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Jornalismo: a realidade coletiva

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Não precisa falar muita coisa: Mario Tascón, em seu 233Grados.com, reparou: vejam como, na Espanha, o Google completa a busca “sou jornalista e…”.

Revelador.

O jornalismo visual também para os jornalistas

Interessante a entrevista do mestre Alberto Cairo a Mario Tascón, no 233Grados.

De mais importante (e uma velha bandeira de Cairo), a necessidade de que o jornalismo visual seja praticado também por jornalistas, não apenas por ilustradores/artistas gráficos.

É por aí que nossos infográficos irão se aprimorar.

Twitter fracassa como agregador de audiência na Inglaterra

Um levantamento entre os dez principais veículos jornalísticos on-line da Inglaterra transmite uma sensação estranha sobre o Twitter: o maior site de microblog (e a rede social talhada para o compartilhamento de notícias) não representa nem 1% do total de audiência deles.

Assim como o Facebook, o Twitter figura, claro, entre as 25 principais portas da entrada da audiência nas páginas britânicas analisadas, mas sem o protagonismo que a gente imaginava _no Brasil, dados supõem ser bem maior a influência dos sites de redes sociais no tráfego das páginas jornalísticas (em breve trarei aqui um resumo sobre o tema).

O Google (sempre ele) é a primeira fonte de tráfego em boa parte dos veículos britânicos analisados no levantamento. Na média, 45% dos acessos são genuínos, ou seja, partem de gente que vai diretamente aos sites, sem passar por intermediários. Interessante.

NYTimes entrega edição nas mãos de cooperativa de frilas

Grandes grupos de mídia estão apostando no outsourcing (a boa e velha terceirização) para reduzir seus custos.

Agora é o The New York Times quem anunciou que recorreu a uma cooperativa de jornalistas para prover conteúdo específico para a edição regional de Chicago do jornalão.

Antes do NYT, o Los Angeles Times já tinha fechado um acordo com o ProPublica, uma ONG que produz jornalismo investigativo, para melhorar seu conteúdo.

É uma tendência. Parece que investigar, e o custo que isso provoca dentro da redação, vai gradualmente se tornando uma tarefa para gente de fora do dia a dia do jornal.

Estudar jornalismo não é uma exigência

Está lá, no 233 Grados (233ºC, aliás, é a temperatura de combustão do papel): veículo on-line espanhol procura gente com “texto notável” e que sabe contar boas histórias “ouvindo todos os pontos de vista”.

Uma das exigências é que “ter estudado jornalismo” não é uma exigência.

As vagas (entre elas documentarista e gestor de comunidades) são bem vanguardistas, ao menos um passo à frente do que se exige hoje no jornalismo profissional.

Ontem falei disso, né?

Será que temos jornalistas aptos e dispostos a assumir essas funções? Ou teremos de recorrer ao mosaico?

Notícias do jornalismo cidadão

Vindas diretamente da Espanha, duas recentes menções ao jornalismo cidadão me chamaram a atenção.

A primeira é do designer Javier Errea, que está por trás do redesenho de jornais premiados e verdadeiramente novidadeiros neste museu de grandes novidades que é o jornalismo impresso.

“O bom jornalismo, sinto muito dizê-lo, nunca será feito por leitores ou usuários, mas por bons jornalistas. Não que a informação pertença aos jornalistas, eu não sou corporativista, acredite. Mas desconfio muito da moda. E vivemos uma moda de jornalismo participativo”, afirmou.

Do outro lado do balcão, o amador Eduardo Arcos rejeita o rótulo de “jornalista cidadão” e diz que ele não existe _Tiago Dória já falou sobre este texto, mas atraído pelo canto da sereia. Arcos cobra um reconhecimento do mainstream (leia-se: crédito) e tenta se posicionar no palco. Ele pede holofote, o que é péssimo (até porque, no geral, esse crédito sempre existiu).

Diz que os amadores são usados pela grande mídia e lembra que, na era da publicação pessoal, qualquer um pode publicar fotos, textos ou vídeos (ou o que seja) na internet, dispensando a presença de uma corporação.

Daí lembrei que tenho uma restrição ao consenso de que jornalismo participativo (ou colaborativo) e cidadão são sinônimos. Pra mim, não são. A participação me supõe uma mediação profissional. Daí participação. Participar do processo de contextualização de uma notícia. O jornalismo cidadão entendo como o ambiente em que pessoas colocam no ar, sem edição profissional, seus conteúdos noticiosos.

Preocupam-me, também, as duas visões. A do insider, caso de Errea, que vê moda numa coisa inexorável que a tecnologia deu a todo mundo. Ele, moderno no design de notícias, é um dinossauro quando o assunto é conversação.

E a do blogger espanhol ressentido, que se sente usado pela grande mídia (parar de reportar talvez seja a solução?).

Os dois estão bem errados.

Mas legal que tem mais gente falando sobre essa encruzilhada (texto caudoloso em espanhol, mas bacana).

Cadê o jornalismo preventivo?

Jeff Jarvis, professor de jornalismo da Universidade de Nova York, presenciou em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, um sinistro embate entre cabeças coroadas dos jornalões globais e figurões da economia. O tema: por que não fomos (jornalistas e economistas) capazes de prever o dilúvio?

Há licenças poéticas: o assunto subprime (grosso modo, a hipoteca da hipoteca) está presente há anos no vocabulário da imprensa mundial, e previsões pessimistas já pululavam bem antes de água bater na… bem, você sabe onde [essa eu empresto descaradamente de Ancelmo Gois].

Houve coisas interessantes na conversa na Suíça. Como a lembrança que a discussão de verdade era “como algumas empresas valem tanto?” ou “como desempregados conseguem empréstimos?” Ver o tamanho do rombo do descaminho é muito mais fácil que questionar seu avanço antes, degrau a degrau.

Ao definir a profissão, Jarvis manda um “Nosso trabalho é descobrir o que as pessoas não querem nos contar”, tão bom quanto “A gente é a mosca na sopa”, a que tantas vezes eu recorro no exercício do jornalismo.