Arquivo do mês: novembro 2014

O ataque, pero no mucho

O documentário “O Ataque à Liberdade de Imprensa”, realizado por Andrey Moral e Marina Maimone, estudantes da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), tangencia talvez aquela que seja hoje a maior ameaça ao exercício profissional do jornalismo.

A violência policial, uma excrescência em si, não é inesperada. A questão, e já não é de hoje, é a agressividade que parte das pessoas que estão nas ruas se manifestando. Há várias histórias de jornalistas agredidos não pelo estado, mas por protagonistas de distúrbios e/ou mobilizações.

Não é só a polícia que, hoje, percebe a imprensa como inimiga. Outro dia mesmo a vítima foi a fotógrafa Marlene Bergamo.

Isso sim é a notícia.

A monocultura do Facebook

Para quem trabalha com conteúdo em redes sociais, a monocultura do Facebook ainda é um problema no Brasil.

Pelo seu tamanho (são cerca de 80 milhões de brasileiros lá dentro), é natural que as marcas queiram interagir no site de Mark Zuckerberg.

Acontece que cada caso é um caso, e há redes muito mais específicas para quem atingir determinados públicos.

Afora os aspectos severos proporcionados pelo algoritmo do Facebook (o pior deles é o alcance cada vez menor das publicações, um evidente recado para que as ações lá dentro sejam pagas), há ainda tantos outros problemas no que diz respeito ao funcionamento da ferramenta que, de verdade, não dá pra entender esse furor.

O Facebook pode ser tão útil quanto qualquer outra rede, desde que esteja alinhado com a estratégia de comunicação. Não é uma escolha liminar.

Hoje, não tem sido o caso.

A rede social da rua

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Numa era em que se banalizou o ato de fotografar, chega a ser emocionante a iniciativa de Tatiana Altberg (o projeto Mão na Lata, que pôs jovens da comunidade da Maré, no Rio, a registrar seu cotidiano com um equipamento pra lá de rudimentar).

Para pesquisar sobre política externa brasileira

O Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais está de site novo e, com ele, uma plataforma bastante organizada de teses e dissertações sobre a política externa brasileira. Um manancial de informações e pautas para os interessados.

Só agora, Wikipedia?

Em 2006, para incentivar meus alunos de graduação em jornalismo a publicar textos na internet, tive a ideia de usar a Wikipedia – já na época o maior projeto colaborativo global.

A proposta era simples: definir uma série de verbetes que a enciclopédia ainda não tinha, dividi-los entre a turma e mãos à obra.

Pois bem: a iniciativa foi pessimamente recebida pelos admins da Wikipedia, inicialmente por conta do volume simultâneo de atualizações partindo de um único IP (fazíamos isso em sala de aula).

Os verbetes iam sendo derrubados, um a um, sumariamente. E, como tudo na Wikipedia, não havia cristo que fizesse aquilo cessar. Numa das inúmeras discussões com os administradores, ao explicar o caráter pedagógico da proposta, recebi a seguinte resposta: “a Wikipedia não é o lugar para isso. No máximo use uma página de teste ou outro programa de edição wiki”. Jamais esqueci.

Não é que agora fiquei sabendo do projeto Wikipedia na Universidade, que prevê exatamente aquilo que tentei fazer há oito anos? Demorou, mas nasceu.

Notícias do LinkedIn

Como praticamente todas as ferramentas de relacionamento social, o LinkedIn é uma caixa-preta – pouco se sabe sobre o serviço além dos autodeclarados 300 milhões de usuários no mundo.

Agora o Social Bakers fez um levantamento interessante das marcas que promovem mais interação, além dos países onde há mais oferta de vagas (nesse aspecto a Ásia leva de lavada, com cinco países nos dez primeiros postos).

A recomendação final é a mais interessante: vale a pena produzir conteúdo específico para esse rede que, por tratar de trabalho, já foi considerada “a mais chata do mundo”.

Os riscos de ações de engajamento em mídia social

É sempre assim: quando você vai às redes sociais tentar engajar as pessoas, sua vida passa a ser controlada por elas.

É sobre isso (e a campanha #WeBackEd, de apoio ao líder do Partido Trabalhista britânico) que fala o vídeo da BBC. Imperdível.

O jornalismo passou longe

Em fevereiro de 2009 escrevi que um hipotético fim da imprensa formal significaria que a blogosfera (ainda não eram os tempos das redes sociais bombando) acabaria logo em seguida porque, afinal, “ela reproduz e vive a reboque dos veículos tradicionais”.

Levantamento feito agora pela Folha de S.Paulo durante as eleições de 2014 dá números a essa tese.

“Na amostra coletada pelo jornal, 61% dos compartilhamentos de links por usuários vieram de conteúdo publicado na mídia profissional em jornais, portais, TVs, rádios, sites de notícias locais ou imprensa internacional”.

O que há de sobra nas redes sociais é opinião. Jornalismo, que envolve principalmente apurar informações, como todos nós sabemos, ainda passa longe dos sites de relacionamento.

A questão de fundo é: e deveriam passar? Ou estamos falando apenas de relacionamento?

O propósito da Folha ao fazer levantamentos do tipo (não é o primeiro nem será o último) é mostrar de alguma forma que a mídia formal tem relevância. Parece ser uma disputa inútil: no final das contas, as pessoas sempre irão ganhar.

Então, o negócio é se juntar a elas.

A ESPN e a ESPN

A ESPN precisa ser mais transparente sobre o papel do jornalismo em seu modelo de negócios, os propósitos por trás dele e qual o grau de comprometimento da emissora para garantir sua aplicação.

O parágrafo acima refere-se à ESPN americana e foi escrito por Robert Lipsyte, ombudsman do canal, num longo texto de despedida da função – aliás, reparem quantos assuntos espinhosos ele foi obrigado a tratar em seu mandato.

No Brasil, a emissora recorre ao jornalismo como seu principal instrumento de marketing. No esporte, dizer que se faz jornalismo parece ser uma necessidade (uma bobagem clássica daqueles que ainda separam a comunicação em compartimentos).

Em 2013 eu já falava sobre o poder da ESPN americana (muito maior que o da Globo no Brasil) e questionava se a filial brasileira do canal dos EUA apresentaria-se como combativa, tal qual é hoje, se tivesse o mesmo bolo nas mãos.

É sobre isso que Lipsyte está falando.

A mídia e o regime militar no Brasil

livro_midia_regimeNo momento em que se coloca, entre repulsa e saudosismo, a discussão sobre regimes militares no Brasil, chega às livrarias “A Mídia e o Regime Militar”, que ajuda a jogar um pouco mais de luz nessa época sombria para vários segmentos da sociedade brasileira – em especial a imprensa.

O autor, Álvaro Nunes Larangeira, é professor do Mestrado e Doutorado em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), mestre e doutor em Comunicação pela PUCRS e pós-doutor em Jornalismo pela Universidade de Coimbra.

“Explicações pífias, justificativas ambíguas e mea-culpas pinoquianos maquiam há décadas as prestações de conta da participação e postura midiática na ditadura militar”, recita a apresentação da obra.

Indispensável.