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Uma visita à enciclopédia Barsa

Em tempos de Wikipedia, a enciclopédia propriamente dita virou o exemplo melhor acabado daquilo que parou no tempo.

Daí fui visitar a Barsa, que era um sinônimo deste tipo de compilação no tempo em que não havia nada mais inteligente, em seus domínios on-line.

Lá, ela se vende como um produto ‘tridimensional’: pode ser adquirido em 18 volumes, mas com um DVD e mais acesso livre ao site da obra.

Os 18 livros têm, segundo diz a editora, mais de 10 mil páginas, 125 mil verbetes, 12 mil fotos, 900 “desenhos”, 500 mapas, “volumes costurados com fio vegetal” e “capa dura forrada com balacron de alta resistência com corte dourado e sobre capa em papel couché de alta resistência”.

Tirando o fio vegetal e a capa dura de balacron, tudo ao alcance de um clique.

Eu ainda quero saber quem compra uma enciclopédia em papel.

O que é jornalismo em seis volumes e 3 mil páginas

Enciclopédia, uma barreira de livros: voltei aos tempos da Barsa

Enciclopédia, uma barreira de livros: voltei aos tempos da Barsa

É emblemático: o jornalismo acaba de ganhar uma enciclopédia. Um enciclopédia mesmo, em papel _e bota papel nisso: são seis volumes, 3 mil páginas e 350 verbetes assinados por acadêmicos.

É como se eu voltasse ao tempo da Barsa e seus vendedores de porta em porta (eu vi, e negociei, com esses caras, hoje extintos).

“Várias editoras ainda investem em trabalhos multiautorais e multivolume considerando que edição e design cuidadoso permanece tendo valor mesmo na era eletrônica”, conta Christian Sterling,  jornalista e professor da Universidade George Washington, nos EUA. Ele passou quatro anos debruçado nisso.

A pesada e espaçosa coleção sai agora, no final do mês, sob o selo da Sage. Preço: US$ 795, mas com a promoção de lançamento, custa módicos US$ 630.

Vale quanto pesa?

Não dá para deixar de pensar que, enquanto discutimos novos formatos jornalísticos e empacotamento otimizado para notícias no ambiente on-line, alguém aparece reunindo toda essa discussão numa coisa anacrônica como uma enciclopédia impressa.

Ao mesmo tempo, se a questão é só de plataformas, tanto faz.

Mas confesso que me choca ver essa barreira de livros que compõem a coleção.

Sterling avisa que a obra estará disponível on-line (onde enfim poderá ser consultada), mas não esclarece em que condições.

Vou me beliscar pra ter certeza de não estar sonhando.