Arquivo da categoria: Blogando

A pretensão de impor temas

Pesquisadores sugerem boicote a jornais pró-impeachment

Neste momento, professores de jornalismo debatem, numa lista de e-mail, a pertinência de se boicotar pesquisas acadêmicas que envolvam jornais que, de uma forma ou de outra, tenham apoiado o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Isso significa deixar de analisá-los em pesquisas, além de mergulhar a academia de vez em seu próprio obscurantismo e obsolescência.

A argumentação, que nasceu meramente política, ganhou nos últimos dias contribuições (como a que descrevo abaixo) que têm como intenção supostamente direcionar o debate para um critério científico.

“A mídia mainstream/hegemônica ainda é bastante hegemônica também nos estudos acadêmicos da comunicação, talvez até mais do que a diversidade de mídias atuantes/relevantes no país levaria a crer. Mais objetos (para além da mídia “mainstream”) trariam uma diferença revigorante.”

É realmente lamentável o estado a que chegamos.

Brasileiro ganha o Pulitzer pela primeira vez

pulitzer

Inédito: o fotógrafo Mauricio Lima (ao lado de outros três profissionais) conquistou nesta segunda o mais prestigiado prêmio jornalístico do mundo, o Pulitzer.

Lima foi premiado na categoria fotojornalismo com trabalho sobre refugiados.

Veja a relação completa de vencedores.

Para entender as mídias sociais

Com o propósito de discutir as redes sociais para além da inocência dos 2000, quando se disseminaram e popularizaram de vez, o e-book ‘Para entender as mídias sociais’ (volume 3) já está disponível para download gratuito.

São 26 textos de 28 autores, vários deles meus duplos colegas (jornalistas e professores). Participo do trabalho lançando uma discussão sobre a exclusão digital: hoje cerca de 45% da população brasileira nunca acessou a internet e, portanto, não tem a menor do ideia do que seja um meme (só para ficar num exemplo).

Logo, lanço uma discussão que me acompanha há tempos e que não escondo debaixo do tapete apesar de trabalhar intensamente com o digital: afinal, está “todo mundo” falando dos assuntos que circulam diariamente nas redes.

É claro que não.

Lá como cá?

Pesquisa Pew Research mostra que as redes sociais são o segundo drive que os eleitores americanos têm usado para se informar sobre a campanha eleitoral presidencial de 2016 – à frente, a TV fechada.

Levantamento semelhante realizado pelo Ibope em janeiro apontou que, no Brasil, a TV aberta ainda lidera esse quesito de forma soberana (internet mais redes sociais surgem como relevantes na decisão de voto para 19% dos brasileiros).

O sindicato quer você

sindicato_card

Com o mote “quando você diz não ao sindicato, você diz sim à precarização do trabalho do jornalista”, a entidade paulista de classe iniciou uma nova campanha em busca de novos sócios – e, consequentemente, mais dinheiro em caixa (a taxa anual para se associar pode chegar a R$ 660).

O sindicato dos jornalistas quer você, mas e você, quer o sindicato?

 

O malfadado algoritmo

Talvez o tema sobre o qual sou mais acionado para discorrer seja o funcionamento do feed de “notícias” do Facebook – hoje um poderoso drive que, para muita gente, significa o único contato do virtual para o mundo exterior.

O problema é que esse mecanismo está envolto por uma grande caixa preta e, mais, passa por modificações por todo o tempo.

De toda forma, Will Oremus esteve em Menlo Park e explica com suas palavras o que ele entendeu sobre essa misteriosa máquina de fazer virais. O resultado é absolutamente técnico, ciência da computação pura. Por essa narrativa, no final das contas, o algoritmo serve muito mais para prever do que para decretar.

O buraco negro do direito de resposta

Projeto de lei que versa sobre o direito de resposta sancionado nesta quarta (12/11) pela presidente Dilma Rousseff tem dois aspectos interessantes a se levar em consideração no que diz respeito à digitalização da informação.

Primeiro, explicita que não abarca comentários em sites, ou seja, deixa de fora um manancial importante de calúnia e difamação com a qual a mídia formal jamais soube lidar.

Mais importante, o projeto trata especificamente de “empresas jornalísticas”, o que exclui blogs e outras iniciativas pessoais – como perfis em redes sociais. Um buraco negro sem fim.

Mídia para quem precisa

scioli

Insólita para os padrões brasileiros (onde a legislação eleitoral proíbe compra de mídia durante a chamada “campanha oficial”), na Argentina a propaganda eleitoral obedece ao padrão americano – o famoso “pagando tá bom”. Foi assim nesta quarta, durante a decisão da copa nacional entre Boca Juniors (afinal campeão) e Rosario Central.

Em meio a anúncios de doce de leite e serviços, surgiu em meio à partida a mensagem política de Daniel Scioli, candidato do kirchnerismo à eleição presidencial que será realizada no próximo dia 22. Uma mídia e tanto.

Audiência fake destrói credibilidade do mundo digital

Para que servem números robustos se eles não têm conteúdo?

É meu mantra eterno em redes sociais – copas do mundo de mais fãs ou seguidores não servem pra nada e são o combustível de compra de adesões ainda menos republicanas.

É assim também na web segundo a narrativa da Bloomberg, que investigou como internautas artificiais estão desidratando os investimentos de anunciantes em mídia on-line.

Os numerões são falaciosos: dados bem concretos sobre práticas como o remarketing mostram (sempre de acordo com a reportagem) que boa parte das impressões que embasam extraordinárias performances de ROI correspondem a bots, ou seja, não-humanos.

Há todo tipo de truque, até pop-ups do tamanho de um pixel, imperceptíveis.

Nas redes há um drama parecido: a terra onde um pacote de curtidas e retuítes está ao alcance de qualquer bolso, sem suor, não pode ser auspiciosa.

Números robustos sem conteúdo não valem nada.

Comunicação pública digital em São Paulo

A Medialogue divulgou nesta semana um estudo com conclusões bem pessimistas sobre o uso dos recursos digitais em 46 cidades do Estado de São Paulo.

Na maior parte dos municípios as plataformas de comunicação digital são “como se fossem outdoors instalados no deserto”, ou seja, usufruídas por muito poucos.

A comunicação pública tem um grande desafio pela frente: a entrega qualificada de conteúdo. Em resumo, adaptar as ferramentas existentes para encontrar o cidadão e efetivamente interagir com ele.