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Histórias de fotógrafos

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O Chicago Sun-Times demitiu toda sua editoria de fotografia, mas existe um belo registro das imagens registradas por esses profissionais em 60 anos de história do jornal.

Um raro protesto de jornalistas na redação

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A demissão de toda a editoria de fotografia do Chicago Sun-Times, na semana passada, provocou uma cena rara no meio jornalístico: um piquete na frente da redação, ontem.

A intenção dos 27 demitidos – e de vários de seus ex-colegas de redação que participaram da manifestação – é fazer com que o jornal volte à mesa de negociação para discutir uma medida menos drástica do que a extinção da editoria.

A partir de agora, frilas e repórteres (que estão recebendo treinamento para saber usar o iPhone além das relações pessoais) serão os responsáveis pelas imagens do jornal.

Nem é preciso lembrar aqui o caminho de anos e anos, percorrido por mim, falando sobre as novas exigências do jornalismo (a multitarefa entre elas) e, mais, sobre a importância dos dispositivos móveis para o registro de fatos.

Sempre critiquei a indisposição (de empresas e de jornalistas) com relação à mídia das pessoas, normalmente lembradas apenas num momento de tragédia não registrada por profissionais – aí sim, seu papel se transforma em coisa valiosa. Não pode ser só na desgraça.

Também dediquei linhas e mais linhas a repórteres que alegavam inaptidão para a fotografia mas que, ao mesmo tempo, exibiam páginas pessoais forradas de todo tipo de registro desimportante de seu cotidiano.

Interessante mencionar, agora, a experiência do Diário do Guarulhos, onde fotógrafos (afinal, repórteres) receberam treinamento para escrever matérias, e vice-versa. Voltarei com mais dedicação ao assunto.

Finalmente: o trabalho jornalístico não pertence a uma casta de abençoados. Nessa controversa decisão do Sun-Times, minha única discordância imediata é com relação ao cartaz da foto acima, exibido no protesto. O passo que a provocou, aparentemente, tem tudo para ser um tiro no pé – mas carece de tempo para que se possa cravar tal condenação.

“O jornal é um blog que deixa tinta nas suas mãos”

Presidente da Newspaper Association of America (NAA), John Sturm submeteu-se ao constrangimento de participar do humorístico de TV The Colbert Report, que mimetiza a linguagem dos telejornais para fazer piada.

Nos Estados Unidos, a situação dos jornais impressos não tem graça nenhuma. Após fechamentos de veículos em Denver e Seattle, nesta semana o Chicago Sun-Times (há anos capengando) quebrou de vez e agora tenta a recuperação judicial.

As declarações de Sturm ao comediante retratam exatamente o momento do jornal impresso nos EUA (e também na Europa). A claque ri do que deveria chorar. O presidente de NAA cita, com cara triste, que os jornais americanos têm milhões de visitantes on-line, e não cobram nada pelo conteúdo.

“Existe muita informação de graça”, diz Sturm. Sim, é o tal do compartilhamento. Não adianta se fechar em copas: seu conteúdo será distribuído por admiradores, não por piratas. Não tem jeito.

O final do vídeo, uma brincadeira de criança entre humorista e entrevistado, chega a corar Sturm. E quem vê.

É toda uma caricatura do fim de uma era.

ATUALIZAÇÃO: Ontem, no mesmo programa, foi a vez de Biz Stone ironizar/ser ironizado. A diferença é que ela comanda um empreendimento bem sucedido (o Twitter). Então, as piadas são sempre mais engraçadas.