Arquivo da tag: Bolívia

Compram-se jornalistas

“¿Qué totalitarismo?, ¿qué autoritario?, ¿qué dictador? Por favor compañera de Unitel [canal de TV da Bolívia], usted cambie ese discurso de su jefe de prensa, de sus dueños, y si le someten mejor renuncie, véngase a trabajar acá yo te respeto mucho”.

Foi assim que Evo Morales, o presidente boliviano, respondeu a uma pergunta, numa entrevista coletiva, sobre as constantes declarações da (escassa) oposição no país de que ele, o mandatário, está construindo um regime totalitário.

A reação foi lida pela Associação Nacional de Imprensa local como uma ameaça, ou pior, como uma insinuação de que há empregos públicos disponíveis para jornalistas que decidam se rebelar contra seus patrões.

Inacreditável o ponto a que chegamos.

Tirando o aspecto do ineditismo e a importância da ascensão de representantes do povo a cargos relevantes, nunca morri de amores por Evo Morales.

Mas tem gente que aplaude esse tipo de comportamento nada afeito à conversação e à autocrítica. Jornalistas, inclusive. Principalmente aqueles que rotulam de “vendidos” os colegas que trabalham nos grandes grupos de mídia.

Como se os que trabalham advogando por um ídolo não tivessem sido comprados. Estes, sim, tiveram toda a consciência estuprada.

Aliás, dica de emprego pra quem não enxerga o próprio rabo: Evo Morales está contratando jornalistas, que tal bater à porta em La Paz?

A Argentina ficou na mão

De verdade, há umas coisas no noticiário que deixam a gente constrangido, triste, estranho.

E quem está a falar é alguém que sempre diz que jornalista tem uma pedra no lugar do coração e que não deve reagir emocionalmente ao apurar, decupar e analisar acontecimentos.

Mas eu desmenti toda minha teoria repetida há milênios ao ver a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, com a mão estendida em vão enquanto seu similar norte-americano, Barack Obama, passava solerte para cumprimentar Stephen Harper, primeiro-ministro do Canadá, durante a cúpula do G20. Justo Cristina, que chegou antes para guardar o melhor lugar.

Vendo a cena mil vezes, até tento criar a hipótese de que a mandatária argentina percebeu a situação e,   com a mão cerrada (gesto pouco típico do aperto de mão), preparou-se mesmo apenas para tocar o   presidente dos Estados Unidos.

Deu dó. E ocorreu apenas dois dias depois da histórica surra que a Argentina de Maradona levou da Bolívia (1 a 6),   placar que igualou a pior derrota da vida do selecionado argentino (os mesmos 1 a 6 para a  Tchecoslováquia na Copa da Suécia-58).

Mas… e se a hipótese do “tapinha nas costas” estiver correta?