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A campanha de Marina Silva não fez isso tudo

Caio Túlio Costa pode ter acertado ao dizer que sem a internet não haveria segundo turno na eleição presidencial, mas certamente errou ao creditar essa avaliação à expressiva votação de Marina Silva (PV), que ficou em terceiro na disputa ao Planalto.

A equipe da verde tem participado de alguns encontros para fazer as pessoas crerem que seu trabalho na internet foi determinante para o resultado das urnas. Enganoso.

Além de única campanha com mobilização em rede pré-existente, a candidatura ainda virou natural beneficiária da polêmica religiosa ocorrida entre primeiro e segundo turnos (Marina não apenas parece, ela realmente crê nessa coisa retrógrada que relaciona punição divina a quem pratica o aborto).

Costa, uma referência em gestão editorial, diz orgulhoso que “nem Leonel Brizola teve 20 milhões de votos”.

Claro: a última vez que o caudilho gaúcho-carioca se submeteu ao escrutínio do eleitor foi em 1998, o que elimina qualquer possibilidade de comparação.

A “onda verde” foi uma entrada a preceder o banquete, fomentado pelo jornalismo impresso, que culminou com a queda de Erenice Guerra da Casa Civil.

Ao mesmo tempo a internet estava sendo usada da forma mais baixa, mas como sempre houve na humanidade, para espalhar mentiras e bobagens em correntes de e-mail e sites de redes sociais _tendo como pano de frente o detestável caráter religioso.

O spam do mal teve muito mais reflexo no resultado da urna do que propriamente o propalado sucesso da equipe de Marina na rede.

Aliás, o oposto: quem tuitava pela senadora causou problemas ao repassar mensagem em que a morte do escritor José Saramago foi reduzida ao passamento de alguém “que blasfemou contra deus a vida toda” e por causa disso não deveria ser lamentado.

Nunca antes neste país a expressão “devagar com o andor” fez tanto sentido.

Campeonato de sorriso

Total off-topic, mas se fosse um campeonato de sorriso, você votaria em quem?

190 milhões sem ação

Mais um vídeo excelente que serviria perfeitamente ao jornalismo: um motoqueiro sai às ruas de São Paulo no intervalo do jogo Brasil x Holanda, na semana passada.

E o que ele encontra? Veja o vídeo e compreenda de uma vez por todas a importância da Copa do Mundo para o nosso povo _que, aliás, hoje deveria reproduzir o feriado não fosse a derrota da equipe de Dunga naquele dia.

O verdadeiro Brasil x Argentina

O verdadeiro Brasil x Argentina hoje é o confronto pela liberdade de imprensa.

Enquanto o Casal K fomenta o ódio ao mainstream, mais especificamente ao Grupo Clarín (guardadas as proporções, a nossa Globo), em nosso terreiro membros poderosos do governo admitiram que estiveram no limite de processar meios de comunicação por reportagens com exaustivo trabalho de investigação por trás, diga-se.

No Brasil, o salto de 499 produtos jornalísticos que recebiam propaganda oficial em 2003 para quase 6 mil hoje foi lido como espécie de cabresto, de curral eleitoral. Assim como a política de benefícios que tem o Bolsa Família como carro-chefe.

É tudo verdade, mas é bom ouvir Eduardo van der Kooy, experiente editor do Clarín, pra entender no que somos bem diferentes dos hermanos _no futebol, ambos são habilidosos e beneficiados pela arbitragem.

Van der Kooy descreve um vazio de poder político que obrigou o jornalismo argentino a se tornar um ator dos acontecimentos, mais do que um mediador. E isso numa era em que a imprensa como filtro universal dos acontecimentos desmilinguou-se.

No Brasil, claramente perdemos esse protagonismo. Que, neste caso, pode ser ainda pior. Nenhum protagonismo exagerado, muito menos de quem não deve ser notícia, é bom para um país.

Copa obriga regime fechado a travar contato com a imprensa livre

Um aspecto colateral (mas não menos importante) desta Copa do Mundo da África do Sul é a possibilidade de um regime fechado, caso da Coreia da Norte, travar contato com a imprensa livre.

Acostumados a declarações pasteurizadas e a pouco (ou nenhum) relacionamento com a imprensa, os coreanos são obrigados pela Fifa a ficar cara a cara com jornalistas pelo menos três vezes por semana nessa primeira etapa do Mundial.

Claro, os jogadores, certamente, estariam loucos para falar e, para eles, esses encontros são aguardados com ansiedade (embora, vigiados, não possam dar mais do que declarações padronizadas). Seus chefes, estes sim, é os que ficam de cabelo em pé.

Óbvio, roga-se que perguntas sobre Kim Jong-il, o ditador que comanda o país, sejam evitadas. O “Querido Líder”, afinal de contas, não pode ter o nome citado em vão…

Previsões para a mídia social em 2010

O documento colaborativo “Previsões para a Mídia Social em 2010“, em espanhol, já está na rede e pode ser acessado e atualizado por qualquer um (na verdade, ele será revisto e atualizado depois, incluindo a colaboração virtual).

Eu, assim como você, tenho uma série de palpites sobre o que vem por aí, mas nessas horas ajo como meu mestre Manuel Castells, que diz não fazer previsões porque sempre se equivoca.

Mas dei um pulo ali e as contribuições são bem interessantes _há uma grande aposta em novos usos para o vídeo, por exemplo. Vale uma passada e, se a empolgação for grande, até uns pitacos.