Arquivo da categoria: Vida de jornalista

As jornalistas e a CLT

Está na lei: mulheres que trabalham aos domingos precisam entrar num esquema de revezamento quinzenal, ou seja, não podem cumprir três domingos seguidos de jornada. É o que reza o artigo 386 da CLT, a Consolidação das Leis Trabalhistas do Brasil.

Específico, o texto trata dessa exceção como uma concessão exclusiva das trabalhadoras. Por ele, e vamos pensar no nosso quadrado do jornalismo, apresentadoras de programas dominicais, por exemplo, não deveriam participar de todas as edições de seus produtos mensais. Muitos menos as correspondentes ou enviadas a eventos especiais (como a Olimpíada) que duram mais de dois finais de semana.

Parece loucura, mas há ao menos uma redação de TV em São Paulo que tem tentado cumprir a medida à risca.

Proibido fotografar

A África do Sul proibiu a mídia, sob ameaça de processo, de fotografar a casa do presidente, Jakob Zuma. Não é uma medida de segurança: a mansão, descobriu-se, foi reformada graças à injeção de R$ 44 milhões em dinheiro público.

A lei e as câmeras ocultas

A primeira linha do manual da BBC para o uso de câmeras ocultas na produção de reportagens diz tudo: “A BBC respeita o direito individual à privacidade e não o desrespeita sem um bom motivo”.

Pronto, de novo, a subjetividade, algo que por sinal permeia praticamente todos os atos jornalísticos – por mais que, da academia e das redações, alguns tentem nos convencer do contrário.

Poucas coisas são mais torpes do que roubar imagens via microdispositivos. Na Espanha, a prática já é considerada inconstitucional.

Pague-me, por favor

payme

Essa ideia é muito boa: um site que reúne jornalistas que levaram calote dos empregadores (lá como cá, boas práticas trabalhistas não são um hábito no maravilhoso mundo do jornalismo).

O Pay Me Please nasceu de uma iniciativa de uma freelancer cansada de esperar pelo pagamento. Por meio do site, a dívida é exposta publicamente – e pelo menos um mau pagador deu as caras para acertar as contas.

Olhando a lista, não encontrei nenhum brasileiro. Mas é questão de tempo.

No tempo dos super-heróis

Entre 1998 e 2002, o horário nobre das segundas-feiras tinha dono na Espanha: a série “Periodistas“, que retratava a vida cotidiana no fictício jornal “Crónica Universal”, de Madri.

Um tempo em que jornalistas ainda eram retratados como super-heróis, saltando de carros em movimento, sendo perseguidos, sempre próximos do perigo e destinados a uma missão: tornar a Terra um planeta mais justo para se viver.

Ah, a ficção…

Vida de estagiário

Jogaram o sofá fora: a editora Condé Nast, que publica revistas de altíssimo nível como Wired e The New Yorker, encerrou seu programa de estágios nos EUA depois de ser processada por um aspirante a jornalista que trabalhava até 12 horas por dia por menos de US$ 12 diários.

No Brasil, apesar de comuns nas redações, o estágio em jornalismo não é regulamentado. Mesmo assim, costuma ser uma vida boa: a garotada via de regra não passa de seis horas de jornada, com feriados e final de semana livre e alguns direitos como vale-refeição. Em muitos casos, ganha-se mais do que jornalistas formados. Errado também.

 

 

 

 

Caímos mais uma vez

O caso do falso atrasado do Enem me fez lembrar de diversas outras oportunidades em que a mídia foi manipulada por quem sabe bem que, para ser retratado por ela, basta contar uma história. Qualquer história.

Ryan Holiday, por exemplo, é um mentiroso contumaz que pregou peça atrás de peça no jornalismo nosso de cada dia. Na França, estudantes criaram uma cabeluda história de prostituição para bancar a faculdade – era tudo balela, mas a imprensa “repercutiu”.

E há ainda o sofisticado “O Abraço Corporativo”, em que um falso consultor de RH dá dicas absurdas sobre como o afeto incrementa a produtividade das empresas – e ganha um amplo espaço na mídia, novamente contemplativa.

Em 1996, quando do acidente da TAM em Congonhas, um rapaz choroso foi ao local do acidente e cavou seu espaço no noticiário ao dizer que tinha acabado de perder três amigos naquele voo. Deus seus nomes, chorou. Aqueles nomes não estavam na lista de passageiros – o sempre diligente Micael Silva encontrou uma entrevista do cidadão contando essa lorota.

O melhor de tudo isso: quando revelados, os embustes fazem os jornalistas recorrerem a uma série de explicações. Não precisa: nada pode ser mais babaca do que dar voz a atrasados do vestibular e a um consultor tresloucado.

Quem é jornalista?

Mais uma tentativa de definir a profissão, aparentemente, flopou: o estudo “Quem é jornalista?”, realizado no âmbito da Universidade de Dayton (EUA) por Jonathan Peters e Edson C. Tandoc, Jr.

Na era da informação total protagonizada por todos nós, a definição, é verdade, só tem importância jurídica, já que o exercício do jornalismo está protegido por diversas leis nos EUA – como a que permite manter fontes no anonimato.

No final das contas, prevaleceu no estudo a seguinte definição: “Alguém encarregado a regularmente apurar, processar e disseminar notícias e informação que sirvam ao interesse público”.

Um histórico da formação do jornalista brasileiro

Indispensável o artigo “Formação do jornalista contemporâneo: a história de um trabalhador sem diploma“, de Cristiane Hengler Corrêa Bernardo e Inara Barbosa Leão – pesquisadoras da Unesp de Tupã.

O trabalho contempla a trajetória do ofício no Brasil, concluindo que pressões de ordem política e econômica submetem o jornalista brasileiro a um deprimente comportamento de autocensura.

Você é um ex- jornalista de papel?

Você acha que, na maioria das matérias, um ou dois parágrafos bastam para contar a história? Ou que frequentemente uma boa infografia vale mais do que um texto?

Bem, talvez você seja um ex-jornalista de papel. Confira outros 154 sintomas dessa síndrome compilados por John L. Robinson.