Arquivo do mês: fevereiro 2014

Qual o tamanho ideal de um texto na internet?

Sempre me perguntam qual o tamanho ideal de um texto na internet, e eu acho que não há tamanho ideal. Um texto tem (ou deveria ter) exatamente o tamanho que comporta o seu propósito, nem uma linha a mais nem uma linha a menos.

Pois o Quartz, projeto na web que cobre indústria, tecnologia e economia, anunciou nesta semana recordes de audiência  (ele já detém 15% do tráfego no Reino Unido) com base numa política mais ou menos parecida com a minha.

A única certeza é que artigos entre 500 e 800 caracteres apetecem menos o leitorado porque, na visão do editor-chefe, Kevin Delaney, “são muito grandes para serem compartilhados e muito breves para serem profundos”.

O Quartz aposta, portanto, numa mescla entre curto e longo. Aparentemente, com bastante sucesso.

Libération quer virar rede social, mas precisa combinar com a redação

libeAfundado na crise, o jornal francês Libération anunciou nesta semana que vai virar uma rede social, produzindo conteúdo para todo tipo de plataforma.

O problema é que o projeto foi imposto goela abaixo da redação, que se revoltou. “Nós somos um jornal”, informa a manchete de sábado, 8 de fevereiro. Dias antes, os jornalistas da casa haviam participado de uma paralisação.

Voltaremos ao assunto em breve, mas acho que tudo é uma questão de equilíbrio: foi justamente por resistir à mudança dos tempos que o ofício do jornalista impresso foi enxugado inexoravelmente.

Jornalismo esportivo no ano da Copa

No livro “2014: el periodismo desportivo en año mundialista“, 14 jornalistas latino-americanos fazem previsões sobre o que deveremos esperar do trabalho da mídia na maior competição do esporte mais popular do planeta.

Bacana e de graça.

Brasil Post, link externo e os jornalões

Já era de se esperar: por coerência (para ficarmos só nisso e sermos elegantes), os jornalões “homenageados” pelo Brasil Post com links externos estão exigindo explicações da Editora Abril, que pilota o projeto Huffington no país.

No entendimento deles, o uso do link externo equivale a uma apropriação indevida de conteúdo. Foi exatamente por isso que, capitaneados pela ANJ (a associação patronal), dezenas de jornais do país deixaram o serviço Google News. Posteriormente, numa espécie de termo de ajustamento de conduta, as partes concordaram em testar o protocolo “Uma linha no Google News“, cujo objetivo é precisamente direcionar o internauta as sites dos veículos (ué, o Google News faz o que mesmo?).

A chantagem dos jornais foi vista na época com desconfiança (de novo, estamos sendo benevolentes). Afinal, quem em sã consciência abriria mão do potencial drive de audiência de um produto Google? A ANJ disse que a queda de tráfego beirou 5% e que a medida valeu a pena.

Na França, por exemplo, a polêmica foi resolvida após o Google aceitar desembolsar 60 milhões de euros numa espécie de fundo para o jornalismo impresso, além de se comprometer a ajudar os jornais a incrementar sua receita com publicidade on-line. Na Alemanha, os jornais precisam autorizar o uso de seus títulos pelo agregador.

De toda forma, o episódio Brasil Post é revelador. E, de novo, no ano em que caminhamos para 19 primaveras da operação comercial da internet no país, parece que ainda estamos engatinhando.

Histórias de fotógrafos

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O Chicago Sun-Times demitiu toda sua editoria de fotografia, mas existe um belo registro das imagens registradas por esses profissionais em 60 anos de história do jornal.

E viva o link externo!

Se começou matando a marca, em sua primeira semana de operação o Brasil Post (associação entre a Editora Abril e o Huffington Post) deu sinais de que manterá vivo provavelmente o viés mais libertário do projeto fundado nos EUA e espalhado pelo mundo por Arianna Huffington: o uso do link externo.

Tabu no Brasil (porque, afinal de contas, manda o usuário para um ambiente fora de seu produto), o link externo é tão democrático quanto absolutamente dentro do espírito imaginado por Tim Berners-Lee, o criador da linguagem web, de uma rede democrática, aberta e sem amarras.

Ao atuar como um agregador, é óbvio que o Brasil Post (insisto: de onde surgiu a ideia de matar a grife, meu deus) depende do link externo para sobreviver. Mas isso não é tão óbvio no Brasil, onde blog não tem hiperlink e via de regra é uma coluna eletrônica.

É triste que, em pleno 2014, comemoremos algo tão banal quanto o link externo. Não esqueço que quando Folha e Estadão trocaram links no Twitter (graças a esse que vos fala e ao solerte Rodrigo Martins, colega de velha data), lá no longínquo 2010, houve uma espécie de Terceira Guerra Mundial nas casamatas das duas empresas, concorrentes mas não inimigas.

Sinal de que, não parece, ainda engatinhamos nessa nova velha mídia.

Gerador mágico de títulos

Vejam o que acaba de chegar a minha caixa postal:

“Olá ALEC,

Um bom título é essencial para o sucesso de um post de blog, afinal, é ele que irá captar a atenção da audiência e fazer com que ela clique em seu link e leia seu texto.

Para te ajudar a sempre ter ideias para gerar bons títulos, lançamos o nosso Gerador Mágico de Títulos para seu blog, que irá te dar sugestões para você nunca ficar sem ideias!

Basta inserir 3 palavras-chave do seu negócio que ele irá gerar algumas sugestões baseadas em nossa base de dados de títulos de alta performance.

Crie seus títulos agora e economize tempo!

Espero que goste”

É chegada a hora de parar?

‘Eu odeio o jornalismo’

Do genial Eduardo Coutinho, numa entrevista até agora inédita e revelada pela Pública. “Eu odeio o jornalismo. Não estou interessado em jornalismo. Não estou interessado em informações, mapas, em filme militante, em filme político. Deus me livre. Aquecimento global, liberar maconha. Não estou interessado em filmes políticos, sociais, genéricos. Nada que é genérico me interessa. Quero saber das pessoas que eu filmo, só. Então comigo é uma exceção, um tipo de cinema particular que eu faço, do qual é o único que eu sei falar. Não falo sobre o cinema em geral porque, bom, o documentário pode ser tudo, né? Jornalistas podem fazer excelentes documentários jornalísticos, evidente. O Michael Moore é jornalista, no fundo um cineasta, e que é um tipo engraçado e tal, mas que é um populista evidentemente de esquerda e que, enfim, usa metas que eu não usaria. Mas é um cara altamente eficaz, está milionário e tal, mas é jornalismo. E seus filmes são úteis? São, em certa medida são. Tratar dos assuntos que ele trata, agora, as metas que ele usa, não me interessa.”