Jornalismo on-line

Na semana passada, quando revelei aqui que as Organizações Globo decidiram alterar sua política de presença no Facebook, o barulho natural do furo rivalizou (e isso ficou patente nos comentários do texto) com a indagação (de um grupo consistente, diga-se) sobre a proveniência da informação.

Não tenha dúvida que esse é um efeito colateral – e injusto – da plataforma on-line. Tivesse a informação sido publicada em papel, automaticamente entenderia-se que, por trás dela, havia um trabalho de apuração e checagem. Jornalismo é jornalismo em qualquer canto, senhores. Não vendemos papel, ondas magnéticas etc. Nosso produto é a informação.

Mas parece que jornalismo publicado na internet soa como algo incompleto quando não se mostra um link qualquer ou se dá nomes. Não, as premissas básicas da profissão não mudaram.

Ao perguntar a fonte de uma notícia escrita por um jornalista num site qualquer, inconscientemente as pessoas revelam a sua desilusão com o meio on-line. Todo um erro.

Nesse caso específico, a informação era naturalmente sensível, como a própria repercussão comprovou. Na cartilha do bom jornalismo sabemos que é desnecessário entregar as fontes aos leões. Basta a credibilidade de quem a está bancando.

Na internet, porém, me parece que esse preceito básico – a julgar pela leitura que fizeram do texto que publiquei aqui – se transformou num indício de incapacidade, não uma proteção clássica, habitual e, inclusive, mecanismo constitucional.

O avanço tecnológico não vai mudar as regras de excelência do jornalismo, senhores. Se o jornalista que você lê não lhe transmite credibilidade suficiente, simplesmente deixe de lê-lo. São assim as coisas.

2 Respostas para “Jornalismo on-line

  1. Oi, Alec

    Se você me permite, não um elogio/crítica ao mesmo tempo… Li seu texto quando saiu, sobre a Globo deixando as redes sociais, e me senti desconfiado. Só que não por causa de onde eu li, mas por causa do texto mesmo. Você começa com “é oficial”, o que não é comum pra uma notícia exclusiva, que não cita fontes. “Como assim, é oficial, mas oficialmente ninguém diz nada aqui?” Essa pergunta ficou na minha cabeça. Qualquer texto jornalístico, quando espera que o leitor acredite nele mesmo que não sejam exibidas provas, deixa isso claro no texto com os clássicos “apuramos que”, “tivemos acesso” etc. Resumindo, acho que a questão não é a plataforma, mas o texto fugiu da convenção.

    Abs

  2. Creio que essa indagação surgiu mais por ser um blog não ligado a nenhum grande portal ou jornalão, e nem de um site com mais cara de “portal” ou setorizado.

    Mas a notícia repercutiu tanto que depois o Lauro Jardim, da Veja, deu…vc chegou a ver isso? Aí não duvidaram, né?

    A credibilidade é o maior ativo dos jornais hoje. Mesmo com vendas e publicidade decadentes, eles ainda possuem respaldo em suas marcas, devido à tradição de anos e anos.

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