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Por economia, jornal abre mão de agência de notícias

O uso do conteúdo de agência de notícias sempre foi uma forma de jornais pequenos garantirem o fechamento de suas páginas, ainda que com material pasteurizado, não personalizado, produzido em série.

Há milhares de publicações no mundo que simplesmente não ficariam prontas diariamente não fossem os despachos de Associated Press, Reuters, France Presse e EFE, apenas para citar as quatro mais importantes.

Agora, estes mesmos jornais estão simplesmente cancelando seus contratos com as agências. É um novo sintoma da crise no jornalismo impresso nos Estados Unidos.

Foi o caso do gratuito Metro, que nos EUA publica edições em Nova York, Boston e Filadélfia e abriu mão do acordo com AP, que manda neste mercado no país. Na lógica da operação, o futuro da publicação está diretamente ligado a sua capacidade de produzir conteúdo original _ainda que a redação, minúscula (no ano passado, com queda de 30% no faturamento publicitário, 27 pessoas foram demitidas).

O Metro americano seguirá utilizando matérias de mais de 100 edições da empresa pelo mundo (inclusive o Brasil), além de conteúdo de Reuters e Bloomberg.

Saturado de notícias, povo precisa de bons jornalistas

As pessoas estão saturadas de notícias. A psicologia explica esse distúrbio como uma ramificação do déficit de atenção. Com tanta oferta, o que comprar? É neste cenário que o trabalho do jornalista profissional, e sua tarefa de editar e filtrar o noticiário, ganhou ainda mais importância com o avanço tecnológico na era da publicação pessoal.

É mais ou menos isso que Bree Nordenson defende num artigo para a Columbia Journalism Review. Nordenson usou como ponto de partida estudo encomendado pela Associated Press (sobre o qual falei aqui em julho) que analisou o comportamento do consumidor de informação.

O ponto importante da análise é que hoje, mesmo diante de tantas opções informativas, o público não está mais por dentro do noticiário como há dez anos _um levantamento do Pew Research Center for the People & the Press dá um indício disso ao constatar que hoje 69% dos norte-americanos sabem quem é o vice-presidente do país, contra 74% que sabiam isso em 1989.

A conclusão é que falta uma “orientação” para o consumidor de notícias. Em resumo, hierarquização e contextualização do noticiário. Ou seja: o trabalho do bom e velho jornalista.

Esse ponto de vista, numa época em que o trabalho jornalístico é contestado e relativizado pode lançar uma nova luz no debate sobre o futuro da profissão. Fazer as pessoas assimilarem e entenderem o noticiário, defende Nordenson, é o papel a adotar.

Papel que, segundo ele, a revista norte-americana The Week já assumiu há tempos, optando por priorizar a análise e a síntese da informação.

Enfim, são observações auspiciosas para o jornalismo. Vamos acompanhar.

A crise econômica chega ao jornalismo

A crise econômica bateu à porta da indústria jornalística, como era de se esperar. No exterior, num cenário em que cortes de pessoal (os famosos passaralhos) já vinham acontecendo nos Estados Unidos, a agência de notícias Associated Press, a mais antiga do mundo (tem 162 anos), anunciou um corte de 10% em suas redações.

A AP abriga mais de 4 mil jornalistas (entre editores, repórteres e fotógrafos). A medida de contenção de despesas, portanto, deverá atingir pelo menos 400 deles. Em 2008, a empresa já tinha adotado a estratégia de congelar vagas. Não resolveu.

O problema de uma agência deste porte balançar é que suas matérias ajudar a encher páginas e mais páginas de pequenos jornais espalhados pelo mundo. Com menos material sendo produzido via agências, naturalmente o caminho destes veículos é diminuir de tamanho _e dispensar mais gente, num trágico efeito dominó.

No Brasil, os principais meios de comunicação ainda não partiram para as demissões coletivas como forma de encarar a provável redução de faturamento. Por ora, o que tem acontecido é um recrudescimento da fiscalização rigorosa sobre os gastos da redação, como viagens ou uso de veículos. Espera-se mais.