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O estranho caderno especial do Estadão

O Estado de S.Paulo soltou um caderno especial bastante esquisito nesta quarta. Em papel especial e sob o título Made in Brazil, o produto de 28 páginas em formato diferenciado (lembra o 3030, aqui citado algumas vezes) é um folhetim institucional da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (doravante designada Apex), estatal sob responsabilidade de Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

As reportagens (são várias e envolveram produção de foto, em menor escala) são assinadas por freelances especialmente para o centenário jornal paulistano.

Os títulos são genéricos (enfraquecendo pautas que, a distância, pareceram boas, ao menos em seu conceito) e, no geral, tecem loas ao trabalho da agência pública.

O problema é que não há expediente nem a informação (talvez sobre a manjada tarja “informe publicitário”) sobre a motivação do caderno.

Jornal bom é jornal na banca

Dois meses de muitos ácaros, bolor e poeira depois, finalmente vai às bancas domingo, na Folha de S.Paulo, o caderno especial “Há 50 anos somos campeões”, que tive o prazer de planejar, coordenar, pautar, pesquisar, escrever e até mesmo matar a saudade dos tempos de repórter.

Foi um trabalho de fôlego também dos colegas Rodrigo Bueno e Toni Assis que, tenho certeza, atingiu todos os objetivos: sair do óbvio e descobrir histórias escondidas na inesquecível conquista da Copa do Mundo da Suécia, a primeira da seleção brasileira.

A logística do produto envolveu horas enfiado nos arquivos de Folha, A Gazeta Esportiva e El Pais (48 horas, ou dois dias, para ser mais preciso) e outras tantas lendo conteúdo de outros jornais em CDs. Fora viagens a Suécia, Uruguai e cidades brasileiras. Mais dezenas de entrevistas.

Outro mérito do caderno: descobrimos que existiam íntegras em vídeo de dois jogos daquela seleção (a semifinal, contra a França, e a final, diante da Suécia). As fitas foram analisadas pelo Datafolha, que tradicionalmente faz os scouts de jogos de futebol, e também por Tostão, colunista do jornal e que escreveu um texto tocante.

Daí você me pergunta: e o que o estádio Centenário (foto acima) tem a ver com a Copa do Mundo de 1958? Surpresa…