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Duas décadas de sucesso no rádio

“Mas quem é que vai ficar ouvindo notícia o dia todo no rádio?”. Essa era a pergunta que todo mundo se fazia em 1991, quando foi ao ar a primeira emissora temática em jornalismo do país, a CBN, que hoje completa exatamente 20 anos.

Não conhecíamos o conceito de audiência rotativa (tão antigo quanto o próprio rádio) e, mais, duvidávamos da eficiência do modelo de nicho, já testado e aprovado àquela época em outros países, como os Estados Unidos.

Longa vida à CBN.

Radiojornalismo hipermidiático

“Radiojornalismo Hipermidiático”, de autoria de Debora Cristina Lopez, está disponível on-line.

No livro a autora, que é da Universidade Federal de Santa Maria (RS), defende que o rádio “já não é mais um meio de comunicação monomídia, mas utiliza linguagem multimídia, dispositivos multiplataforma e novos formatos para o jornalismo.”

Em sua pesquisa, Débora analisou emissoras dedicadas integralmente ao jornalismo, como CBN e BandNews.

Um passo interessante para que repensemos o verdadeiro impacto da conectividade em todas as mídias.

Clóvis Rossi e Eugênio Bucci debatem o jornalismo

A convite da CBN, Clóvis Rossi e Eugênio Bucci debateram os destinos do jornal impresso (e, consequentemente, do jornalismo) no programa Notícia em Foco, que vai ao ar sempre às segundas, às 19h.

O tema foi a sustentabilidade do negócio jornal.

Bucci imagina um mundo em que as empresas jornalísticas serão sustentadas “pelo menos em parte” por seus leitores. Motivo: manter a independência do veículo (quer dizer então que até hoje ela nunca existiu de fato?). Rossi diz que uma mudança desse tipo levaria mais tempo do que os anos que ainda têm a viver _ele tem 66.

O tema nada mais é do que um desdobramento do micropagamento, a bobagem lançada nos últimos meses como um último apelo pela grande imprensa _especialmente a dos EUA e Europa, esta sim verdadeiramente ameaçada de extinção. Mais do que o micropagamento, a doação (ainda inviável, por questão cultural e burocrática, no Brasil).

Sobre a produção jornalística colaborativa on-line, o colunista e repórter especial da Folha de s.Paulo deu um exemplo bizarro. “Se um blog me recomendasse, digamos que no dia 14 de setembro do ano passado, que eu investisse em ações do Lehman Brothers, quem eu iria processar?” (a falência do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, é apontada como um dos estopins da crise financeira global).

Não entendi, porque eu tampouco teria respaldo jurídico para processar um jornalão que fizesse o mesmo.

Ou teria?

Bucci, professor de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e com um vasta experiência no mainstream como jornalista, bateu muito na tecla do financiamento público do jornalismo _pelo público, não pelo poder público.

Falou-se também do polêmico blog Fatos e Dados, com a qual a Petrobras decidiu vazar conteúdo de reportagens ainda em andamento. Seu pleno direito, diga-se de passagem. A argumentação, por sinal, é excelente.

Até o microblog, quem diria, foi parar na conversa. “O meu papel não é gritar que caiu um avião. É dizer porque caiu o avião”, encerrou Rossi. “Contando calmamente, no ouvido do leitor”.

Publicar só boas notícias é uma saída para o jornalismo?

O ponto de vista não é propriamente novo, mas é normal ressurgir em tempos sombrios, como o atual, de depressão após a turbulência econômica. Estou falando do uso da boa notícia como válvula de escape no jornalismo.

Mais de uma pesquisa já apontou que, além de saturadas das notícias, as pessoas estão especialmente saturadas de notícias ruins (seja o crash economômico ou mundo cão construído por pedófilos e assassinos).

É sobre isso que Paul Lamb escreve, citando como exemplos redes sociais construídas em torno de temas edificantes e até um projeto de jornalismo cidadão que só aceita “notícias felizes“.

Lembrei que a Folha de S.Paulo, há anos, chamava na primeira página sob o chapéu “boa notícia” a pauta “otimista” da edição do dia. No rádio, a CBN até hoje possui seção semelhante.

Resolveria o problema do declínio do jornalismo impresso? Respondo com uma reflexão: ele (o jornalismo) não estaria se desvirtuando caso optasse por uma agenda desse tipo?

Quem tem medo do jornalismo popular?

Luiz Carlos Duarte, diretor de redação do Agora São Paulo, e Octavio Guedes, que ocupa cargo similar no carioca Extra, foram os convidados do programa Notícia em Foco, que semanalmente leva jornalistas à CBN para discutir o futuro da profissão.

Interessante ouvir o diálogo entre eles, em alguns momentos tão diferente, em outros, bem parecido. Sobre os jornais gratuitos, por exemplo, enquanto Duarte se aferra à logística de distribuição e garante ter mais penetração do que Destak e Metro, Guedes aponta para o bolso e mostra preocupação com essa concorrência _a verdade é que a instabilidade do câmbio e da economia como um todo atrasarão novos investimentos nesta área.

Ambos os jornalistas comandam jornais populares, segmento em que o preconceito e a desinformação grassam na mesma proporção de patinadas editorais e forçadas de barra.

Foi, enfim, uma conversa bem interessante e reveladora sobre as estratégias e pontos de vista de dois jornais bem posicionados em seu nicho.