Arquivo da categoria: Sobrevivência na Rede

Os pobres meninos da internet

É assustadora a quantidade de líderes e gestores de marcas (públicas e privadas) que ignoram o que fazem seus “meninos da internet” – afinal de contas, pensam eles, esse trabalho consiste apenas em colecionar memes, distribuir cards alusivos a efemérides desconhecidas e (claro!) entreter o público que recorre a esse meio para se manifestar.

Nesse cenário, basta o primeiro incremento do volume de água no traseiro para começarem as ordens estapafúrdias: metralhadora de posts no Facebook, cards no Instagram, flood no Twitter. Tudo ineficaz, mas a história é sempre a mesma. Num momento de crise, quem dá as cartas no digital costuma ser quem menos entende do assunto.

E por que não entende? Voltamos ao começo deste texto: “É assustadora a quantidade de líderes e gestores de marcas (públicas e privadas) que ignoram o que fazem seus ‘meninos da internet’…”

Quem não tem convívio diário com o digital está cometendo dois erros de gestão de comunicação: o primeiro, mais óbvio, é que ela precisa ser integrada. Não existe ação on-line sem correspondência off-line, ainda que seja apenas (viva!) com a realidade.

Mais do que isso, é nessas “propriedades digitais” (tirando o site oficial, bem sabemos que as propriedades na verdade são de outrem…) que a imagem pública das marcas está sendo moldada mais intensamente – e onde corre mais riscos de sofrer dano.

Enquanto isso, os “meninos da internet” estão lá, desamparados. São lembrados, isso sim, quando viram piada nas redes por terem cometido algum erro.

Tenho orgulho de supervisionar operações nas quais o social media ocupa uma sala contígua à do presidente (ou mandatário) – e o acompanha diariamente em eventos externos e internos. Essa atividade só vai deixar de ser júnior se for tratada com a importância que possui. Não adianta amarrar todas as pontas (mídia, investidores, comunidade) e simplesmente deixar a mais visível delas (e à qual todos os outros públicos têm acesso) ao sabor dos acontecimentos.

Caixa de ferramentas

Uma lista de ferramentas que podem ser bastante úteis para organização, visualização e detecção de informações na rede.

Nova ferramenta para visualização de dados

Conheça o Guesstimate, ferramenta que auxilia na produção de estimativas estatísticas e é mais um recurso para quem trabalha com comunicação em dados.

15 dicas para menus de sites e aplicativos

Essas vêm direto do mestre da usabilidade, Jakon Nielsen.

Prefeitura de SP diz que cidade é mal-humorada e que Curitiba faz ‘perfumaria virtual’ no Facebook

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ATUALIZAÇÃO: Num longo texto publicado nesta quinta (o ‘textão’, em internetês), Curitiba aborda o assunto com a leveza que lhe é peculiar

Interessante: provocada por um internauta, a Prefeitura de São Paulo expôs pela primeira vez o seu planejamento editorial para a presença da administração no Facebook.

À estudante Natália Horta, que perguntou publicamente na página se São Paulo não entraria na onda da “realidade despojada das redes sociais”, os social medias do prefeito Fernando Haddad foram nus e crus.

“A gente acredita que administração pública não é entretenimento (…), e colocar capivaras voando não ajuda a pessoas a ser mais cidadã ou participativa”, afirma a resposta, citando diretamente aquele que é um case de sucesso nas redes, a Prefeitura de Curitiba.

Tem mais: “A gente tem certeza que grande parte das pessoas que curtem a página de Curitiba não moram lá, portanto não se interessam se aqueles memes representam alguma mudança real no dia a dia delas ou se são apenas perfumaria virtual”.

E mais: “São Paulo é uma cidade um tanto mal-humorada e tem uma imprensa que não curte nada dessa gestão, portanto qualquer piada poderia virar uma polêmica gigantesca”.

Faz bastante sentido, especialmente a parte que toca sobre Curitiba (efetivamente a linguagem nerd utilizada não fala com o todo da população, nem mesmo com o todo que está na internet). Quanto à questão do entretenimento…

Ora, a internet tem uma linguagem específica e o controle é do público. Se o pressuposto é “essa linguagem da internet me dá nojinho”, o melhor a fazer seria retirar o time de campo e nem sequer ter ingressado na brincadeira. Ninguém é obrigado a ter perfis em redes sociais, muito menos marcas. As feridas podem ser sempre maiores se não há disposição ao diálogo – e isso a Prefeitura de São Paulo já havia demonstrado, no mesmo Facebook, ao promover interações agressivas, algumas até parentes do entretenimento (citando Madonna, por exemplo).

Vivendo e aprendendo, não é mesmo?

O usuário é preguiçoso?

Especialista em UX desde os tempos em que ela conhecida como usabilidade, mestre Jakob Nielsen escreve nesta semana sobre a tendência que todos temos de considerar o ser humano preguiçoso na interação com máquinas. Na verdade, aponta Nielsen, o foco é criar caminhos e design que andem na direção do comportamento humano.

Inércia de dispositivos, comportamento momentâneo e atenção seletiva são três dos aspectos que o especialista chama a atenção para que façamos produtos melhores. Vale a leitura.

O algoritmo oculto do jornalismo

Dave Winner (que vem a ser um dos primeiros blogueiros da história) escreve em seu Scripting News (um dos primeiros blogs da história) uma reflexão interessante sobre o duelo cada vez mais intenso entre jornalismo e tecnologia – o que permeia, segundo ele, os 20 anos da história da blogosfera.

E, como o jornalismo aparentemente aponta o Facebook como seu novo inimigo mortal, Winner tem uma tirada sensacional. “O jornalismo também tem um algoritmo pouco transparente: ninguém tem a menor ideia de sobre como se decide entre o que é e o que não é notícia”.

Batman versus Valencia

Valencia_Cf_Logo_originalEssa é tão sensacional que fiz questão de colocar aqui: a DC Comics (dona da marca Batman) está processando o clube espanhol Valencia (fundado em 1919) pelo uso de um morcego em seu escudo.

É um pleito ridículo, pois esse animal está vinculado à própria história da cidade, mencionada desde o ano 138 antes de Cristo – e que seu brasão não deixa qualquer dúvida.

É mais um aspecto nefasto da modernidade: a noção de que tudo pertence a marcas.

Os riscos de ações de engajamento em mídia social

É sempre assim: quando você vai às redes sociais tentar engajar as pessoas, sua vida passa a ser controlada por elas.

É sobre isso (e a campanha #WeBackEd, de apoio ao líder do Partido Trabalhista britânico) que fala o vídeo da BBC. Imperdível.

O roubo do perfil @N no Twitter

História incrível de um usuário que tinha uma conta rara em redes sociais – no caso, o perfil @N, uma letra só, no Twitter – e perdeu seu controle por ter sido hackeado por meio de outro aplicativo.

Ele diz que havia recusado uma proposta de US$ 50 mil pelo perfil.