Arquivo da tag: André Deak

Infográfico: a distribuição étnica nas cidades dos EUA

Em dezembro falei do trabalho de Bill Rankin, que em 2009 concebeu um infográfico dimensionando a distribuição das etnias na Chicago de 2000.

O NYT fez melhor agora, expandindo a visualização para cada canto do país com dados mais recentes.

Estou me divertindo comparando as duas Chicagos…

‘O Abraço Corporativo’ é porrada pedagógica na imprensa

O jornalismo bem que poderia não ser mais o mesmo depois do documentário “O Abraço Corporativo“, que acompanha a trajetória de um incógnito consultor de RH e sua ideia estapafúrdia rumo ao estrelato e à agenda dos grandes meios de comunicação (veja o trailer).

O filme é uma porrada na nossa, como bem pontua André Deak, imprensa “sem critérios”, que engole com facilidade histórias que diariamente são vendidas com ou sem assessoria profissional por gente que quer apenas aparecer.

Ary Itnem, o protagonista do filme, é evidentemente um personagem, e o tal abraço corporativo (que ajudaria a melhorar o clima nas empresas) jamais existiu. O nome do consultor, por sinal, é uma clara alusão à palavra “mentira”, mas ninguém notou.

Assim, Ary virou matéria e foi entrevistado por veículos do calibre de Folha de S.Paulo, CBN, TV Record, O Globo, Band, Veja em São Paulo etc…

Coisas assim precisam ficar eternamente na memória para a gente questionar a nossa vulnerabilidade.

As retrógradas ‘edições eletrônicas’ dos jornais

O jornalista André Deak fez, há algum tempo, uma crítica bastante pontual ao sistema Flip Page, adotado recentemente pela Folha de S.Paulo para exibir sua edição na web _e há muitos anos por diversos outros jornais.

A questão sobre o flip é justamente o fato de ser uma reprodução pura simples de um produto impresso, neste caso apenas transposto para a web. Os defensores desse sistema dizem que é isso, exatamente, o que buscam esses usuários.

Deak torce o nariz. “Ainda assim é possível criar outro lay-out, específico para a internet, mais interativo e com mais usabilidade do que a simples reprodução das páginas impressas”.

Verdade. E o pior é que o Flip até tem alguns recursos, mas que muitas vezes o leitor não percebe, como a inclusão de links (a própria Folha tem links associados dentro daquelas páginas, como em remissões de textos do impresso que levam ao site do jornal). Você já percebeu?

O texto critica a Folha pelo atraso em adotar a tecnologia, disponível desde 2002, mas também por essa insistência de emular e perpetuar linguagens anteriores, quando o que temos pela frente sugere muito mais dinamismo e criatividade.

Concordo com absolutamente tudo.

A convergência que falta é a de idéias

Hoje o André Deak discorre sobre a nova redação do Correio da Bahia, que promete integração entre papel e on-line, entre outras inovações (meu colega Fernando Firmino já havia antecipado algumas delas).

Sei, por experiência própria, que a convergência não acontece pura e simplesmente se colocarmos as pessoas juntas para trabalhar no mesmo ambiente. Mais do que a física, é a convergência de idéias que se faz necessária neste momento de indefinição sobre os novos rumos do jornal em papel.

O jornal baiano, por sinal, vai para as ruas muito em breve em seu novo formato, o 3030, que apresentei aqui há dois meses. É uma aposta, mas que está sendo tristemente vendida como “o futuro do jornal” _como disse, se o futuro do jornal passa por um produto em papel, então não é futuro, é presente.

Muito boa observação faz o Deak, que detecta a principal tarefa dos jornalistas do Correio da Bahia nesta nova fase: “desvincular o jornalismo produzido ali das pressões políticas do clã ACM, já que a família é dona do jornal. É preciso, ali, tanto demolir algumas paredes, mas também construir outras, para impedir que interesses alheios ao bom jornalismo cheguem ao editoral.”

Essa determinação é bem mais importante que qualquer convergência ou suposta panacéia _travestida de novo formato_ que se possa apresentar ao leitor.