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Mais problemas nos comentários

Isso é muito antigo: a melhor maneira de se manter um nível melhor de comentaristas de notícias on-line é zelar pelo lugar onde eles comentam, seja limpando a área, seja interagindo a demandas que surgem ali dentro. Tudo muito difícil, devido ao volume.

Não é o que fez o Huffington Post, que agora optou por impedir os comentários anônimos. Não vai resolver, como outras pessoas também acham

Facebook ajuda sites a administrar comentários

O Facebook tem ajudado muitos veículos on-line a administrar o inadministrável: os comentários.

Conectar a área de comentários ao site de Mark Zuckerberg ajuda manter o ambiente sadio e com pessoas “de verdade”. Na rede social, a reputação alta é diretamente proporcional ao uso da identidade real. Além disso, desvios de conduto são punidos severamente.

Não é a solução definitiva, mas é um passo adiante nesse caos.

Site da Fox News se fecha para comentários

Quintessência do pensamento conservador, iletrado e troglodita americano, a Fox News restringiu drasticamente a área de comentários de seu site.

Agora, só assuntos anódinos – esqueça a política e a economia – estão abertos à participação direta do público.

Uma coleção das “melhores intervenções” do público em 2010 dá uma mostra clara do que é que estamos perdendo com essa súbita conversão ao obscurantismo do veículo “justo e equilibrado” do senhor Murdoch.

Quem tem os piores comentaristas da internet?

John Herrman analisou sites de notícias, blogs de tecnologia, páginas políticas e de cobertura de celebridades, Facebook e Youtube para chegar à conclusão que o vencedor é… descubra você mesmo, é surpreendente!

De minha parte, baseado em observações diárias, fiz uma divisão em cinco categorias do que é mais frequente encontrarmos nos portais brasileiros. É a que segue.

Pregadores
Não tem jeito: estão presentes em todo o tipo de reportagem. Se a pessoa morreu, “foi a vontade de deus”. Se ela se salvou, “deus é grande”. Se está doente, “fé em deus”. Uma nova descoberta científica? “Parem de desafiar o poder de deus”. O goleiro do seu time fechou o gol? “É o dedo de deus”. Calculo que cerca de 30% dos comentários esteja impregnado de discurso religioso. E, a partir dele, os anti-religião transformam a discussão numa batalha infindável entre crentes e ateus.

Oniscientes
Eles não testemunharam a notícia, mas conhecem profundamente seus protagonistas e sabem descrever com precisão como o fato ocorreu. Vide “com certeza ele usou cocaína e encheu a cara” ou “está na cara que essa mãe não tem condição psicológica de cuidar de uma criança”. São capazes de dar aulas das mais variadas, de astrofísica a gastronomia, e acreditam que realmente conhecem esses assuntos. Estão aos montes nas caixas de comentários.

Justiceiros
Sua arma é a lei de talião. “Matem essa monstra”, “ponham fogo na casa desse assassino” e “me dê apenas 10 minutos a sós com esse lixo humano” são seus lemas. Frequentam basicamente o noticiário policial. Se todo mundo que estes comentaristas de site anunciam que matariam efetivamente morresse, estaria faltando gente no mundo.

Trolls
Estão entre nós desde que a internet é internet basicamente em busca de atenção. Para isso, recorrem a agressões gratuitas, palavrões, críticas desmensuradas.

Comentaristas
Quase me esqueço deles. Afinal, são minoria: ingressam numa notícia para realmente expor, civilizadamente, sua opinião sobre o tema.

O que fazer com os trolls

Uma das coisas mais velhas da internet – e contra a qual conseguimos evoluir pouco ou nada para combater – é a praga dos trolls.

Dolores Vela discorre um pouco sobre a motivação destas pessoas em estragar de caixas de comentários e perfis em redes sociais com intervenções impróprias.

A triste conclusão: a adesão de trolls é uma admissão de sucesso. Eles não aparecem em sites que estão às moscas.

A terceirização dos comentários em sites

António Granado alerta para texto do Nieman Lab sobre uma novidade: a mídia tradicional começa a experimentar a terceirização da moderação de comentários em seus sites, essa praga quase impossível de administrar e, ao mesmo tempo, fundamental para aprimorar a conversação e participação do público.

Uma empresa canadense já faz o serviço, que garante ser “personalizado”.

Ainda sobre a pobreza da participação do público no jornalismo formal

Cresce a manifestação da imprensa formal sobre a participação do público no noticiário, notadamente por meio de comentários (como observei outro dia).

E vai se estabelecendo o consenso de que ela (a participação do público) é muito ruim.

Agora foi a vez do decano Clóvis Rossi, repórter especial e colunista da Folha de S.Paulo, se referir ao “lado lixo da internet” em coluna publicada esta semana pela versão on-line do jornal.

A grande questão dos comentários é que eles não servem para absolutamente nada se não forem lidos e triados pela redação.

A opinião dos leitores não deveria apenas ajudar a melhorar as notícias escritas por profissionais, mas também trazer informações importantes sobre seus anseios e avaliação do material que o próprio veículo publica.

Para isso, seria necessário um pelotão. Só a Folha recebe 150 mil comentários mensais, número que saltou para 400 mil no período eleitoral.

É impossível e, na maioria dos casos, inútil tentar estabelecer qualquer diálogo.

Infelizmente.

‘A internet é o penico do mundo’

Ao responder esta semana a comentários de seus espectadores num programa ao vivo, José Trajano, diretor de jornalismo dos canais ESPN (um dos primeiros veículos a entender e abraçar a necessidade do diálogo com o público), reclamou da intolerância diante do contraditório.

“As pessoas não sabem mais conviver com a opinião contrária”, afirmou.

Trajano (íntegro e relevante em nossa profissão, registre-se) falava de futebol, ambiente apaixonado que o remeteu à  campanha eleitoral recém encerrada, para ele “aquela guerra na internet, acusações desenfreadas”.

Concordo, mas o problema é anterior à vida em rede. Pessoas são precipitadas, não analisam o conjunto do discurso e, abrigadas numa trincheira tecnológica qualquer, se tornam ainda mais destemidas.

Há um desequilíbrio no diálogo público em que estamos metidos.

No mesmo programa Trajano também disse que “a internet é o penico do mundo”, como antes fizeram Fausto Silva e muitos outros colegas _a opinião é recorrente no meio, e quero deixar claro que a subscrevo.

Os jornalistas ainda achamos que a participação dos consumidores de notícias também precisa melhorar.

Jornal cobra para leitores comentarem em site

É bizarro, mas um bom teste: o jornal Sun Chronicle, de Attleboro (EUA), passou a cobrar a taxa única de US$ 0,99 para leitores que quiserem comentar as notícias de seu site.

O pagamento tem obrigatoriamente de ser feito em cartão de crédito, o que garante a identificação de 100% dos comentaristas. Certamente um ambiente mais seguro, mas menos parecido com a internet.

Rafael Sbarai vê autoritarismo e precipitação na estranha medida.

De tão estranha, aliás, acho mais prudente observar a adesão a ela _e o resultado prático na excelência do conteúdo da caixa de comentários, reconhecidamente baixo na maioria dos veículos que trabalham com notícias e interagem com seu público.

O passo pode sugerir um sinal, também, de que comentários são tão relevantes que é possivel vendê-los como se fossem classificados.

Por sinal, há quem use (e com bastante frequência) o espaço para promover links. Pagaria por isso?