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Edição II – Oitava aula

Nesta sexta (16/5), na seqüência do curso de Edição II, discutiremos os métodos editorais e de acabamento na Web, a partir do texto “A ditadura do ctrl c + ctrl v“, do grande Paulo Pinheiro.

Dá pra citar ainda o conceito da “vitrine de loja” que Bruno Rodrigues atribui à home page _Bruno é autor do “Manual de redação na Web”, encomendado pelo governo Alckmin para assessorias de órgãos públicos, e também colunista do Comunique-se.

Outro conceito importante: as empresas jornalísticas se preocupam muito mais com a concorrência do que com seus usuários/leitores.

Falaremos ainda de exigências recentes (inglês em primeiro lugar, mais noções de novas tecnologias e usabilidade) e antigas (intimidade com o jornalismo, claro).

Vamos tentar reagir à questão: até que ponto a premência (o imediatismo) prejudica o exercício do jornalismo?

Na etapa final, as tarefas abaixo (mais os comentários sobre o trabalho de simulação do ambiente SMS na semana passada).

Tarefas

1. Publique um texto no Wikinotícias e depois o envie pelo Twitter, com título e link (lembre-se de usar compressores de URL como Is.gd)

2. Navegue e conheça o Brasilwiki. Note as diferenças entre ele e o Wikinotícias.

Edição II – Sétima aula

Nesta sexta (9/5), vamos conversar sobre o jornalismo para ambientes móveis, notoriamente o celular (“a terceira tela”).

Discutiremos o artigo de Mario Lima Cavalcanti e vamos tentar entender porque diabos sua operadora de celular lhe dá tantas facilidades para adquirir aparelhos mais modernos.

Aqui, no ambiente SMS, concisão e precisão são fundamentais. Como editar em 140 caracteres? O que o usuário desse serviço precisa realmente receber?

Mas não é só isso que o telefone móvel oferece. Há “clones” inteiros de sites da Web (cujo conteúdo foi apenas adaptado para a terceira tela) e outros, construídos em WAP, que parecem toscos olhando assim na telona, mas que são bem funcionais quando consultados em aparelhos em miniatura.

Falaremos ainda de jornalismo para mídia exterior (painéis em locais públicos) e suas características de edição. É um assunto praticamente inexplorado nos cursos de jornalismo. Mas que dele têm brotado empregos e especificidades para novos jornalistas, não há duvida.

Tarefas

1) Vá ao Twitter e simule, como se fosse redator de um grande portal, o envio de três notícias (no formato título + URL). Escolha entre UOL, G1, Globo, Terra, Estadão e IG

2) Conheça o Brasilwiki. É um site brasileiro de colaboração. Diferentemente do Wikinotícias, suas matérias são assinadas, e os textos não passam por várias mãos. Navegue pelo site e entenda seu funcionamento. Cadastre-se. Avalie a possibilidade de enviar alguma colaboração.

3) E o Wikinotícias? Matérias lá valerão nota no bimestre, não acabamos nossa missão ali.

Jornalismo cidadão atira para todo lado

A participação da “ex-audiência” no jornalismo (o principal assunto sobre a profissão agora e pelas próximas duas décadas) ainda é heterogênea e sem critérios.

Uma análise detalhada do site coreano Ohmynews, bastante citado como a experiência mais bem sucedida de jornalismo colaborativo, evidencia claramente que não há rumo. Às vezes, valoriza-se o diferencial para escancarar a alardeada ruptura com a grande imprensa (que doravante quero chamar de mainstream, posso?). Noutras, concorre-se pobremente com ela.

Projetos participativos em português, então, são ainda mais inanimados. O Wikinotícias, com média de oito textos (ou notas?) publicados por dia e administrado por cães de guarda de sua própria comunidade, ainda é inqualificável.

Estruturado de forma diferente (há a mediação profissional sobre o trabalho do amador), o Brasilwiki aparenta ter mais solidez. Porém sofre do mesmo mal do site asiático, sua confessa fonte de inspiração.

Ao anunciar, em sua fundação, que “cada cidadão é um repórter” e que sua plataforma era claramente uma oposição ao mainstream, o Ohmynews explicitou que manchetes como a desta madrugada são seu business.

No caso, um texto pessoal impressionista, com incômodo nariz de cera, mas um ótimo diferencial do noticiário da grande mídia: um cara contando que a cidade inglesa em que viveu, Dewsbury, tem o inacreditável poder de atrair tragédias. Foram vários os casos Isabella Nardoni no município. O mais recente (nem tão fresco assim, é do início de fevereiro…) é citado en passant pelo autor no oitavo parágrafo.

No dia em que as autoridades do Banco Mundial previram que a incontrolável alta dos preços dos alimentos vai provocar guerra e fome no mundo (NOTA: eram as manchetes de CNN e BBC por toda tarde/noite/madrugada deste domingo para segunda), não havia uma única notícia relacionada ao tema na trincheira do Ohmynews.

Tudo bem, se a missão da experiência é deixar de lado o hard news e incentivar sides ou análises.

Mas um passeio aleatório a outro setor do site, o canal de esportes, faz a incongruência saltar os olhos. É o caso do texto que conta as vitórias de Serena Williams e Nikolay Davidenko no Masters de Miami _ainda por cima publicado três dias após o fim do torneio.

Ou o relato da partida Colo Colo x Boca Juniors, com direito a descrição de lances e ficha técnica, tal qual centenas de outros produzidos pela grande mídia no mesmo dia.

Peralá: mas a colaboração é ou não é de hard news? É o que o usuário quiser, então? Cadê a mediação?

Aos experimentos pro-am de jornalismo colaborativo falta uma figura indispensável à tarefa profissional de coletar/filtrar/divulgar dados: a pauta, o roteiro de temas de interesse premente.

Um projeto que contemple a seleção de temas semanais/diários a serem abraçados pelos colaboradores, dentro de suas possibilidades, é factível. Quem não puder se comprometer a fazer, que não manifeste o desejo de desenvolver um texto. Agindo antes, os mediadores poderão obter resultados melhores.

De cara, isso é a solução para a vontade incontrolável de vestir um cachecol ao abrir sites como Ohmynews ou Brasilwiki, quase sempre dissociados do dia-a-dia em suas manchetes (mas, em suas listas de notícias, reféns dele).

E o papo ainda nem chegou à catastrófica colaboração oferecida pelos portais noticiosos.