Arquivo do mês: abril 2013

Tuitar em momentos de crise

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Ari Fleischer era secretário de imprensa do governo Bush quando aviões destruíram prédios e assombraram o mundo em 2001. Ainda não existia o Twitter.

Agora colaborador da CNN e de outros veículos, Fleischer deu dicas importantes sobre o uso do microblog em momentos de crise como as explosões na maratona de Boston.

Todos são insights muito úteis, agora reunidos pela Slate.

Como os grandes ficaram pequenos

“The End of Big – How the internet makes David the new Goliath” é mais um livro que analisa a mudança tecnológica que está transformando indústrias como a do jornalismo.

Seu autor, Nico Melle, trabalhou na campanha do democrata Howard Dean à presidência dos EUA em 2004 – essa sim, revolucionária e pioneira no que diz respeito ao uso da internet.

Obama é quem ganhou a fama, mas muito antes dele cara como Melle e Joe Trippi já davam o tom.

A sátira de Jobs

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Caso você tenha perdido, tire o dia para ver iSteve, filmete de 80 minutos feito a toque de caixa que resume de forma satírica a biografia de Steve Jobs, representado pelo ator Justin Long (que você vê acima reproduzindo a já clássica imagem que ilustra a capa da biografia oficial do gênio maldito).

Outro filme sobre o personagem, jOBS, já foi apontado como equivocado na representação dos personagens.

Redação ou hospital?

“O jornalismo mudou muito. Hoje, quando vou a uma redação me sinto num hospital”.

A definição é do escritor uruguaio Eduardo Galeano, que trabalhou como jornalista nos anos de chumbo em seu país (foi editor do diario Época, censurado pela ditadura civil-militar nos anos 70).

Jornalismo on-line

Na semana passada, quando revelei aqui que as Organizações Globo decidiram alterar sua política de presença no Facebook, o barulho natural do furo rivalizou (e isso ficou patente nos comentários do texto) com a indagação (de um grupo consistente, diga-se) sobre a proveniência da informação.

Não tenha dúvida que esse é um efeito colateral – e injusto – da plataforma on-line. Tivesse a informação sido publicada em papel, automaticamente entenderia-se que, por trás dela, havia um trabalho de apuração e checagem. Jornalismo é jornalismo em qualquer canto, senhores. Não vendemos papel, ondas magnéticas etc. Nosso produto é a informação.

Mas parece que jornalismo publicado na internet soa como algo incompleto quando não se mostra um link qualquer ou se dá nomes. Não, as premissas básicas da profissão não mudaram.

Ao perguntar a fonte de uma notícia escrita por um jornalista num site qualquer, inconscientemente as pessoas revelam a sua desilusão com o meio on-line. Todo um erro.

Nesse caso específico, a informação era naturalmente sensível, como a própria repercussão comprovou. Na cartilha do bom jornalismo sabemos que é desnecessário entregar as fontes aos leões. Basta a credibilidade de quem a está bancando.

Na internet, porém, me parece que esse preceito básico – a julgar pela leitura que fizeram do texto que publiquei aqui – se transformou num indício de incapacidade, não uma proteção clássica, habitual e, inclusive, mecanismo constitucional.

O avanço tecnológico não vai mudar as regras de excelência do jornalismo, senhores. Se o jornalista que você lê não lhe transmite credibilidade suficiente, simplesmente deixe de lê-lo. São assim as coisas.

Prisioneiros do ecrã

Ficou cada vez mais evidente, agora que a integração física entre os que se dedicam à operação papel e à operação on-line é uma realidade no jornalismo brasileiro, que o segundo grupo tem de oferecer muito mais horas de trabalho – ganhando, via de regra, bem menos.

“On-line days” que promovi em alguns veículos com o objetivo de mostrar as agruras do tempo real àqueles que tinham exclusivamente tarefas para o produto impresso foram pedagógicas e escancararam esse abismo trabalhista.

Agruras como o risco, numa reles ida ao banheiro, de ser pego de calças curtas (ou, no caso, arriadas) por um fato relevante que exige publicação imediata.

Agathe Muller e Benjamin Rieth fizeram um pequeno texto e uma coleção de vídeos que abordam essa disputa de classes no jornalismo global.

Uso jornalístico do Twitter na Espanha

O uso jornalístico das contas de Twitter dos jornais espanhóis El Pais e El Mundo é o objeto de análise de Juliana Colussi Ribeiro e Fátima Martínez Gutiérrez em artigo publicado na boa revista Fronteiras,

Como o mobile está mudando o consumo de notícia

Um material interessante que compara o acesso via desktop e mobile a Financial Times e Guardian.

A constatação, óbvia, é: vamos produzir urgentemente com foco em dispositivos móveis.

Notícias da Coreia

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Kim Jong Un ainda não apertou o botão (da bomba atômica), mas seus jornalistas publicam loucamente na KCNA, a agência de notícias oficial norte-coreana.

Óbvio que não fica nessa tristeza: o avanço da tecnologia deu aos cidadãos – até aos pobres norte-coreanos – meios de fugir dessa coisa funesta.

A visão do Estadão nos Anos 70

Não deixa de ser uma fina ironia: foi a visão de novos negócios, ainda nos anos 70, do grupo que edita o jornal O Estado de S. Paulo (envolto numa crise insolucionável que parece espreitada por um trágico epílogo) que, com todos os sobressaltos, é responsável pela sobrevivência de seu principal produto, o jornal impresso – ao Jornalistas&Cia, a direção da empresa tentou dar algumas respostas para esse difícil momento.

A conta aqui é simples: pioneira como agência noticiosa e, posteriomente, com base em outros serviços agregados, a Agência Estado, fundada em 1970, responde hoje por quase 80% do faturamento de todo o grupo. É de onde sai o dinheiro que financia os outros departamentos, notadamente jornal e rádio, ambos deficitários.

É uma demonstração de que a ousadia e o passo à frente da concorrência podem ser determinantes para a sobrevivência de um negócio. Ainda que estejamos falando de um modelo que luta a duras penas para seguir existindo, é inegável que aquele passo, há mais de 40 anos, foi crucial.

Em tempo: o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) suspendeu as cerca de 50 demissões ocorridas na semana passada em O Estado de S. Paulo por conta de nova reformulação (ou “redesenho”). Hoje as partes devem se reunir no tribunal numa audiência de conciliação.