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A censura nos trending topics

De novo, a caixa-preta de alguns serviços cheios de buzz incomoda quem está preocupado com mais do que espuma na internet.

Em 2010 eu já falava sobre estranhos filtros e desconfiança de censura específica do Twitter a seus trending topics – algo jamais explicado como deveria.

Agora, é o movimento #Ocuppy que está se sentindo excluído pela ferramenta.

Não custa relembrar meu velho mantra: os sites de rede social pedem o tempo todo que seus usuários sejam transparentes, condição que eles, seguramente, serão os últimos a adotar.

O sucesso da autorregulamentação da mídia na Escandinávia

Num país em que se pretende utilizar a regulamentação da mídia como clara forma de censura (o tal “controle social” nada mais é do que garantir que a agenda do governo seja contemplada pelos meios de comunicação), é até ridículo tratar do case de sucesso da Escandinávia, onde a autorregulamentação, bem-feita, venceu.

É o que mostra interessante raio-x do Columbia Journalism Review sobre os conselhos expressos de mídia, modelo existente em Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia.

Lá, as reclamações do público são deliberadas de forma expressa por grupos independentes cujas decisões são, via de regra, acatadas de imediato.

África do Sul torna crime jornalismo investigativo

Reproduzo matéria publicada ontem pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Preocupante, mas distante do tal “controle social da mídia” que, sabiamente, a presidente Dilma Rousseff engavetou em nosso país.

“O Parlamento da África do Sul deixou de lado objeções de líderes históricos da luta contra o apartheid e aprovou ontem, com maioria esmagadora, uma nova lei de sigilo que, segundo críticos, foi elaborada para proteger a elite corrupta do país do jornalismo investigativo. A nova legislação determina, por exemplo, pena de até 25 anos de prisão aos responsáveis pela publicação de informações de Estado consideradas sigilosas.

O partido governista Congresso Nacional Africano (CNA) usou sua maioria para garantir a aprovação por 229 votos a favor e 107 contra. Opositores da Lei de Proteção da Informação afirmaram que tentarão derrubá-la na Corte Constitucional, assim que o presidente Jacob Zuma sancionar o texto, como é esperado.

O críticos da nova lei, entre eles Nelson Mandela e o arcebispo Desmond Tutu, batizaram a sessão parlamentar de ontem de “terça-feira das trevas”, em alusão a uma lei similar contra a liberdade de imprensa aprovada nos anos 70, sob o apartheid.

Tutu, que recebeu o Nobel da Paz em 1984 por seu papel decisivo na luta contra a segregação racial, afirmou que, para os sul-africanos, “é vergonhoso pedir que aceitem uma lei que pode ser usada para tornar ilegais as denúncias e o jornalismo investigativo”.

O pacote de censura que os EUA preparam para a internet

A Stop Online Piracy Act (ou simplesmente Sopa) está sendo discutida no congresso americano.

Na prática, a lei pode significar que sites bastante usados por todos nós, como Facebook e Twitter, correm risco real de serem bloqueados por que algum usuário distribuiu conteúdo ilegal.

O gráfico abaixo detalha o projeto.

Estudo sobre o fantasma da censura no rádio

Interessante trabalho multimídia concebido para exibir o levantamento patrocinado pela Fundação para a Liberdade de Imprensa (Flip) sobre a censura ao meio rádio na Colômbia.

Entre os assuntos abordados no competente material, um que permeia o trabalho jornalístico radiofônico desde sua invenção: a incompatibilidade entre isenção jornalística e a pauta publicitária.

Neste caso, os pesquisadores centraram foco na pressão oficial: como dono das concessões e potencial anunciante, o governo federal exerce uma pressão sem precedentes sobre os radialistas colombianos.

Não é uma realidade muito diferente da que assistimos no Brasil, onde emissoras têm recebido tratamento preferencial do governo, conquistando entrevistas exclusivas com a presidente Dilma Rousseff _desde que assuntos espinhosos, claro, não sejam tratados nas conversas.

O estado da internet, em infográfico animado


Muito bom o gráfico animado com o estado da internet global em quatro aspectos (censura, redes sociais, qualidade e conexões).

Obama leva internet na maleta a países que censuram a rede

Uma das iniciativas menos conhecidas, mas não menos importante, do governo Barack Obama está dentro de uma mala com aparência inofensiva.

O projeto “internet na maleta” está levando a países onde o acesso à web é censurado a possibilidade de criar uma minirrede com vasto potencial de acesso sem fio.

“Há uma oportunidade histórica de promover uma mudança positiva. Uma mudança que os EUA apoiam”, afirma Hillary Clinton, a secretária de Estado de Obama, que investiu por ora cerca de US$ 2 milhões no projeto.

O álbum branco do jornalismo


Imperdoável a omissão deste site com relação à situação representada acima: a edição do argentino Clarín de 28 de março, um dia depois de um protesto sindical que impediu a circulação do mais tradicional jornal argentino (e um dos melhores e mais legais do mundo, em papel e na web).

São capas para a história _longe de serem inéditas, registre-se.

O mundo merece melhores jornalistas, é verdade. Mas governantes e sindicalistas democráticos são necessários também.

Crescem censura e pressão oficial contra jornalistas

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas divulgou ontem o relatório “Ataques à Imprensa em 2010”, com um panorama bastante completo sobre as pressões que sofremos no exercício profissional na América Latina.

De acordo com Carlos Lauría, coordenador do estudo, o problema brasileiro é a censura judicial, enquanto a pressão do Estado se manifesta de forma mais clara na Venezuela, e as ameaças do crime organizado, no México.

Uma situação que, infelizmente, tende a piorar com o passar dos anos.

Ao menos, com a democratização proporcionada pela web, há mais gente difundindo notícias e contrariando os interesses de governos e quadrilhas.

Censura política na Rússia, quem diria, parece a do Brasil

Muito interessante texto de Evgeny Morozov, originalmente publicado pelo NYT e que o Estadão replicou ontem.

Nele, conta como o Kremlin atua na censura a opositores políticos.

“Exércitos de internautas pró-governo encarregam-se da tarefa e atacam sites opositores. Os ataques são apenas um dos vários modos pelos quais o Kremlin controla o conteúdo da rede. Muitos dos provedores do país pertencem a oligarcas amigos e empresas controladas pelo governo, que não hesitam em suspender usuários e blogs independentes”, conta Morozov.

Não difere muito da estratégia brasileira, onde o governo paga um pelotão de barnabés e ex-jornalistas para caluniar, mentir e dourar a pílula sobre seus feitos.

A China e seu megafirewall associado a 150 mil censores que fazem o trabalho na unha, positivamente, estão na pré-história.