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O fracasso da saga Star Wars

Em agosto de 1980, quando a internet ainda engatinhava e era coisa de falcões e universidades de elite nos EUA, uma crítica de cinema publicada pela revista Manchete (então uma das mais importantes do Brasil, com tiragens próximas a 500 mil exemplares) anunciava ao mundo que a saga Star Wars não teria pique para “emplacar o século 21” como anunciara seu produtor, George Lucas.

A opinião que faria José Haroldo Pereira entrar para a história como péssimo crítico, na verdade, não deveria estar contida na crítica – mais que um juizo de valor, trata-se de uma tentativa de premonição, de adivinhação que não cabe numa análise. É a clássica opinião de bar.

Não é, portanto, uma exclusividade da internet e das redes sociais.

manchete

 

Ação de marketing ressuscita o Notícias Populares

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Pra quem não viu: uma ação de marketing do lançamento do filme Faroeste Cabloco ressuscitou, ainda que por um dia, o Notícias Populares, o jornal que falava com o povão mas era editado pela elite – vários dos jornalistas de maior protagonismo na publicação eram oriundos da USP, mais especificamente da ECA, a Escola de Comunicações e Artes da principal instituição de ensino superior do país.

O NP (aquele que vertia sangue se fosse amassado) circulou em São Paulo entre 1963 e 2001, quando o Grupo Folha decidiu descontinuar o título.

Até hoje, porém, é cultuado por toda uma geração de jornalistas que teve ali seu primeiro contato com a profissão – vários atualmente têm postos importantes em grandes corporações.

Jamais incensei ou coloquei o NP num pedestal simplesmente por não conceber graduações de sensacionalismo.

Não é porque garotões bem nascidos e criados fizeram do jornal seu parque de diversões de experimentalismos no esgoto da imprensa que, de alguma forma, a publicação mereça um salvo-conduto.

Por sinal, a cobertura do caso da Escola Base, um momento que proporcionou diversão épica para a garotada que brincava de fazer jornalismo e que gostava de se masturbar mentalmente com as manchetes que criava muitas vezes escoradas em gírias cantadas pelos contínuos , foi um passo decisivo para fechar o caixão do jornal. Que descanse em paz.

Saiu a nova edição da revista Fronteiras

Há alguns vícios, como o uso de “camponês” no artigo “A influência da televisão no desenvolvimento regional da zona rural no município de Palmas (TO)”.

Mas um novo número da revista Fronteiras (publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos-RS) já está no ar.

É sempre uma boa leitura.

Um filmaço a serviço do mal

Triumph des Willens é obra de Leni Riefenstahl, a cineasta do nazismo. Uma ótima cabeça que acabou cooptada, uma pena.

Mostra um congresso do Partido Nacional Socialista (cuja corruptela levou a Nazista) em 1935, um ano depois de Hitler assumir, quatro anos antes da Grande Guerra.

Está tudo ali, a intenção dos caras é clara.

Mas olhar essa fotografia hoje, a trilha grandiosa, o charme do P&B… filmaço.

O Facebook merece um romance ou um documentário?

O Oscar não é a diferença mais marcante entre “Bilionários por Acaso”, de Ben Mezrich, e “O Efeito Facebook”, de David Kirkpatrick _transposta para o cinema, a obra de Kirkpatrick poderia concorrer à estatueta na categoria documentário.

Os dois livros que dissecam o fenômeno têm um distanciamento de origem. No primeiro, Mezrich assume escrever um romance (nas primeiras páginas, o autor admite recriar “diálogos e situações”).

No segundo, Kirkpatrick amassa barro e vai atrás das figuras que construíram esse negócio bem-sucedido.

Entre a ficção e a reportagem, o cinema escolheu o primeiro. Faz muito bem: a lenda é sempre mais eletrizante do que a realidade.

(mais em podcast na Folha.com)

Henry Jenkins fala

Uma entrevista do professor Henry Jenkins a Vinicius Navarro (PDF em inglês com versão em português) vale o esforço, aproveitando que vem mais feriado por aí.

Fala-se, claro, de convergência, mas de narrativas transmidiáticas, iniciativas pedagógicas, cinema, direitos autorais, participação e cultura de massa.

Os computadores e o cinema

Como cinema representou interfaces gráficas da computação (e sua evolução)?

É a proposta deste site.

Leituras de domingo

#ficaadica: A revista Fronteiras-Estudos Midiáticos, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos (RS).

Coisas bacanas e boas discussões.

Filme de 1982 sugere ‘inovações’ ao jornalismo de hoje

Koyaanisqatsi, filme de 1982, é uma lição de colagem de imagens e edição de trilha sonora.

Muita coisa a se aproveitar no jornalismo, mas especialmente a câmera fixa, conceito antigo que consiste em monitorar por várias horas determinado lugar com a intenção de exibir transformações.

Insisto nisso como algo supermoderno.

O resgate do avião que pousou no rio Hudson

Lembra do avião da US Airways que há um ano fez um pouso forçado no rio Hudson, em Nova York? Pois é, surgiu um vídeo bacana, no modo ultravelocidade, que mostra todos os detalhes da trabalhosa operação para retirar a aeronave da água _foi trabalho para três dias, balsas e guindastes imensos, muita gente envolvida na operação.

O formato em si não é novo (o cinema e a televisão já tinham recorrido há décadas ao fastforward para mostrar, em bem menos tempos, evoluções como o brotar de uma flor), mas anda meio esquecido no jornalismo.

Poderia ser usado, por exemplo, com um câmera que monitorasse um local sabidamente vulnerável a enchentes, e editado de modo a mostrar as águas chegando, tomando conta e, depois, partindo.

Um comentário: acho que é o típico formato que exige data e hora em algum canto da tela para posicionar muito bem o usuário sobre a cronologia do incidente.

Bem bacana e, de novo, simples e antigo.