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Ainda sobre a pobreza da participação do público no jornalismo formal

Cresce a manifestação da imprensa formal sobre a participação do público no noticiário, notadamente por meio de comentários (como observei outro dia).

E vai se estabelecendo o consenso de que ela (a participação do público) é muito ruim.

Agora foi a vez do decano Clóvis Rossi, repórter especial e colunista da Folha de S.Paulo, se referir ao “lado lixo da internet” em coluna publicada esta semana pela versão on-line do jornal.

A grande questão dos comentários é que eles não servem para absolutamente nada se não forem lidos e triados pela redação.

A opinião dos leitores não deveria apenas ajudar a melhorar as notícias escritas por profissionais, mas também trazer informações importantes sobre seus anseios e avaliação do material que o próprio veículo publica.

Para isso, seria necessário um pelotão. Só a Folha recebe 150 mil comentários mensais, número que saltou para 400 mil no período eleitoral.

É impossível e, na maioria dos casos, inútil tentar estabelecer qualquer diálogo.

Infelizmente.

Clóvis Rossi e Eugênio Bucci debatem o jornalismo

A convite da CBN, Clóvis Rossi e Eugênio Bucci debateram os destinos do jornal impresso (e, consequentemente, do jornalismo) no programa Notícia em Foco, que vai ao ar sempre às segundas, às 19h.

O tema foi a sustentabilidade do negócio jornal.

Bucci imagina um mundo em que as empresas jornalísticas serão sustentadas “pelo menos em parte” por seus leitores. Motivo: manter a independência do veículo (quer dizer então que até hoje ela nunca existiu de fato?). Rossi diz que uma mudança desse tipo levaria mais tempo do que os anos que ainda têm a viver _ele tem 66.

O tema nada mais é do que um desdobramento do micropagamento, a bobagem lançada nos últimos meses como um último apelo pela grande imprensa _especialmente a dos EUA e Europa, esta sim verdadeiramente ameaçada de extinção. Mais do que o micropagamento, a doação (ainda inviável, por questão cultural e burocrática, no Brasil).

Sobre a produção jornalística colaborativa on-line, o colunista e repórter especial da Folha de s.Paulo deu um exemplo bizarro. “Se um blog me recomendasse, digamos que no dia 14 de setembro do ano passado, que eu investisse em ações do Lehman Brothers, quem eu iria processar?” (a falência do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, é apontada como um dos estopins da crise financeira global).

Não entendi, porque eu tampouco teria respaldo jurídico para processar um jornalão que fizesse o mesmo.

Ou teria?

Bucci, professor de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e com um vasta experiência no mainstream como jornalista, bateu muito na tecla do financiamento público do jornalismo _pelo público, não pelo poder público.

Falou-se também do polêmico blog Fatos e Dados, com a qual a Petrobras decidiu vazar conteúdo de reportagens ainda em andamento. Seu pleno direito, diga-se de passagem. A argumentação, por sinal, é excelente.

Até o microblog, quem diria, foi parar na conversa. “O meu papel não é gritar que caiu um avião. É dizer porque caiu o avião”, encerrou Rossi. “Contando calmamente, no ouvido do leitor”.