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NYT volta a investir em colaboração e crowdsourcing


Com o beta620, o New York Times reforça sua aposta no caráter colaborativo das comunidades da web.

A ideia agora é incentivar o usuário a sugerir novos produtos e participar do desenvolvimento das ideias on-line do jornalão _afinal, aplicativos na rede não servem exatamente para o que achamos que eles servem, mas para o que os usuários dizem que serve.

Registre-se que a iniciativa do NYT (que há bastante tempo vem tomando medidas para reforçar a participação de seus usuários, especialmente no quesito mashups _criar formas de disponibilizar dados tornados públicos pelo próprio jornal) não é inédita: o Boston Globe tem um produto semelhante.

Pode ser apenas mais um doce no caldeirão da colaboração? Sim, mas é melhor do que nada.

WikiLeaks e Napster, um paralelo

O jornalista português Paulo Querido compara WikiLeaks e o Napster, uma provocação pertinente.

“A única forma de parar alguma coisa nela [a Internet] é desligá-la”, diz. É quase um mantra do sociólogo espanhol Manuel Castells.

O Paulo destaca ainda a “organização horizontal e reticular” da colaboração em massa na rede.

É exatamente isso que está mudando relações humanas e, possivelmente, a própria cabeça das pessoas. É essa a tal revolução de que tanto falam.

ATUALIZAÇÃO: Pedro Doria, em seu blog, também faz a mesma comparação.

O fim da fronteira entre mídia e audiência

Como 20 anos de comunicação digital acabaram com a fronteira entre mídia e audiência?

É o que repassa este texto, dividido em três partes e bastante completo.

Profissionais e amadores se juntam e criam novo produto jornalístico

Nasceu, no Canadá, uma nova iniciativa de cooperação jornalística pro-am (ou seja, entre profissionais e amadores). O OpenFile nasce com a proposta de “criar uma conversação vibrante e em constante evolução entre criadores, agregadores e leitores de notícias”.

O projeto bebe um pouco no Spot.us, sobre o qual já falamos longamente aqui. Basicamente, leitores sugerem pautas que, depois, são repassadas a freelancers.

Diferentemente de sua fonte de inspiração, que vive de contribuições do próprio público, o OpenFile será mantido via receita publicitária (aposta arrojada nos dias de hoje, onde nem mesmo veículos de marcas importantes conseguem se sustentar desta forma na web).

A ver.

Crowdsourcing e jornalismo de raiz em debate

Dan Gillmor aparece, num post de blog do Guardian, defendendo o crowdsourcing _outra novidade do jornalismo nos tempos da alta tecnologia.Para quem sabe, Gillmor é uma espécie de pai do “jornalismo de raiz”, ou seja, aquele que independe do jornalista profissional para acontecer.

O ponto do texto era debater dois aspectos do trabalho produzido pela ex-plateia, hoje também protagonista do processo de apuração/relato (e análise)/difusão de notícias: credibilidade do material e envolvimento do público DURANTE a confecção de uma reportagem, não depois, para que ele apenas bata palmas

“O mosaico será sempre verdadeiro, ainda que alguns pixels sejam falsos”, diz que Gillmor, que em 2004 preconizou o fenômeno do “uma imprensa para cada um” no livro “We, the Media“. Ele se refere, por exemplo, às inevitáveis fotos falsas que circulam durante episódios de grande comoção, como o terremoto do Haiti.

Paul Lewis, repórter do Guardian que envolve inteligentemente seus leitores em todas as suas matérias (conseguindo com isso dicas, ajuda e pistas importantes para incrementar suas reportagens), fala sobre o segundo ponto. Ele é um dos que ajudam a acabar com essa baboseira, que circula nas redações, que recorrer ao crowdsourcing é entregar o ouro para o bandido, ou seja, a concorrência.

“Pensa bem: quem é a concorrência? Você tem mais a ganhar do que a perder [recorrendo ao público e compartilhando informação com ele]”, diz. O custo para isso, porém, é bastante alto. É por isso que dá pena ver jornalistas profissionais adentrarem determinadas comunidades que jamais frequentaram, disparando perguntas que ajudem a resolver um problema (dele), normalmente a incapacidade em localizar possíveis entrevistados.

Isso é tão frequente como desastroso. O crowdsourcing terá mais qualidade e credibilidade em razão diretamente proporcional à maneira como o jornalista constrói sua rede de relacionamentos on-line.

É preciso trabalhar duro para ter uma comunidade de verdade e dedicada: oferecer bons serviços a ela, escutá-la, fazer reportagens que atendam seus interesses e provar que se está aberto à conversação é o mínimo. Sair pedindo ajuda a ilustres deconhecidos, em geral, só faz água.

É nesse ambiente que surge a boa colaboração entre público e jornalista.

Um projeto que poderia ser jornalístico, se nos importássemos com isso

A participação não é um paradigma da web, é uma realidade que o jornalismo ainda está aprendendo a conhecer. No geral, o usuário da internet é segregado quando o assunto é notícia _sua contribuição, no máximo, ocupa canais específicos de portais, sempre jogados num canto qualquer.

Fora do jornaismo, porém, a compreensão de que as pessoas devem dar as cartas e ser ouvidas está bem mais consolidada. O projeto Vote na Web é um exemplo que poderia perfeitamente estar dentro de um projeto jornalístico (e ajudar repórteres a compreender o pulso popular diante de iniciativas parlamentares).

No site, o internauta tem a possibilidade de dizer sim ou não a todos os projetos de lei que estão em tramitação no Congresso, além de acompanhar o comportamento de seus representantes nas casas legislativas. Um evidente instrumento de pressão, no mínimo.

De novo, uma iniciativa simples, mas que dá ao usuário da web (enfim, um cidadão) a exata medida de sua importância. Coisa que o jornalismo, com as bravas exceções, ainda parece não ter compreendido.

Até quando vamos tratar essas pessoas, nossos clientes, afinal, como se fossem passivos devoradores de notícias? Não está claro que as pessoas querem (e já estão, independentemente da gente) participar de processos?

Quem soube primeiro foi a Adriana Salles Gomes, cujo único defeito é ser são-paulina.

O dia em que o jornalismo cidadão foi notado

Nova York arrasada: foto do acervo do museu que lembra o maior acontecimento jornalístico de todos os tempos _e também o mais registrado por não jornalistas na história

Nova York arrasada: foto do acervo do museu que lembra o maior acontecimento jornalístico de todos os tempos _e também o mais registrado por não jornalistas da história

É consenso acadêmico que os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, mais especificamente os que tiveram o World Trade Center como alvo, são o evento mais registrado de todos os tempos. Foi o momento em que todos os olhos do mundo estavam voltados para aquelas duas torres glamourosas que, de repente, ruíram.

“Dizem que 11/9 foi o acontecimento mais registrado digitalmente em nossa história. E nós estamos convidando as pessoas a nos ajudar a contar essa história”, conta Alice Greenwald, diretora do museu que recordará a data _e que será inaugurado apenas em 2012.

Porém já está no ar, sob a chancela da curadoria do novo museu, um site provisório com centenas de registros dos ataques, num belo exemplo de convivência pro-am _material profissional e amador mesclado, jornalistas e testemunhas contando juntos um fato histórico que mudou a humanidade.

O museu tem um projeto, o Make History, que conclama os cidadãos a encaminhar registros que, seja por descuido, esquecimento, falta de iniciativa ou luto familiar, estejam depositados em algum cartão fotográfico ou disco rígido.

O material que já está no ar é muito bom e nos relembra, fortemente, o dia em que o jornalismo cidadão foi notado. É um momento decisivo para o que viria a acontecer ao próprio jornalismo nos anos seguintes.

A coleção tem registros não mostrados na televisão, como restos de corpos, uma poltrona de avião, fotos de família. Arrasador.

Mas um museu sempre quer mais relíquias.

Nada mais adequado que recorrer a quem melhor cobriu o fato _o cidadão, atônito diante do cataclisma.

A Wikipedia é cada vez menos colaborativa

(Ilustração: NYT)

(Ilustração: NYT)

É fato: aos 8 anos e entre os dez sites mais acessados da web, a Wikipedia é cada vez menos colaborativa e caminha para se fechar totalmente em copas, deixando para os odiados administradores a tarefa de editar verbetes _o que, na prática, já vinha ocorrendo com frequência.

Agora, o produto símbolo da web 2.0 (outra denominação odiosa e, pior, picareta e marketeira) decidiu restringir a edição de entradas sobre pessoas vivas.

Isso já vinha sendo discutido desde o início do ano e, a partir de hoje, será assunto na Wikimania, em Buenos Aires.

O gigantismo do site (só em inglês já são mais de 3 milhões de artigos _a versão em português caminha para o milhão) seria a justificativa para o zelo, mesmo contrariando o espírito aberto da iniciativa. A conclusão da Wikipedia é que hoje não faz mais sentido abraçar a cultura do caos, mas sim oferecer um produto maduro e organizado.

Pela proposta, só editores “experientes, ativos e com alta reputação” poderão chancelar mudanças nos verbetes das personalidades vivas.

Ou seja, é a consagração da percepção de que a Wikipedia, que um dia já foi de todo mundo, tem cada vez menos donos. Carlos d’Andrea, que tem estudado bem de perto o fenômeno, vê a mudança por outro ângulo.

Leia mais sobre a Wikipedia no Webmanario