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Um panorama devastador para a mídia impressa

Os números mais recentes do IVC, o instituto que audita a circulação dos jornais brasileiros, são devastadores para essa mídia. Está tudo vermelho na passada de régua do primeiro semestre.

Líder no segmento com 320.428 exemplares diários de média (182.046 impressos), a Folha de S.Paulo experimentou uma queda de 12,2% – 14% na operação digital.

O Globo, agora, com 312.683, figura na segunda posição, seguido do popular mineiro Supernotícia (299.415). Só então aparece o quatrocentão O Estado de S.Paulo (229.180, destes 152.787 em papel).

Todos os jornalões perderam leitores nas versões digitais – nesse quesito, Supernotícia (17,5%), Zero Hora (33%), Correio Braziliense (110%, mas claramente a base era bem menor), Valor (9%), Gazeta do Povo (230%, idem ao CB) e A Tarde (8%) puseram mais gente pra dentro nos serviços on-line.

E vida (dura) que segue.

E agora, Buffet?

Depois de comprar 28 jornais nos últimos 15 meses nos Estados Unidos, o multimilionário Warren Buffet, em carta aos acionistas de sua empresa, diz que continuará a fazê-lo mesmo admitindo que “a circulação, faturamento publicitário e lucro do setor jornalístico como um todo estão destinados a cair”.

À parte o romântico “eu amo jornais” no texto, Buffet apresenta os reais motivos de seu investimento: a aposta na mídia regional, o bom e velho conceito hiperlocal que, dizemos há anos, parece ser de fato a saída mais interessante para um produto que perdeu a primazia de ser o arauto do noticiário.

“Se você deseja saber o que está acontecendo em sua cidade – notícias sobre o prefeito, impostos locais ou o resultado do time de futebol americano da escola secundária -, não há substituto para um jornal local que esteja fazendo bem o seu trabalho. Um leitor pode facilmente se entediar depois de ler dois parágrafos sobre as tarifas canadenses ou os desdobramentos políticos no Paquistão, mas uma reportagem que fale sobre ele e seus vizinhos será lida até o fim”, pontua a carta.

Porém Buffet não menciona um aspecto crucial (e óbvio) para se fazer “bem o seu trabalho” em jornalismo hiperlocal: é preciso jornalistas. Não há agências de notícias ou sites na internet cobrindo o time de várzea de seu bairro e oferecendo material pronto para republicação a respeito da quitanda da esquina.

Portanto, diferentemente do mau jornalismo de caráter nacional (onde cabeças são cortadas impiedosamente, e as redações se desidratam dia após dia), para apostar no hiperlocal é preciso contratar repórteres e editores.

Buffet irá na contramão do mercado?

 

Circulação de revistas cai quase 5% no Brasil

O meio revista no Brasil não teve um bom 2012: a circulação dessas publicações caiu 4,6% no ano passado no Brasil.

Para o IVC, o número não representa a realidade, pois faltam dados das edições digitais que nem todas empresas repassaram.

A conferir.

Circulação de jornais impressos aumenta – graças ao digital…

Não valeu: a ANJ anunciou com pompa que a circulação dos jornais brasileiros cresceu 1,8% em 2012.

Estaria tudo ótimo se dentro desse número não tivessem sido incluídas as edições digitais – que, juntas, representaram 3,2% dessa mesma circulação total.

Ou seja: a entidade patronal está recorrendo a uma maquiagem para dourar a pílula do jornalismo impresso.

Banda larga residencial, uma ameaça aos jornais impressos

E atenção: turbinada pelo governo Dilma Rousseff, a penetração de banda larga residencial chegou a 40% dos domicílios do país.

Isso significa que ultrapassamos com sobras o cabalístico número de Alan Mutter, que relacionou a queda inexorável da circulação de jornais a uma penetração de banda larga superior a 30%.

Interessante lembrar que Dilma começou seu governo com 27% dos brasileiros dispondo do serviço.

Mas e então, será que agora sim nossos jornais estão fadados aos caixão? Muita calma nessa hora: o que o estudo de Mutter certamente não levou em consideração – por óbvio que deveria ser – é a velocidade da banda.

A nossa, é certo e sabido, muitas vezes oferece tanto ou menos que a boa e velha conexão discada, por mais incrível que possa parecer. Logo, aqui cabe observar o cenário dos próximos meses.

Impresso e digital, numa única cumbuca

Faz sentido: já há algumas semanas a Folha de S.Paulo acrescentou à circulação diária que aparece na primeira página do jornal a quantidade de edições digitais baixadas por assinantes. São cerca de 300 mil exemplares em papel, mais quase 30 mil nas versões web e tablet, segundo dados divulgados em fevereiro (e relativos a 2011).

A prática está prevista pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação) e já vem sendo adotada por outros veículos – talvez apenas com menor publicidade.

O modelo de “paywall poroso”, no qual o usuário tem acesso limitado a textos (ou seja, trata-se de um paredão de conteúdo pago com alguma flexibilidade), ao que parece está dando bons resultados.

Mas a venda de edições digitais em tablets, mais ainda, o “truque” de somar essas vendas ao impresso, foi responsável pelo crescimento das vendas dos jornais nos EUA.

Nova classe média impulsiona venda de jornais no Brasil

Mais uma vez o bordão “é a nova classe média” serve de explicação, agora para o satisfatório resultado dos jornais impressos brasileiros, que em 2011 registraram um consumo 3,5% superior ao de 2012.

O detalhe aí é que foi a venda de jornais populares (os que custam menos de R$ 2) o que garantiu o fechamento (e num belíssimo azul, dadas as circunstâncias) positivo da mídia impressa.

Sabíamos, e faz tempo, que a ameaça ao jornalismo em papel (realidade na Europa e nos Estados Unidos) ainda está longe de acossar nações emergentes como a nossa.

Dados como os revelados agora mostram exatamente o ponto.

 

A circulação de jornais nos EUA

Pela ordem, Wall Street Journal (de longe), USA Today e New York Times são os jornais que ostentam as maiores circulações nos Estados Unidos, segundo dados recentemente divulgados.

A luta do USA Today pela sobrevivência

Ele já foi o jornal que emulou a linguagem televisiva (fator para seu sucesso nos anos 80 e 90), mas hoje amarga uma queda de circulação de 30% e está tentando se reinventar para sobreviver.

Outro dado impressionante: a publicação tem hoje metade das páginas publicitárias que tinha em 2005.

Saiba mais sobre a luta do USA Today (hoje o segundo jornal de maior circulação nos EUA) pela sobrevivência no relato da vibrante Esther Vargas em seu Clases de Periodismo.

Folha e Super Notícia encabeçam vendas

Saiu o IVC de novembro, com Folha (311,4 mil exemplares em média), Super Notícia (311,1 mil) e O Globo (282,1 mil) nas primeiras posições.

Mais informações na própria Folha, para assinantes.