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Você já ouviu falar em 4D?

Você já ouviu falar em 4D?

Eu não, até ler isso aqui.

Claramente uma farra em cima de um rótulo.

É como, por exemplo, se referir a etapas da evolução da web usando números mais afeitos à indústria automobilística, tal qual 3.0 ou o que o valha.

O dia em que o jornalismo derrubou o Orkut

Interpretações equivocadas de dados de pesquisas pululam diariamente na imprensa mundial. Quase nunca, eu diria, se trata de manipulação. É ejaculação precoce mesmo. E é bacana quando não é um jornalista, mas um consumidor de notícias, quem pega a gente no pulo.

Acompanhe como Luiz Yassuda relata, no Brainstorm 9, seu périplo em busca da correção de um post do blog do Portal Exame, que se ancorou num levantamento da E-Life para afirmar que o Orkut não é mais a mídia social mais acessada no Brasil (!).

Além de ter detectado um empate técnico entre a rede social e o Twitter, Yassuda cruzou dados de outras pesquisas e descobriu que a amostra do trabalho da E-Life privilegia eloquentemente as classes A e B.

Diz ele: “Ninguém perguntou ao pessoal da classe C (sendo que 46% deles acessam diariamente a internet e, segundo dados da Telefônica, já formam mais de 30% da base de Speedy e 80% das vendas atuais do serviço de banda larga) qual é o serviço que eles usam mais”.

E, claro, basta dar uma volta por algumas lan houses de bairros periféricos para detectar que a esmagadora maioria está, claro, navegando pelo Orkut _eu me pergunto até quantos deles conhecem, ainda que apenas de nome, o microblog.

Yassuda conclui dizendo que há uma tentativa da imprensa se transformar o Twitter no serviço mais popular do país. Não creio. Acho que o microblog ainda provoca buzz. E que é mais fácil vender uma matéria em cima dele.

Desde que esteja correta, claro. Muitas vezes, nossa própria percepção no dia a dia é a melhor arma contra esse tipo de coisa.

Por que Coca-Cola vende mais que Pepsi?

ATUALIZAÇÃO: Infográfico imperdível sobre história e evolução das marcas, com muitos dados, vídeos históricos etc.

Não tem exatamente a ver com jornalismo, mas sim tudo a ver com construção e manutenção de marca _uma necessidade dos tempos da conversação proporcionada pela internet.

Repare na evolução das logomarcas de Coca-Cola e Pepsi desde 1885.

Marca não é só um logotipo. Representa coerência e unidade.

Trocar de identificação visual como quem troca de roupa não é, positivamente, a melhor estratégia para quem tenta posicionar o seu produto num ambiente altamente competitivo (como o mercado de refrigerantes, por exemplo).

Passa a impressão também de que se está mudando o conceito. E, à exceção das vezes em que isso é absolutamente necessário por imposição comercial, transmite uma sensação de desorientação.

Trazendo a discussão para o nosso meio: mudanças são sempre bem-vindas, mas elas precisam acontecer de forma consoante às necessidades e à solicitação do público (no nosso caso, a ex-plateia, a audiência). Às vezes, como no caso da Cola mais famosa, não foi necessário nem mudar (fórmula secreta incluída).

Percebe-se, especialmente na web, onde as coisas são bem mais dinâmicas, uma sanha de redesenhos de páginas que muitas vezes não levam em consideração a opinião dos usuários e, mais grave, a adequação das reformas à usabilidade (aquele bem que fazemos a quem deseja acessar o nosso conteúdo).

Na Índia, por exemplo, nada menos do que quatro veículos on-line mudaram aparência e apresentação de seus sites nas últimas três semanas. Nos EUA, a NPR (conglomerado público de comunicação) também se repaginou. Resolve?

Não sei. No mundo ideal, a disposição dos conteúdos informativos são personalizados pelo usuário. Ou seja: nestes casos, pouco importa a vontade de mudar apenas por mudar que, muitas vezes, norteia redesenhos de sites. Os conteúdos que serão expostos, na ordem e tempo que serão expostos,  dependem em boa medida de quem os consome.

No final das contas, o cliente sempre tem razão: é ele quem decide se toma Pepsi ou Coca.