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Banda larga residencial, uma ameaça aos jornais impressos

E atenção: turbinada pelo governo Dilma Rousseff, a penetração de banda larga residencial chegou a 40% dos domicílios do país.

Isso significa que ultrapassamos com sobras o cabalístico número de Alan Mutter, que relacionou a queda inexorável da circulação de jornais a uma penetração de banda larga superior a 30%.

Interessante lembrar que Dilma começou seu governo com 27% dos brasileiros dispondo do serviço.

Mas e então, será que agora sim nossos jornais estão fadados aos caixão? Muita calma nessa hora: o que o estudo de Mutter certamente não levou em consideração – por óbvio que deveria ser – é a velocidade da banda.

A nossa, é certo e sabido, muitas vezes oferece tanto ou menos que a boa e velha conexão discada, por mais incrível que possa parecer. Logo, aqui cabe observar o cenário dos próximos meses.

A ridícula adesão à assinatura de conteúdo on-line pago

Lembra que encerrei 2009 falando que 2010 era o ano em que cobraríamos por conteúdo? Faltou abordar o outro lado da moeda: pagaremos por ele?

Saiu uma pesquisa bem fresca sobre o tema, trazida por Alan Mutter (o mesmo a ter detectado a quebra do negócio jornal impresso quando o acesso à banda larga residencial atinge 30% num país): os usuários que pagam aos jornais generalistas por informação on-line representam apenas 2,4% das pessoas que bancam uma assinatura de jornal impresso. É o caminho do fracasso, ainda mais que a comparação é feita com um produto há muito fadado ao fracasso comercial.

A pesquisa completa pode ser comprada por U$ 500.

Ela tem um lado esperançoso: que essa gente que banca para ler antes na web não parece muito preocupada com o custo (lembre-se: nos EUA).

É importante por ser a primeira detecção de indiferença no ano em que decidimos cobrar por conteúdo. A ver como termina essa patacoada.

‘Jornalcídio’ ameaça dedicação à profissão

Pelo menos 15 mil jornalistas já perderam o emprego neste ano nos EUA. A cifra está bastante próxima de igualar (ou até mesmo superar) o banho de sangue do ano passado, quando 16 mil colegas foram para o olho da rua.

Alan Mutter, autor de brilhante estudo que relaciona a penetração da banda larga residencial ao declínio das tiragens dos veículos impressos, faz uma reflexão não sobre quem já estava no mercado, mas que diz respeito a toda uma geração de jornalistas que está saindo das universidades e, agora, encontra muito mais dificuldades para começar na profissão numa única função _é a profusão de frilas substituindo o trabalho regular numa redação.

Para ele, a sociedade como um todo sentirá essa lacuna. “Essa perda”, diz ele, “privará, no futuro, os cidadãos dos insights que só podem ser entregues por profissionais que se dedicam a um trabalho”.

As lan houses ameaçam o futuro dos jornais impressos?

Lan House num bairro brasileiro qualquer: acelerando a lei de Mutter?

Lan house num bairro brasileiro qualquer: acelerando a lei de Mutter?

Alan Mutter relacionou a queda da circulação dos jornais ao avanço da banda larga residencial. Segundo seus estudos, é fato: quando essa penetração ultrapassa 30%, os jornais estão definitivamente feridos de morte.

Daí vejo fotos como a acima, tirada de uma apresentação do publicitário Michel Lent, e fico pensando se o buraco não é bem mais embaixo.

Explico: será que o acesso localizado à web, digo na rua, não pode acelerar esse processo?

Bem possível.