Arquivo do mês: dezembro 2012

Fotógrafo só tira foto?

Injusta e incorreta a percepção das pessoas de que a vida dos fotógrafos é bater fotos o tempo todo e participar de festas. Foi o tema de um texto publicado em janeiro é que um dos mais acessados da história desta página.

Um infográfico mostra como os lambe-lambes (com todo respeito, heim gente!) dividem suas 24 horas – em incrível discrepância com outro, que exibe o que as pessoas acham que os fotógrafos fazem.

Amanhã tem mais lembranças de 2012.

Os cheques sem fundo do colunista social

A partir de hoje, e até virar 2013, quero relembrar com você alguns textos que passaram por aqui e que foram muito bem recebidos.

Como aquele em que contei do colunista social que, numa nota no jornal, ameaçava homenageados que passaram cheques borrachudos de ter os nomes revelados na própria coluna.

Essa história foi a mais lida de 2012.

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Sem palavras

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Leituras

Rita Figueiras presta um excelente serviço ao debate com o artigo “Intelectuais e redes sociais: novas media, velhas tradições”, publicada no volume 6 da Matrizes, revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo.

No texto, a pesquisadora defende que as redes sociais – do outro lado da moeda questionadas pela qualidade da informação ali distribuída, via de regra considerada pífia – são “lugar onde intelectuais encontram espaço para exercerem o seu papel de consciência reflexiva da sociedade contemporânea”, ou seja, um espaço público que efetivamente pode ter relevância.

Na mesma edição, Henry Jenkins dá o ar da graça com o artigo “Lendo criticamente e lendo criativamente”, que cumpre bem o papel de discutir a fan fiction e sua possível utilização em sala de aula.

Mas tem mais: em “As estratégias dos grupos de comunicação na alvorada do Século XXI”, Jean-Yves Mollier traça um panorama bacana da questão das fusões e a intromissão de grupos de midia no mercado editorial.

Redes sociais e análise política

Quanto mais as pessoas têm acesso à internet, mais elas o fazem com o objetivo de utilizar sites de rede social. É o que mostra levantamento do Pew Research Center.

Este estudo sobre o uso das redes, por sinal, é bastante completo e lança um olhar específico sobre o compartilhamento de opinião e análise política no mundo árabe. Imperdível.

Volto já

Rincón beija a taça do 1º Mundial de Clubes da Fifa em 14 de janeiro de 2000, no Maracanã: Corinthians campeão do mundo.

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Um Pulitzer póstumo

Um grupo de jornalistas iniciou uma campanha para que um dos maiores furos de todos os tempos, a rendição da Alemanha nazista em 1945, seja premiado quase 70 anos depois com o Pulitzer, a comenda mais importante do jornalismo dos EUA.

Seu autor, Ed Kennedy (que morreu em 1963) ganhou foi o bilhete azul após noticiar o fato – que estava sob censura das autoridades americanas.

Seu empregador, a agência Associated Press, já se desculpou oficialmente com seus descendentes pela insólita demissão.

O massacre da escola e o fetiche da velocidade

O “jornalismo formal” costuma apontar o dedo para as redes sociais como um exemplo de falta de acuração e cuidado com a informação. Claro, acuração e cuidado com a informação são apanágios do “jornalismo formal”.

Daí um rapaz de 24 anos que teve toda a família assassinada pelo irmão mais novo (também morto) é apresentado pela mídia tradicional como sendo o assassino.

Definitivamente estamos caminhando com muita pressa. Esse fetiche da velocidade foi extraordinariamente dissecado na tese de mestrado que Sylvia Moretzsohn defendeu na UFF em 2000.

“Antes de mais nada a informação deve ser rápida para ser considerada eficiente. A velocidade, portanto, parece ganhar vida própria, e passa a ser o valor fundamental a ser consumido”, escreve a pesquisadora.

E isso agora é pra todo o sempre. Um ônus que o jornalismo em tempo real impôs aos nosso tempo. E que vale inclusive para a rede social.

Ditadura ou civilização?

Interessante “outro lado” do presidente do Equador, Rafael Correa, que em entrevista à colega Flávia Marreiro diz que tentativas de regulamentar a mídia são vistas como ditatoriais, quando propostas na América Latina, e “uma resposta da civilização”, quando surgem na Europa. Para pensar.

“Quando as respostas vêm do Primeiro Mundo, é civilização, mas quando vêm da América Latina são ditadores famintos de poder que querem calar os heroicos jornalistas que só revelam a corrupção dos políticos.

Ou seja, na América Latina e no mundo inteiro, o poder midiático é um poder imenso. Provavelmente maior que os Estados, frequentemente sem ética, em função de negócios privados. Eles proveem um direito, mas, por definição, se estão num dilema entre garantir um direito ou garantir o lucro da empresa, prevalece o segundo. Temos de saber o que estamos enfrentando.

Quando Alemanha prende 23 pessoas, fecha uma rádio em novembro ou dezembro de 2010 por fazer propaganda nazista, isso é civilização. Quando, de acordo com a lei, processamos um jornalista que me acusou de criminoso, de ordenar atirar sem aviso prévio em um hospital cheio de civis, pura e simples difamação, é atentando à liberdade de expressão. Acabemos essa moral dupla.

O problema nem está sobre quem tem a propriedade, que já é um problema –quem tem os meios de comunicação na América Latina, os pobres, a Madre Tereza de Calcutá ou as oligarquias? Qual tem sido a prática? Fazer um empório econômico, vimos como foi em Equador. Ter 200 empresas, entre elas o maior banco do país que quebraram de maneira fraudulenta, aliás, e depois comprar canais de TV, jornais. Para que? Para informar? Não, para defender o empório.

O problema, além da propriedade, é a própria forma de produção que tem de questionar. Como é possível que um direito tão fundamental para a coesão social, para a liberdade, para os demais direitos como é a informação, esteja em mãos de negócios privados? E já que está, e ante esse tipo de problemas, o que se necessita é controle social. E como se realiza controle social nos Estados modernos? Por meio de leis, com legitimidade democrática.

Por isso é óbvio que necessitamos de lei para regular o poder midiático. E é isso que bloquearam por quatro anos na Assembleia do Equador. Isso é o que o poder midiático e seus cúmplices na Assembleia Nacional vem bloqueando.”

Até os robôs podem ser parciais

Os algoritmos do Google fazem milhares de decisões diárias para ordenar os resultados de uma busca específica ou sua página inicial do Google News, por exemplo. Mas a ausência de humanos no processo não significa que estamos livres da parcialidade.

É o que nos conta Nick Diakopoulos num texto bastante interessante, ilustrado com exemplos de como, quando menos esperamos, esse trabalho dos robôs também é influenciado por hábitos pra lá de humanos.