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O universo inexplorado dos aplicativos móveis

Amy Gahran (ou “a dama da persuação”, como é chamada na academia) faz um post bacanudo tentando descrever o que são e o que deveriam ser aplicativos para dispositivos móveis _para onde, afinal de contas, está migrando o conteúdo (e o emprego) jornalístico.

Claro, ela fala do cenário americano, mas mesmo assim surge com dados que, eu pelo menos, não estava por dentro.

Exemplo: desenvolver um aplicativo para iPhone ou que rode em Android (sistema operacional de quase todo o resto dos smartphones) significa alcançar apenas 12% do mercado nos EUA.

Mais: os “feature phones”, ou tudo aquilo que não é smartphone (o popular celuca sem teclado qwerty, por exemplo), está nas mãos de 76% dos usuários de móveis nos Estados Unidos.

A conclusão, clara: se lá o mundo dos aplicativos ainda está longe de explorar seu potencial máximo, imagina aqui.

É um campo gigantesco e promissor para a expansão do jornalismo para lá da fronteira da web.

A tecnologia avança, mas sempre haverá um ser humano

A sanha da criação de mashups (junção entre dados originados em softwares para dar origem a outro, com viés analítico) tem seus poréns. Ou será que vc nunca viu uma mapa do estado norte-americano da Geórgia onde deveria estar o do país homônimo numa nota da AP ou da Reuters?

Automatismos são benéficos, mas ao mesmo tempo podem ser catastróficos para o jornalismo. Lembrem-se do #completeog1, movimento de leitores que desmascarou o microblog do portal de notícias de Globo _ele tinha erro de programação e interrompia, frequentemente, os títulos enviados via Twitter.

A professora Amy Gahran, a dama da persuasão, conta uma história legal detectada pelo Los Angeles Times (que outro dia @tdoria veio me dizer que é “ruim” _conceito absolutamente pessoal e intransferível): um erro num mapa de criminalidade gerado automaticamente estava bombando crimes em regiões onde eles não haviam ocorrido.

O lance era o seguinte: o mashup criado pela LAPD (a polícia local), sempre que não identificava um endereço, jogava a ocorrência do crime para um ponto default do mapa, criando uma aberração estatística.

Serve para a gente ficar atento que não, os dados gerados automaticamente também não possuem confiabilidade até que possamos atestar que estão corretos. Ou seja: sempre haverá um ser humano por trás.

O que os futuros jornalistas deveriam aprender na faculdade?

Com a palavra, a professora americana Amy Gahran, que tem defendido (assim como eu) uma forte ênfase nas novas ferramentas on-line _e na habilidade gerencial dos alunos em admistrar idéias e negócios na rede.

O aspecto “econômico” das idéias de Gahran foi muitíssimo bem comentado pelo jornalista José Renato Salatiel.

A parte jornalística deixa comigo: a professora aponta, por exemplo, que simulações com ferramentas de administração de conteúdo são indispensáveis (como o trabalho com blogs que desenvolvemos em Jornalismo On-line).

Sua sugestão é que os alunos, reunidos em grupo, passem ao menos dois semestres alimentando e melhorando seus blogs _notadamente integrando-os a serviços como Flickr e Delicious.

Imersão em mídias portáteis, como estamos fazendo com o Twitter e com o Telog, é outra exigência atualíssima e indispensável.

Gahran cita como exercícios a inscrição a serviços de SMS disponíveis no mercado (para que possam ser criticados e avaliados pelos alunos) e também incentiva a participação em canais de colaboração dos grandes portais. Exatamente como fiz, pregando no deserto…

Outro ponto importante é o uso das mídias sociais (Facebook, Myspace, Orkut -arghhhhh!!!!) como instrumento de pauta e apuração, promoção do próprio trabalho e possibilidades de alcance externo.

Finalmente, entender a notícia como ponto de partida de um diálogo, não mais um discurso de mão única, é uma habilidade desejável no mundo jornalístico redesenhado pela tecnologia.

Agora, se você não souber como fazer um lide, meu amigo, desista.