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O microblog e a convergência de pessoas

Os recentes atentados terroristas em Mumbai ressuscitaram, no ciberespaço, a discussão sobre a potencialidade jornalística do microblog _e o Twitter, seu site mais popular, definitivamente virou Bombril.

A novidade agora é que a discussão extrapolou a academia e ganhou o mainstream. Os jornalões se perguntam se o jornalismo ganhou efetivamente um novo aliado na cobertura dos acontecimentos do dia-a-dia ou se foram os cidadãos que, turbinados pela tecnologia, têm agora uma plataforma para reportar notícias.

Na verdade, as duas coisas. Eu mesmo já tive meu momento de paixão desenfreada pelo microblog até compreender mais claramente a maneira como ele se insere no cotidiano da profissão.

Em meio à enxurrada de opiniões sobre o tema, destaco as palavras da professora norte-americana Mindy McAdams, que em rápidas pinceladas pelo assunto conseguiu resumir bem algumas coisas que podemos colocar no campo das certezas.

A primeira: que o breaking news (a notícia de última hora) estará on-line, sempre, antes do rádio e da TV _e eu acrescentaria que o microblog, nesse sentido, é o habitat natural do furo.

A segunda: o breaking news será sempre coberto, inicialmente, por jornalistas não- profissionais.

Claro, eles são, na verdade, testemunhas oculares com acesso à Web e a informações que, muitas vezes, jornalistas de ofício não são capazes de obter imediatamente (lembrando que a notícia em profundidade e de bastidores exige legitimação, cultivo de fontes e trabalho de investigação, que o cidadão comum não tem nem sabe como fazer).

Os cidadãos que cobriram os atentados de Mumbai (tão bem, aliás, que o governo indiano cogitou bloquear o Twitter porque as atualizações estariam ajudando os terroristas sitiados em hotéis) não serão os mesmos a acompanhar, in loco, outro acontecimento relevante nalguma parte do planeta. Muda a notícia, mudam os cidadãos a acompanhá-la. 

Mindy também ressalta o poder do celular como principal meio de transmissão de acontecimentos (seja via voz ou atualização de microblog), especialmente em cenários de tragédia. Por isso, sugere que os jornalistas profissionais sejam treinados para explorar todas as potencialidades dos aparelhos móveis.

Para a mídia abraçar o microblog de verdade precisa, antes, fazer sua equipe de reportagem acessar a plataforma e atualizá-la, além de torná-la íntima dos dispositivos móveis. Funcionando em paralelo com a atividade cidadão, parece ser uma ótima tendência de convergência de pessoas.