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A visão da AOL

Marcada no Brasil pelo fiasco da distribuição de CDs invasivos e de axé (em vez do programa que ajudaria as pessoas a navegar na web), a AOL é uma das corporações mais relevantes do mundo quando falamos em jornalismo on-line.

Há um documento importante, concebido há quase dois anos por Tim Armstrong (ainda hoje seu principal executivo), que merece apreciação. Intitulada The AOL Way, a apresentação faz referência às apostas da corporação para boas práticas em jornalismo em tempo real.

São reveladoras algumas orientações aos editores da AOL, especialmente as que dizem respeito a levar em consideração potencial de audiência e retorno financeiro das histórias a cobrir.

Dura lex, sed lex.

 

 

Redação com 1,5 mil jornalistas faz Google perder dinheiro

A AOL (sinônimo de internet nos primórdios) tem nada menos que 1,5 mil jornalistas _isso mesmo, você leu direito_ trabalhando em suas operações on-line. Efetivamente são mil os contratados (o restante é frila).

O número absolutamente impressionante fica ainda mais incrível ao sabermos que os planos futuros da empresa incluem a multiplicação dessa mão de obra por três. E isso que a redação atual já possui mais do que o dobro do tamanho da que lá trabalhava há um ano.

E de onde vem esse povo todo? Em boa medida, dos jornais impressos. O banho de sangue na imprensa americana, com fechamento de publicações tradicionais e passaralho atrás de passaralho, fomentou uma multidão de desempregados. A AOL lhes deu, em parte, guarida.

No Brasil, a passagem da empresa (concluída em 2006) teve altos e baixos, mas o começo foi catastrófico: um lote muito grande de CDs gratuitos com o discador de provimento, distribuídos de graça até nas ruas, tinha, na verdade, gravações musicais de um grupo de pagode. Virou piada.

O Google perdeu pelo menos US$ 717 milhões (fora o investimento no produto) ao comprar 5% das ações da AOL há quatro anos. Nesta semana, a empresa de Sergey Brin e Larry Page as revendeu à antiga (e agora única) proprietária, a Time Warner, por US$ 283 milhões _em 2005, pagara US$ 1 bilhão.

Houve a crise, é verdade, momento em que o valor de todas as companhias ficou bem menos inflado. Mesmo assim, ao repassar a bomba, o Google dá uma sinalização clara de como é difícil fazer dinheiro com conteúdo (no caso da AOL, havia uma válvula de escape, que é o provimento).

Tanto que a companhia de Brin e Page manterá, entre outras parcerias mantidas, sua fatia de faturamento sobre links de publicidade.

Mas e os 1,5 mil jornalistas nas redações da empresa, heim?