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Só bom conteúdo salva


Você conhece o projeto Beyond the Fold, desenvolvido pelo pesquisador português Sebastian Rodriguez Kennedy Bettencourt?

Bem, se trata de mais uma tentativa de mostrar como será o jornal num futuro sem o uso de papel (por questões econômicas sim, mas também ambientais).

Baseado numa navegação sem ícones e botões, o suporte imaginado por Bettencourt poderá mostrar infográficos em 3D e já é capaz de transmitir a sensação de tinta nos dedos – alguém sentiria saudade disso?

Em 2008, ridicularizei uma aproximação menos ousada e mais marqueteira do “futuro do jornal” e ganhei um inimigo para todo o sempre – o excelente profissional que representa no Brasil a consultoria por trás daquela mirabolância – aliás devidamente depositada na lata de lixo da história.

Já naquele texto, e como corroborou agora Bernardo Gutiérrez, eu dizia que a tecnologia não iria salvar o jornalismo. Só bom conteúdo é capaz disso.

Ainda assim, pesquisar e testar novos formatos sempre terá alguma serventia (ainda que sejam apenas boas risadas).

Projeto em Jornalismo Impresso I – Sétima aula

Na aula desta sexta (3/10), a sétima do curso, discutiremos o poder noticioso da fotografia, sua evolução através do tempo e o choque de credibilidade que enfrenta em tempos de Photoshop.

Além disso, é hora de discutir, ainda que de forma intermediária, a que conclusões estamos chegando sobre o nosso produto, desta vez com base nas idéias apresentadas por vocês no trabalho de conclusão do bimestre.

Deixo aqui alguns textos sobre fotojornalismo que podem ajudar um pouco na reflexão da importância da imagem na construção do discurso jornalístico.

A crise do fotojornalismo, de Pedro Doria, é essencial para entender a encruzilhada do jornalismo fotográfico contemporâneo. Em Análise visual: o uso de fotos na Folha Online, a abordagem é mais prática. A natureza comunicacional da fotografia oferece um viés acadêmico sobre o tema, enquanto O fotojornalismo em Portugal, de Manuel Correia, dá uma perspectiva européia ao assunto.

Os slides desta aula já estão disponiveis on-line.

Recado importante: não nos encontraremos no dia 10/10. A programação normal do curso será retomada em 17/10, a partir das 8h45, com a palestra do fotógrafo Marcelo Min. Ele falará justamente sobre os temas que debateremos agora, com ênfase na autonomia da fotografia enquanto gênero informativo.

A convergência que falta é a de idéias

Hoje o André Deak discorre sobre a nova redação do Correio da Bahia, que promete integração entre papel e on-line, entre outras inovações (meu colega Fernando Firmino já havia antecipado algumas delas).

Sei, por experiência própria, que a convergência não acontece pura e simplesmente se colocarmos as pessoas juntas para trabalhar no mesmo ambiente. Mais do que a física, é a convergência de idéias que se faz necessária neste momento de indefinição sobre os novos rumos do jornal em papel.

O jornal baiano, por sinal, vai para as ruas muito em breve em seu novo formato, o 3030, que apresentei aqui há dois meses. É uma aposta, mas que está sendo tristemente vendida como “o futuro do jornal” _como disse, se o futuro do jornal passa por um produto em papel, então não é futuro, é presente.

Muito boa observação faz o Deak, que detecta a principal tarefa dos jornalistas do Correio da Bahia nesta nova fase: “desvincular o jornalismo produzido ali das pressões políticas do clã ACM, já que a família é dona do jornal. É preciso, ali, tanto demolir algumas paredes, mas também construir outras, para impedir que interesses alheios ao bom jornalismo cheguem ao editoral.”

Essa determinação é bem mais importante que qualquer convergência ou suposta panacéia _travestida de novo formato_ que se possa apresentar ao leitor.

Se o futuro do jornal é isso, danou-se…

Mostrado durante o congresso da Associação Mundial de Jornais, na Suécia, o formato 3030 foi saudado por gente do mundo todo como sendo o do jornal do futuro.

Confesso que não entendi nada.

O futuro do jornal impresso não passa, em meu entedimento, por soluções que priorizem sua forma, mas sim seu conteúdo.

Tornar o produto parecido a uma revista, positivamente, não resolverá absolutamente nada (a foto de duas pessoas lendo jornais em formatos diferentes chega a ser ridícula). O que está em discussão é qual será a agenda dos jornais impressos, que assuntos eles deverão priorizar.

Além do mais, como já vimos aqui, as possibilidade da popularização do papel eletrônico pode indicar que o uso de papel “de verdade” jamais será uma inovação, mas apenas uma sobrevida.