Arquivo da tag: avanço

Leituras de FHC

Em seu artigo dominical quinzenal para O Estado de S. Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resenhou dois livros que abordam as relações cidadão-instituições (em especial as que exercem o poder) na era da informação.

Trata-se de “Redes de Indignación y Esperanza”, de Manuel Castells (um velho frequentador e amigo desta página), e “The End of Power”, de Moisés Naim – que no Brasil escreve para a Folha de S.Paulo.

“Assim como Castells, Naim reconhece a importância dos movimentos contestatórios contemporâneos e sabe que a perda de legitimidade dos que mandam está na origem das revoltas contra as democracias representativas. Com uma diferença: Naim aposta no reencontro entre o protesto explosivo — “apolítico”, no sentido de ser indiferente à reconstrução do Estado e das instituições — com a renovação dos partidos e das instituições. Não perdeu a esperança no restabelecimento de elos entre a autonomia do indivíduo e a representação política nas instituições, inclusive nos partidos.”

Ambos os livros são ótimos. Excelente dica do ex-presidente.

Como os grandes ficaram pequenos

“The End of Big – How the internet makes David the new Goliath” é mais um livro que analisa a mudança tecnológica que está transformando indústrias como a do jornalismo.

Seu autor, Nico Melle, trabalhou na campanha do democrata Howard Dean à presidência dos EUA em 2004 – essa sim, revolucionária e pioneira no que diz respeito ao uso da internet.

Obama é quem ganhou a fama, mas muito antes dele cara como Melle e Joe Trippi já davam o tom.

A trajetória da comunicação móvel em fotos

Outro dia mostrei aqui a evolução do computador dos anos 40 ao iPad.

Hoje é a vez de perceber, visualmente, a trajetória da comunicação móvel de 1938 aos dias de hoje.

Tecnologia facilita até ‘invenção’ de santo

A célere movimentação da Igreja Católica rumo à canonização de João Paulo II, ninguém me tira da cabeça, é mais um importante reflexo do impacto do avanço tecnológico na humanidade.

Temos acesso a mais informação, e ela corre mais rápido.

Resumidamente: a imagem mais que angelical de Karol Wojtyla foi construída pela mídia, ao mesmo tempo em que fatos que supostamente confirmam seu caráter sacro circulam com mais desenvoltura.

A tecnologia facilitou até construção e consagração de divindades religiosas.

Nada mais natural que o primeiro Papa da internet seja também seu primeiro beato e, logo mais, santo.

A tecnologia de ponta em 1995

“O Windows 95 chega para revolucionar. Adeus à tradicional espera para acessar os programas. Você pode trabalhar na mesma tela com quatro programas de uma só vez”.

É Cesar Tralli, num Jornal Nacional de 1995, falando sobre as maravilhas da tecnologia de ponta da época.

A ausência de limites da tecnologia

Um casal gay do Texas conseguiu consagrar seu casamento mesmo com a proibição da união civil de pessoas do mesmo sexo no Estado.

Como? Ele recorreu ao Skype e a um oficial a quilômetros de distância, em Washington DC, onde o casamento homossexual é permitido.

Não há, nas leis texanas, nada contra o “e-casamento”. Logo, está tudo valendo.

Outro exemplo da ausência de limites que só a tecnologia dá para a gente. Sabendo usar, não vai faltar.

Você já ouviu falar em 4D?

Você já ouviu falar em 4D?

Eu não, até ler isso aqui.

Claramente uma farra em cima de um rótulo.

É como, por exemplo, se referir a etapas da evolução da web usando números mais afeitos à indústria automobilística, tal qual 3.0 ou o que o valha.

Jabulani redonda, relato quadrado

Já que eu ando numa fase meio esportiva (afinal, é a editoria onde trabalhei durante 13 de meus 20 anos de profissão), engato reflexão de Alberto Dines que considerei pertinente.

O ponto que mais me interessa é, se de fato, a internet acrescentou alguma novidade à cobertura esportiva. Ele acha que não, o que é altamente discutível.

“O fato de um twiteiro mandar um pergunta lá do meio da floresta amazônica para o comentarista ou narrador tiritando de frio num estádio na África do Sul não chega a constituir um efetivo avanço jornalístico”, diz Dines.

E mais uma frase para reflexão, mas essa com um erro incluído: a maioria dos jornalistas “escravizados” ganha muito mal.

“Aquilo que a empresa jornalística brasileira chama de “desempenho multimídia” é um sistema falsamente meritocrata (na realidade escravocrata) no qual alguns ganham muito bem, em compensação são sugados até a medula dos ossos e impedidos de usufruir do sublime prazer de esmerar-se na apuração e na escrita.”