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O jornalismo debatido e construído com os leitores

“A audiência também produz conteúdo e o distribui de forma muito mais eficaz e influente que qualquer outro jornalista”.

Quem fala isso é um jornalista, Jean-Francois Fogel, pioneiro do jornalão francês Le Monde na internet.

Pra gente parar de achar que é uma “bobagem” o diálogo redação-leitor via redes sociais _principalmente, mas carta e telefone ainda são válidos, apesar de mais demorados.

Felizmente estou na linha de frente de ótimos experimentos práticos neste campo (em breve, notícias aqui). E posso atestar, dia após a dia, a importância dessa relação.

Fogel lembra que o “conteúdo referenciado”, ou seja, o recomendado de amigo para amigo, tem hoje fatia importante como drive de audiência dos sites jornalísticos.

Você não sabe o que está perdendo ao ignorar esse público.

Guardian faz manual de boas-vindas para leitores do Times

Divertido: o blog de notícias do The Guardian, jornal que é uma referência em convergência de plataformas e design de notícias na web, fez um post para dar as boas-vindas aos leitores do The Times, o concorrente que acaba de se fechar em copas e exigir formulários e cartões de crédito para que se leia suas notícias _e perdeu audiência.

Vai ser pedagógica essa briga entre o cobrar e não cobrar.

Times perde audiência após cobrar por conteúdo

O The Times, jornal publicado em Londres desde 1785 e hoje propriedade do multimilionário Rupert Murdoch, começou a cobrar por conteúdo neste mês.

Pois bem, saíram seus primeiros resultados e, claro, a audiência caiu (o quadro aí em cima não deixa qualquer dúvida). Mais: só 17% dos usuários do site passam pela área de conteúdo restrito.

Um fracasso retumbante que a gente já sabia. Cobrar por notícias que estão em toda parte é tiro no pé.

Produto genuíno da web ameaça hegemonia do NYTimes

Em seu quinto aniversário, o Huffington Post _produto genuinamente da web_ pode conseguir uma proeza: ultrapassar o NYTimes.com em unique visitors. É a projeção que já se faz para este ano.

Com 13 milhões de usuários únicos em março (contra 16,6 milhões do jornalão), a ultrapassagem é iminente.

Basta dizer que, hoje, o tráfego do HuffPo é 94% maior do que ano passado. Nesse ritmo, o site/blog de 70 editores/repórteres contratados (e 6 mil colaboradores gratuitos) tem tudo para virar, definitivamente, um case.

As regras na web, positivamente, são bem diferentes das que estavam acostumadas a ditar as grandes empresas de mídia.

A questão da audiência no jornalismo on-line

O pesadelo de qualquer site jornalístico (ou de qualquer produto na web) é verificar uma estagnação no número de leitores. É claro, a cada dia há mais gente nova na internet, e teoricamente estamos aqui para fisgá-las rumo ao nosso conteúdo.

Se todo dia há mais gente surfando, é natural que minha audiência cresça dia a dia. Essa é a lógica. De quanto será o crescimento, aí sim, é a diferença entre sucesso e fracasso.

Alguns números na Espanha, entretanto, são impressionantes: El Pais (seu jornal mais influente e importante) e 20 Minutos (jornal gratuito de grande tiragem), entre outros, simplesmente não tiveram mudanças na base de usuários em 12 meses. Isso significa dizer que, passado um ano, são lidos exatamente pelas mesmas pessoas _uma tragédia quando se fala no suporte on-line.

Quando o acesso de leitores a um site jornalístico fica um ano no mesmo patamar é sinal claro de que são necessárias mudanças.

A evolução da audiência do NYT no dia em que MJ morreu

25 de junho de 2009 entrou para a história da web, assim como 11 de setembro de 2001. É certamente um dos dias de maior acesso global à rede. Pudera: Michael Jackson morreu.

Um vídeo impressionante registra a evolução da audiência do The New York Times a partir do momento em que a notícia foi confirmada. Loucura.

Só faltaram os números da audiência, né? Podiam ser um counter como o que contava as horas…

Mas no conjunto da obra representa bem o que podemos fazer na web, e com simplicidade.

O conflito existencial entre a relevância jornalística e o interesse da audiência

Acaba de sair um estudo na Suécia que coloca sobre a mesa uma porção de questões interessantes sobre a nossa profissão. A conclusão é que os jornalistas vivem um eterno conflito existencial entre o interesse do público e o que consideram verdadeiramente notícia.

Recentemente conversei com Pablo Pereira, editor-executivo na web de O Estado de S.Paulo, sobre o quesito audiência. E a posição dele é clara: que o jornalista não pode estar preocupado com o alcance do que relata, ou melhor, em entrar numa disputa clique a clique nas matérias que escreve.

O que deve prevalecer, diz Pablo, é nossa noção profissional do que é relevante e deve ser destacado e priorizado.

Há uma pontinha de arrogância numa declaração como essa, mas eu tendo a concordar em grande parte com ela. Valorizo como poucos a importância de se ouvir a audiência e dialogar com ela, mas isso não exclui nossa responsabilidade de, sim, e enquanto houver esse modelo de distribuição de notícias, apontar o que é importante.

Ulrika Andersson, do Departamento de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade de Gotemburgo, resume bem a situação. “Geralmente, os jornalistas sentem que é importante responder àquilo que a audiência quer, mas ao mesmo tempo eles frequentemente não sabem realmente do que se trata”.

Para muitos, bastam os dados de acesso às notícias on-line do dia anterior.

E eu pergunto: será?

A falsa mobilização da ex-plateia

O falso anúncio dos leitores no NYT

O falso anúncio dos leitores no NYT

O engajamento da audiência (ou melhor, da ex-plateia) definitivamente mudou o fazer jornalístico. Não só mudou como, em alguns casos, o influenciou diretamente, criando ruídos contestatórios e evidenciando que seu poder não é mais o mesmo.

Só que muitas vezes essa audiência serve a interesses, inclusive de governos que, nas sombras, agem bancando seus devaneios.

A ONG “For the Next Generation” voltou a fazer barulho ontem, ao publicar no New York Times um anúncio que repara um mapa publicado pelo jornal _a questão é toda política e envolve o nome de um quase golfo entre as Coreias, China e Rússia, além do país que lhe dá o nome mais usado.

O NYT escreveu Mar do Japão, o ONG briga pelo uso de Mar do Leste. Daí a provocação.

Não foi uma novidade: em 2005, a entidade publicou anúncio semelhante no The Wall Street Journal. É seu modus operandi.

No caso mais recente, ela diz que foram 94.966 doadores que bancaram o anúncio, cujo valor não foi revelado (mas gira em torno de US$ 60 mil), quase todos coreanos.

Aqui se trata de massa de manobra, não de uma manifestação espontânea da ex-plateia. Apenas para que os registros de uma conduta induzida e politizada não sejam confundidos com a legítima participação do público no jornalismo formal.