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A pretensão de impor temas

A transparência alheia

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Não é a primeira vez (nem será a última) que players importantes da internet, como o Facebook, são acusados de intervir nos resultados originados da chamada “inteligência coletiva”, ou seja, a soma da produção de todos os usuários.

Já aconteceu com o Twitter e vai continuar acontecendo porque, conforme já escrevi, esses serviços estão distantes de qualquer aspecto de transparência pela qual muitas vezes levantam as vozes.

David Uberti nota, em texto publicado pelo CJR, que o poder que esses serviços têm de ditar a agenda pública de discussão extrapola qualquer capacidade de controle – isso faz sentido se a mensagem principal não sair do nosso horizonte: Facebook e Twitter não são apenas plataformas abertas para que exponhamos em praça pública nosso brilhante pensamento vivo.

Ao contrário, são poderosos instrumentos de consolidação de pensamento e disseminação de mensagens-chave, provavelmente numa escala que a comunicação humana jamais foi capaz de alcançar. Tudo isso envolto numa embalagem que alardeia uma neutralidade cuja veracidade é impossível acurar.

Mas é assim que a tecnologia funciona.

Aprenda a falar em emojês

Que o emoji é uma poderosa ferramenta de engajamento social, todos sabemos. Mas de que forma eles são interpretados? Um estudo da Universidade de Minnesota se debruça sobre esse tema, chegando a conclusões pertinentes.

Como um texto, os emojis não são “lidos” da mesma forma pelas pessoas. A plataforma onde é publicado (seja equipamento ou rede social) também impacta decisivamente a forma como a mensagem será interpretada pelo receptor.

E qual é o limite para sua utilização? Depende do tom de voz da marca. Quem conversa com os jovens tem muita mais liberdade no uso desse “alfabeto” tão importante quanto o nosso. Perfis mais “sérios”, por outro lado, não deveriam abandonar o recurso por completo, mas talvez encontrar figuras que, para além do bom e velho ok, fossem imunes a mal-entendidos.

De toda forma, não dá para pensar em gestão de presença em redes sociais sem emojis. De jeito nenhum.

Pesquisadores sugerem boicote a jornais pró-impeachment

Neste momento, professores de jornalismo debatem, numa lista de e-mail, a pertinência de se boicotar pesquisas acadêmicas que envolvam jornais que, de uma forma ou de outra, tenham apoiado o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Isso significa deixar de analisá-los em pesquisas, além de mergulhar a academia de vez em seu próprio obscurantismo e obsolescência.

A argumentação, que nasceu meramente política, ganhou nos últimos dias contribuições (como a que descrevo abaixo) que têm como intenção supostamente direcionar o debate para um critério científico.

“A mídia mainstream/hegemônica ainda é bastante hegemônica também nos estudos acadêmicos da comunicação, talvez até mais do que a diversidade de mídias atuantes/relevantes no país levaria a crer. Mais objetos (para além da mídia “mainstream”) trariam uma diferença revigorante.”

É realmente lamentável o estado a que chegamos.

Brasileiro ganha o Pulitzer pela primeira vez

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Inédito: o fotógrafo Mauricio Lima (ao lado de outros três profissionais) conquistou nesta segunda o mais prestigiado prêmio jornalístico do mundo, o Pulitzer.

Lima foi premiado na categoria fotojornalismo com trabalho sobre refugiados.

Veja a relação completa de vencedores.

Para entender as mídias sociais

Com o propósito de discutir as redes sociais para além da inocência dos 2000, quando se disseminaram e popularizaram de vez, o e-book ‘Para entender as mídias sociais’ (volume 3) já está disponível para download gratuito.

São 26 textos de 28 autores, vários deles meus duplos colegas (jornalistas e professores). Participo do trabalho lançando uma discussão sobre a exclusão digital: hoje cerca de 45% da população brasileira nunca acessou a internet e, portanto, não tem a menor do ideia do que seja um meme (só para ficar num exemplo).

Logo, lanço uma discussão que me acompanha há tempos e que não escondo debaixo do tapete apesar de trabalhar intensamente com o digital: afinal, está “todo mundo” falando dos assuntos que circulam diariamente nas redes.

É claro que não.

Lá como cá?

Pesquisa Pew Research mostra que as redes sociais são o segundo drive que os eleitores americanos têm usado para se informar sobre a campanha eleitoral presidencial de 2016 – à frente, a TV fechada.

Levantamento semelhante realizado pelo Ibope em janeiro apontou que, no Brasil, a TV aberta ainda lidera esse quesito de forma soberana (internet mais redes sociais surgem como relevantes na decisão de voto para 19% dos brasileiros).

O sindicato quer você

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Com o mote “quando você diz não ao sindicato, você diz sim à precarização do trabalho do jornalista”, a entidade paulista de classe iniciou uma nova campanha em busca de novos sócios – e, consequentemente, mais dinheiro em caixa (a taxa anual para se associar pode chegar a R$ 660).

O sindicato dos jornalistas quer você, mas e você, quer o sindicato?

 

O malfadado algoritmo

Talvez o tema sobre o qual sou mais acionado para discorrer seja o funcionamento do feed de “notícias” do Facebook – hoje um poderoso drive que, para muita gente, significa o único contato do virtual para o mundo exterior.

O problema é que esse mecanismo está envolto por uma grande caixa preta e, mais, passa por modificações por todo o tempo.

De toda forma, Will Oremus esteve em Menlo Park e explica com suas palavras o que ele entendeu sobre essa misteriosa máquina de fazer virais. O resultado é absolutamente técnico, ciência da computação pura. Por essa narrativa, no final das contas, o algoritmo serve muito mais para prever do que para decretar.

O buraco negro do direito de resposta

Projeto de lei que versa sobre o direito de resposta sancionado nesta quarta (12/11) pela presidente Dilma Rousseff tem dois aspectos interessantes a se levar em consideração no que diz respeito à digitalização da informação.

Primeiro, explicita que não abarca comentários em sites, ou seja, deixa de fora um manancial importante de calúnia e difamação com a qual a mídia formal jamais soube lidar.

Mais importante, o projeto trata especificamente de “empresas jornalísticas”, o que exclui blogs e outras iniciativas pessoais – como perfis em redes sociais. Um buraco negro sem fim.

Mídia para quem precisa

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Insólita para os padrões brasileiros (onde a legislação eleitoral proíbe compra de mídia durante a chamada “campanha oficial”), na Argentina a propaganda eleitoral obedece ao padrão americano – o famoso “pagando tá bom”. Foi assim nesta quarta, durante a decisão da copa nacional entre Boca Juniors (afinal campeão) e Rosario Central.

Em meio a anúncios de doce de leite e serviços, surgiu em meio à partida a mensagem política de Daniel Scioli, candidato do kirchnerismo à eleição presidencial que será realizada no próximo dia 22. Uma mídia e tanto.