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China: a história em imagens

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Na China, ainda hoje o trabalho jornalístico segue regras rígidas e impostas pelo governo. Imagine na Revolução Cultural (1966-1976), período em que Mao Tse-tung tentou riscar do mapa qualquer arremedo capitalista no país a custa de perseguição política e muitas mortes.

O fotógrafo Li Zhensheng olhava (e clicava) para onde era proibido, e assim construiu um acervo de imagens surpreendentes sobre aquele período tão sombrio quanto único.

Sua coleção de negativos é história pura. E ele próprio, um ótimo contador de histórias.

China é a nova pátria dos jornais impressos

jornais

Com uma tiragem total de 114,5 milhões de exemplares diários, a China ultrapassou a Índia e é, hoje, o principal mercado mundial dos jornais impressos. Note, no gráfico, que em quatro anos a circulação desses veículos no Brasil caiu residuais 3%.

Brasil na ponta do crescimento da indústria da mídia

Estudo da consultoria PwC mostra que Brasil e China capitanearão o crescimento das áreas de mídia e entretenimento nos próximos cinco anos, com uma estimativa respectiva de incremento anual de 11,4% e 11,6%.

Definitivamente, somos o país do futuro.

Censura política na Rússia, quem diria, parece a do Brasil

Muito interessante texto de Evgeny Morozov, originalmente publicado pelo NYT e que o Estadão replicou ontem.

Nele, conta como o Kremlin atua na censura a opositores políticos.

“Exércitos de internautas pró-governo encarregam-se da tarefa e atacam sites opositores. Os ataques são apenas um dos vários modos pelos quais o Kremlin controla o conteúdo da rede. Muitos dos provedores do país pertencem a oligarcas amigos e empresas controladas pelo governo, que não hesitam em suspender usuários e blogs independentes”, conta Morozov.

Não difere muito da estratégia brasileira, onde o governo paga um pelotão de barnabés e ex-jornalistas para caluniar, mentir e dourar a pílula sobre seus feitos.

A China e seu megafirewall associado a 150 mil censores que fazem o trabalho na unha, positivamente, estão na pré-história.

Inócua, ciberperseguição ao WikiLeaks revela ignorância do poder

A ciberperseguição a Julian Assange e seu WikiLeaks chega a ser tão perturbadora quanto reveladora ao escancarar que os governos realmente não compreenderam a internet e a completa inutilidade de tentar controlá-la.

É quase o mesmo efeito dos próprios papéis diplomáticos que o site se propôs a vazar, que apenas confirmam o que já se imaginava sobre o funcionamento da diplomacia internacional.

A disputa de gato e rato entre Assange e aqueles que querem o seu pescoço só traz à tona o que já desconfiávamos havia bastante tempo.

Quando o sociólogo espanhol Manuel Castells, provavelmente o maior pensador contemporâneo da vida em rede, afirmou que os governos têm medo da internet porque não possuem controle sobre ela, acrescentou que a tentativa de fiscalização sempre estará entre as prioridades do poder político.

Basta lembrar da China, que mais do que um poderoso (porém sempre contornável) firewall que tenta impedir o acesso a páginas específicas, tem um verdadeiro batalhão de barnabés para pescar palavras-chave e censurar, o quanto antes, manifestações indesejáveis.

Em vão: a rede é um mundo composto de múltiplas vozes e alternativas onde não há patrão ou mandachuva.

No caso do WikiLeaks, é ainda mais risível a tentativa de expulsá-lo da rede.

Ora, a partir do momento em que a ONG fez parcerias com grandes grupos da mídia tradicional para dar mais repercussão e credibilidade aos papéis que conseguiu com exclusividade, sua própria presença na internet, como um site devidamente estabelecido numa URL, deixou de ser necessária.

Além disso, como já está acontecendo, basta Assange estalar os dedos para que um número incontável de pessoas se disponha a abrigar o conteúdo que tanto desconforto tem provocado no meio político e diplomático.

Para quem acha que a internet não tem regras, eis uma delas: não mexa com comunidades conectadas, porque você irá perder.

Experimente tentar tirar do ar uma página hospedada no Uzbequistão, por exemplo. É melhor esquecer.

Sites-espelho, aqueles que meramente reproduzem conteúdo, existem desde o começo da web _e não vão acabar por um decreto de um governo poderoso qualquer.

É outra certeza que o Cablegate deu ao mundo: a ignorância do poder quando o tema é a vida em rede. Coisa que a gente já desconfiava, não é mesmo?

(O texto acima, de minha lavra, foi publicado na edição de ontem do jornal Folha de S.Paulo)

Briefing do Google em Davos: um pouco de tudo

Passei batido pelo briefing que o Google fez na semana passada em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, com alguns poucos que cobrem mídia e tecnologia. Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York e que escreveu um livro sobre a empresa, estava lá.

Pela companhia, foram o CEO, Eric Schmidt, o presidente de vendas, Nikesh Arora, a gerente de busca, Marissa Mayer, o fundador do YouTube Chad Hurley e o consultor David Drummond.

Eles revelaram coisas bacanas sobre os planos da empresa para dar maior transparência ao AdSense, China (nada assertivo, mas indicativo de que caminha-se para o fim da operação local), reputação, inovação, dispostivos móveis e a economia (“A recessão já ficou bem para trás”, disse Schmidt).

Isso você lê lá no relato do Jarvis (ou no de Alan Rusbridger, do Guardian).

Eu fiquei especialmente interessado no trecho da conversa que tratou da relação com os jornais. E o Google verdadeiramente parece muito disposto a ajudá-los a sobreviver na crise e ganhar dinheiro, mas com uma condição: “Nós dependemos de conteúdo de alta qualidade”, disse o CEO.

A ideia é meio óbvia: aumentar o interesse por notícias e, com mais gente mais tempo on-line, ampliar os ingressos de publicidade. Para isso, os publishers “precisam levar as notícias à soleira digital da porta da casa dos usuários”, nas palavras de Marissa.

Com muitos jornais ainda enxergando o Google como um predador, esses planos parecem utopia.

World Press Photo disponibiliza arquivo de 54 anos

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O World Press Photo disponibilizou on-line, enfim, seu arquivo histórico de 10 mil imagens, entre elas as fotos vencedoras do maior prêmio mundial para fotojornalistas.

São registros desde 1955, e muitos deles se tornaram ícones de toda uma geração, como a imagem acima, de Charlie Cole, que marcou o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989.

A verdadeira muralha da China

Direto de Pequim, a jornalista Janaína Silveira desafiou a blitzkrieg do governo chinês à internet. “Hoje, não temos aqui Youtube, Blogger, WordPress, Google Reader, Twitter, Flickr, Ning, o recém-saído do forno Bing, sei lá o que mais”, conta.

O massacre da Praça da Paz Celestial fará dois anos amanhã, e o regime quer se prevenir banindo os sites que melhor espalham as novidades _aliás, a BBC fez um ótimo media criticism sobre a cobertura dos eventos que moldaram muito a visão posterior do mundo sobre a China.

Leia mais notícias sobre a internet e os 20 anos do massacre de Tiananmen

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

É um aspecto tão nefasto quanto as ameaças da Arábia Saudita à liberdade do trabalho de repórteres, que abordei ontem.

Repórter cidadão relata, via Twitter, sua prisão na China

Terra da Olimpíada, a China segue torta no que diz respeito às liberdades individuais. Não bastasse a repressão de sua ditadura aos visitantes durante a competição esportiva (já foram 12 os estrangeiros deportados apenas nas duas últimas semanas), o pau continua comendo lá dentro.

O repórter cidadão Zhou “Zuola” Shuguang foi detido “para averiguação” nesta semana, e relatou toda a operação por meio de seu celular diretamente no microblog, como conta interessante reportagem da Global Voices.

Tenho imensa curiosidade de saber como o governo chinês pensa que vai controlar o avanço tecnológico na difusão/apuração de notícias…

O conteúdo feito pelo usuário que os chineses gostam

Não há democracia na China, isso é fato.

E é engraçado como os meios de comunicação conseguem provar isso de forma cabal.

Quando o executivo Wei Wenhua foi brutalmente espancado e morto após filmar um confronto entre policiais e pessoas que protestavam contra a legalização de um depósito de lixo, a imprensa local passou batida. Nas horas vagas, Wei era blogueiro e “jornalista cidadão”, mas sua atividade era considerada “nociva” ao país.

Pois bem: hoje o “Diário do Povo”, jornal oficial do país, conta a história do estudante Zhang Qi, que após o terremoto de 12 de maio postou na Web informações sobre uma área próxima a sua casa que poderia servir como heliponto para as equipes de resgate, já que as estradas que levavam à região de Wenchuan tinham sido todas destruídas _é aquela história de as redes sociais funcionarem na hora da desgraça.

O jornal diz que Zhang é o exemplo de como a Internet pode ser usada para a disseminação de informação e informa que o país, com seus 1,3 bilhão de habitantes, possui 221 milhões de usuários ativos na rede.