do jornalismo nos tempos da alta tecnologia.Para quem sabe, Gillmor é uma espécie de pai do “jornalismo de raiz”, ou seja, aquele que independe do jornalista profissional para acontecer.

O ponto do texto era debater dois aspectos do trabalho produzido pela ex-plateia, hoje também protagonista do processo de apuração/relato (e análise)/difusão de notícias: credibilidade do material e envolvimento do público DURANTE a confecção de uma reportagem, não depois, para que ele apenas bata palmas

“O mosaico será sempre verdadeiro, ainda que alguns pixels sejam falsos”, diz que Gillmor, que em 2004 preconizou o fenômeno do “uma imprensa para cada um” no livro “We, the Media“. Ele se refere, por exemplo, às inevitáveis fotos falsas que circulam durante episódios de grande comoção, como o terremoto do Haiti.

Paul Lewis, repórter do Guardian que envolve inteligentemente seus leitores em todas as suas matérias (conseguindo com isso dicas, ajuda e pistas importantes para incrementar suas reportagens), fala sobre o segundo ponto. Ele é um dos que ajudam a acabar com essa baboseira, que circula nas redações, que recorrer ao crowdsourcing é entregar o ouro para o bandido, ou seja, a concorrência.

“Pensa bem: quem é a concorrência? Você tem mais a ganhar do que a perder [recorrendo ao público e compartilhando informação com ele]”, diz. O custo para isso, porém, é bastante alto. É por isso que dá pena ver jornalistas profissionais adentrarem determinadas comunidades que jamais frequentaram, disparando perguntas que ajudem a resolver um problema (dele), normalmente a incapacidade em localizar possíveis entrevistados.

Isso é tão frequente como desastroso. O crowdsourcing terá mais qualidade e credibilidade em razão diretamente proporcional à maneira como o jornalista constrói sua rede de relacionamentos on-line.

É preciso trabalhar duro para ter uma comunidade de verdade e dedicada: oferecer bons serviços a ela, escutá-la, fazer reportagens que atendam seus interesses e provar que se está aberto à conversação é o mínimo. Sair pedindo ajuda a ilustres deconhecidos, em geral, só faz água.

É nesse ambiente que surge a boa colaboração entre público e jornalista.