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Triste o mundo em que vivemos

A barriga da Rolling Stone americana sobre um fantasioso relato de estupro coletivo que teria ocorrido dentro de uma universidade proporcionou um documento talvez inédito na história dos erros da imprensa: a pedido da publicação, pesquisadores de Columbia escrutinaram os processos que levaram à falha grotesca.

A investigação sugere de falha na apuração (e a praga da fonte única) ao açodamento dos editores – ambos óbvios.

O pior é constatar que o relato de um estupro coletivo dentro de uma universidade se enquadra no universo do possível, tanto porque já houve quanto porque haverá.

Triste o mundo em que vivemos.

A Constituição do Facebook

Você já leu os termos de uso do Facebook?

Ex-editor-chefe do Washington Post e agora diretor da Faculdade de Jornalismo de Columbia (EUA), Steve Coll leu. E abandonou o serviço.

“Tudo me pareceu muito pretensioso, escrito como uma Constituição, mas de um Estado do qual eu não gostaria de ser cidadão”, contou.

Há mais bobagens do que a observação “Você não deve usar o Facebook se for um criminoso sexual condenado” na tal “Constituição” do serviço de Mark Zuckerberg. O besteirol grassa em termos de uso de forma generalizada, como os do Twitter, por exemplo.

A grande questão é que as cláusulas leoninas escondidas entre as estultices acabam sempre passando batidas. E, depois, dá-lhe polêmica porque uma foto de passista foi excluída da página de um veículo jornalístico que fazia a cobertura do Carnaval.

Mas eu nem deveria estar falando disso, já que certamente você não leu nem lerá as regras. Tá. Apenas não reclame depois. O ambiente ali não é nosso, é deles (dos donos).

Notícias do pós-jornalismo industrial

C.W.Anderson, Emily Bell e Clay Shirky assinam um importante artigo/manifesto [PDF] recém divulgado pela Universidade de Columbia (EUA) que analisa o que os autores chamam de “adaptação do pós-jornalismo industrial” ao avanço tecnológico.

O estudo (sim, há entrevistas com profissionais e amadores) parte de cinco premissas: 1) O jornalismo é relevante (mas os autores pontuam que nem todo jornalismo é); 2) O bom jornalismo sempre foi subsidiado; 3) A internet destruiu o modelo de financiamento publicitário; 4) Reestruturação dos processos é um movimento obrigatório; 5) Há várias oportunidades de fazer bom trabalho de formas diferentes.

O paper é focado no jornalismo praticado nos EUA (por exemplo, decreta a falência do modelo de paywall e micropagamentos, que mal começou a ser testado por aqui) e faz um movimento ousado no sentido de tirar o New York Times do bojo da discussão. Assim, o jornalão é enquadrado numa categoria com um único integrante: o New York Times.

A exceção é importante para que trabalhos como Snow Fall, que consumiram seis meses e o suor de 17 profissionais, não passe à posteridade como um modelo do que deve ser feito pelas novas gerações.