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A transparência publicitária

Uma das peças publicitárias do Clarín falando para seus anunciantes

Uma das peças publicitárias do Clarín falando para seus anunciantes

Muito curiosa a campanha do Clarín, maior jornal argentino, voltada ao mercado publicitário.

Umas das peças você vê acima, as outras estão aqui.

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Jornal publica anúncio que sugere o assassinato de Obama

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

É nítido que a linguagem, em qualquer âmbito hoje, precisa ser bem mais informal e descontraída. Neste caso, trata-se de um veículo se comunicando com potenciais anunciantes.

Mas e com relação ao leitores, essa maneira de se mostrar serviria de alguma forma ao produto jornal? Digo essa transparência toda que exala na comunicação com possíveis clientes…

Resumindo: parece que os jornais são mais honestos com seus anunciantes do que com seus leitores.

Oito casos de convergência analisados bem de perto

Já saiu do forno o livro “Jornalismo Integrado: Convergência de Meios e Reorganização de Redações“, editado pela Universidade de Navarra.

A obra estuda em profundidade oito casos de jornais que optaram por integrar suas redações em papel e on-line. São eles: Daily Telegraph, Tampa News Center, Schibsted, O Estado de S.Paulo, The New York Times, Guardian, Clarín e Financial Times.

O estudo de cases é muito relevante neste momento, em que diversos outros veículos estão optando pela fusão de conteúdos para, enfim, atingir a tão sonhada convergência (quando todo o trabalho jornalístico é pensado em várias dimensões e plataformas).

Como aperitivo, o capítulo sobre o Daily Telegraph, considerado modelo mundial no tema.

ATUALIZAÇÃO: Minha amiga Ana Estela, aí embaixo, nos comentários, faz uma observação bem importante: “Era bom ressalvar que o livro é francamente integracionista e que tem gente ali no meio que vende consultoria para quem quer fazer Redações integradas… Ou não?”

Sim, completamente. Salaverría, por exemplo, viaja o mundo vendendo um modelo que não foi ele quem criou. Tem sido assim com alguns outros personagens de Navarra: ocuparam bastante espaço, mas com um discurso difuso e que, muitas vezes, assemelha-se a autoajuda.

Juntar as redações vale a pena?

Um trabalho de fôlego bastante elucidativo. É assim o “Documental Multimedia Redacciones Online“, que passeia por seis veículos de Argentina e Espanha (ABC, Clarín, Critica, Cronista, El Pais, El Mundo e Perfil) para relatar suas experiências de integração papel e on-line e convergência entre plataformas.

Nem é preciso dizer que, pela importância dos veículos visitados (Clarín e El Pais, por exemplo, são provavelmente os dois cases mais bem-sucedidos de fusão de conteúdos), o site é um achado.

Traz, em vídeos, entrevistas de jornalistas, histórico das experiências, fotos para exibir a logistica das redações…

Enfim, ajuda a elucidar um pouco essa dúvida que atormenta os jornais mundiais: afinal de contas, vale a pena juntar suas redações?

Via e-cuaderno.

Eles são presos, mas estão soltos…

A polêmica (e engraçada) manchete do jornal argentino Clarin

A polêmica (e engraçada) manchete do jornal argentino Clarín

Esta manchete da edição de domingo do jornal argentino Clarín (diga-se de passagem, em geral excelente e combativo) está bombando na blogosfera. Todo mundo rindo. Rigor excessivo?

Bem, se 14 mil pessoas que deveriam estar presas estão em liberdade condicional, então não estão presas, mas soltas.

Agora, dá para entender perfeitamente a mensagem que a reportagem queria transmitir, não? Mas é a tal história: no jornalismo, as palavras têm de ser escolhidas com exatidão. O subentendido nunca vale para nós. Afinal, a edição de um jornal não acompanha, grátis, o autor da matéria para explicar o que ele queria dizer…

Clarín põe dupla para bater perna nos EUA

Mais de uma vez, ao falar sobre o gênero reportagem, constatamos que ele está em decadência porque exige gente, tempo e, principalmente, dinheiro _tudo o que falta hoje às combalidas empresas de comunicação.

Pois o diário Clarín, de Buenos Aires (minha atual parada nessa turnê sul-americana), resolveu investir em grande estilo ao mandar repórter e fotógrafo bater perna em diversos Estados norte-americanos para sentir o pulso do eleitor até o pleito legislativo (são os congressistas quem elegem o presidente) de 7 de novembro.

Ricardo Kirschbaum, editor geral do periódico portenho, me disse que é uma empreitada que não custa menos de US$ 2 mil diários. Ao todo, o diário vai gastar pelo menos US$ 70 mil para oferecer aos seus leitores material exclusivo e de grande interesse.

Na edição desta sexta-feira, a equipe visita o Missouri e constata que, ali, começa a se sentir com mais força a influência do republicano John McCain.

O trabalho não se esgota em papel. Na versão on-line do Clarín (referência mundial por seu design avançado e claro _questiono apenas o uso da ordem cronológica inversa na home, o que é catastrófico do ponto de vista de hierarquização da notícia) há ainda vídeos e áudios sobre a odisséia.

Repórter e fotógrafa registram seus passos em vídeos e dão um sabor ainda mais especial ao trabalho.

No Brasil, quando você pede a um repórter para gravar vídeos, ele normalmente diz que está sendo explorado e que acumula funções. Nada mais equivocado.

Ah, outra mostra de que o Clarín entendeu perfeitamente o que aconteceu com o negócio jornal depois do advento da Internet: sua edição impressa encontra-se liberada, todos os dias a partir de 2h, no site do jornal. É o mínimo.

Pinochet, um atentado, e o carregador de microfone

Nada melhor do que se despedir do Chile com o histórico vídeo no qual o general Augusto Pinochet, sem ser interrompido nem questionado pelo repórter da televisão estatal TVN (um mero carregador de microfone), dá a sua versão para o atentado frustrado que sofreu em 7 de setembro de 1986 (mais uma coincidência com uma efeméride brasileira).

O desempenho do jornalista (??) é o melhor exemplo do que eu convencionei chamar de “cachorro com um gravador pendurado no pescoço”. Chega a ser constrangedor. E foi. Imagine as pressões para a tomada do depoimento.

Por ocasião dos 20 anos do atentado (que teve represálias trágicas, como a execução de um jornalista de esquerda horas depois do crime), o El Mercurio de Santiago concebeu uma belíssima infografia animada, com áudio e vídeo, que até hoje serve perfeitamente de exemplo para o que queremos dizer quando falamos em infografia na plataforma on-line.

Do Pacífico, agora rumo ao rio da Prata, louco para falar das agruras de Cristina K e do jornalismo dos hermanos. Por sinal, eles estão muito de olho na gente: reportagem de hoje do Clarín comenta sobre cinco aspectoa da vulnerabilidade argentina com relação à “derrocada” do Brasil na crise econômica.

O texto encerra com uma observação curiosa sobre a “balança comercial turística” entre os dois países (“veranear no Brasil já custou o dobro do que fazê-lo na Argentina” _afinal, R$ 1,60 e 3,20 pesos equivaliam a US$ 1). Ainda assim, conclui a reportagem, “é bom comprar agora os reais para suas próximas férias”, uma aposta clara na acomodação do valor da moeda americana passada a turbulência.

A ver. E ao vivo.

Em tempo: o sobrenome Pinochet não foi varrido da política chilena. A filha do general, Lucia Pinochet Hiriart, é candidata a vereadora pela comuna santiaguenha de Vitacura;