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‘Na internet, ninguém sabe que você é um cachorro’

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O tema é velho e batido, e a charge, tola e infantil.

Porém chama a atenção que o anonimato na internet (um problema ainda atual e mais grave sobretudo no jornalismo on-line) tenha sido abordado em 1993, quando a rede mal dava seus primeiros passos _nos EUA, por que a novidade só chegou para valer no Brasil três anos depois.

“Na internet, ninguém sabe que você é um cachorro”, diz o cartum de Peter Steiner, publicado pela The New Yorker, uma das revistas mais legais do mundo.

O que mudou de lá para cá: a evolução da construção da reputação on-line forçaria os dois cachorros a se exibir, se eles realmente quisessem ter alguma relevância. A conexão entre real e virtual é absoluta.

Hoje, em vez de se esconder sob suas verdadeiras indentidades, eles teriam orgulho de latir au-aus para uma plateia.

Anônimo, esse famoso da Internet

Bernard Warner escreveu hoje sobre um tema que há muito merece reflexões: até que ponto o fácil anonimato contribui para a perda de credibilidade da Internet como um todo?

A questão a que ele se refere em texto para o Times londrino se restringe à caixa de comentários de um artigo qualquer _pode ser inclusive o post de um blog.

Quem trabalha com jornalismo deveria ter como princípio recusar publicar qualquer texto que não tenha a identificação de seu autor. Ponto. A opinião de quem não se identifica vale tanto quanto lixo. Ou menos.

A questão é que, na Web, esse aspecto também é facilmente burlável. Mente-se e cria-se um nome. Pronto, o anônimo virou um inexistente, mas sob a capa de uma pessoa real.

Na China (mas por outras razões, estas políticas e de vigilância antidemocrática), para registrar um blog o interessado é instado a fornecer seus dados verdadeiros. Como se estivesse comprando um carro, digamos.

A idéia, absurda sob alguns pontos de vista que envolvem a Web, ao mesmo tempo sugere que falta uma grande ferramenta para que a rede seja tratada, finalmente, de forma séria pelo mundo off-line. Uma identificação definitiva, seja por IP, seja pelo que for. Uma identidade que possa ser comprovada de alguma forma, de preferência eletronicamente.

Sob o anonimato se escondem os racistas e os intolerantes. A ausência de nome próprio é, também, um combustível que encoraja as pessoas a falarem e acusarem sem conseqüência. Por isso que, no jornalismo, precisa ser banido _sim, dane-se a liberdade de expressão, se você quer falar e ser ouvido, tem de se identificar claramente, de forma cabal.

Fora do jornalismo, a vida anônima tem lá suas vantagens: é cada vez maior o número de empregadores que recorrem ao histórico on-line de funcionários ou candidatos a vagas. Foi por suas atividades no Facebook que canadenses pararam no olho na rua. Há, na rede, até gente dando dicas para evitar essa espionagem da vida pregressa on-line.

Mas concordo com o blogueiro que elencou uma série de situações e argumentos para justificar sua tese: o uso de pseudônimo não é o mesmo que a falta de um nome. Ou seja: há outra figura a ser discutida na Internet. Voltando ao jornalismo, tão desagradável quanto o anônimo. Mas diferente.