Arquivo do mês: abril 2014

Jornalismo declaratório – e errado

Mestre Janio de Freitas, que há tempos tem dedicado algumas de suas linhas a um criticismo ímpar com relação ao trabalho da imprensa, notou que agora nem mesmo o jornalismo declaratório merece credibilidade.

A última foi uma “forçada de mão” em declarações do ex-presidente Lula, prontamente desmentidas.

O jornalismo declaratório é uma praga, mas eram bons os tempos em que ele era apenas ruim, não equivocado.

Comunicação Multimídia na Faap

A terceira turma da pós em Comunicação Multimídia da Faap, curso que tenho o prazer de coordenar, começa agora em 6 de maio. Conheça a grade e venha participar conosco dessa jornada de 18 meses pela inovação em narrativas comunicativas, design, arquitetura de informação e visualização e análise de dados.

Ajudei a destruir a profissão

É uma reclamação frequente entre aqueles que, como eu, compõem o bloco da meia idade: a nova guarda não seria, digamos, tão afeita ao trabalho como fomos quando jovens, décadas atrás.

Essa espécie de constatação surge toda vez que vemos gente em começo de carreira declinar de oportunidades que, olhadas sob lupa, exigem muito mais do que simplesmente esforço pessoal. Há coisas nas redações que simplesmente vilipendiam a condição humana – mas que tirávamos de letra sob a justificativa da pena eterna imposta a quem se aventura no ofício.

Explico: acostumada a tratar o jornalismo como um ato de fé, minha geração aceitou trabalhar por migalhas e ajudou a destruir a profissão.

É por isso que hoje eu festejo quando vejo jovens recusarem as propostas indecentes com as quais o jornalismo acena e que, em nosso tempo, nos faziam sair correndo abanando o rabinho.

Trabalhei com uma pessoa, hoje gestora numa importante operação jornalística na internet, para quem “jornalista que não trabalha pelo menos dez horas por dia é vagabundo”. É esse tipo de tirada verbal, associada às oportunidades globais que antes não existiam, que fazem o trabalho nas redações cada vez menos atraentes.

Estamos destruindo o futuro da profissão ao perpetuar bobagens como o trabalho 24 horas por dia ou o presenteísmo, essa instituição tão jornalística e que é um dos primeiros passos para a burocratização das relações de trabalho numa atividade claramente intelectual. Ou que deveria ser, pelo menos durante a maioria do tempo.

Não me esqueço da decepção de pessoas de outra formação ao serem apresentadas às regras (escritas e não escritas) do jornalismo – que aliás nunca dialogaram com os contracheques. O discurso do amor pela profissão e só, felizmente, já não funciona mais como antigamente.

Se minha geração tivesse sido mais crítica contra essas armadilhas, talvez estivéssemos numa situação um pouco melhor.

Trincheira das palavras

talcual

O jornal Tal Cual é, hoje, a principal trincheira do pensamento oposicionista na Venezuela. Dirigido por Teodoro Petkoff, o veículo (como de resto quase todos no país) está asfixiado pela falta de papel-jornal e já está concluindo sua transição para a web. O que não falta ao periódico, porém, são ideias e análises. Algo fundamental em tempos de pensamento único.

Eu vejo pessoas mortas

markun

Como você reagiria a um projeto que se propõe a entrevistar grandes personalidades da história do Brasil, evidentemente já mortas e representadas por atores? O Canal Brasil levará essa aventura ao ar. Uma experiência de conteúdo interessante num momento em que o mais do mesmo justifica, ao menos em minha opinião, a desvalorização que atinge em cheio nossa área.

A morte de um projeto digital

Um grande projeto puro-sangue de produção de conteúdo digital morreu após três anos e grande estardalhaço no lançamento. O que deu errado?