Os fins justificam os meios

Já houve quem previsse que o fim do jornalismo impresso significaria também o imediato crepúsculo da blogosfera. É um exagero que, ao menos, parte de uma observação que segue alguma lógica.

Ou não é verdade que nesse ambiente on-line (e em outros, como as redes sociais) um número considerável de usuários passa o dia se entretendo com o noticiário produzido especialmente para uma velha rotativa e meramente transposto para a internet?

O suporte impresso foi identificado, num estudo conduzido na Universidade de Oregon (EUA), como o mais capaz de reter a atenção de quem lê. Seu formato de hierarquização é insuperável, a ponto de ter sido mimetizado quase na íntegra pela web.

Ainda assim, todos os dias nos perguntamos – em muito influenciados pela situação dos jornais no hemisfério norte – até onde precisam se reinventar nossos impressos para sobreviver num mundo de tanta informação barata, onipresente e relatorial.

O avanço tecnológico e um de seus derivados, a cultura do minuto, transformaram o timing característico do jornal em papel. Um dia parece ser (e é) uma eternidade para elaborar, preparar e acabar um produto jornalístico dessa natureza.

Os jornais têm a obrigação de ser melhores. Da discussão dos assuntos que comporão seu cardápio à definição da maneira como serão apresentados nos 29,7cm por 52cm de cada uma de suas páginas (no formato standard), há mais tempo para debater, demandar e corrigir.

O negócio dos jornais não é vender papel, mas conteúdo. Nesse aspecto, ainda que ganhem pouco ou nenhum dinheiro na plataforma on-line, encontram na internet um forte aliado. Afinal de contas, é onde se fala dele. Bem ou mal.

O esporte é um tema que ganha extrema visibilidade no país da Copa e da Olimpíada. Tanto que os principais jornais do Brasil derrubaram o tabu de não elevar assuntos da editoria às suas manchetes. Aconteceu algumas vezes em Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo muito recentemente. Significa que o jornalismo esportivo está na vitrine.

Quem faz a coisa em papel tem a possibilidade adicional de amplificar o alcance de sua produção usando a rede. Se por um lado os “forros de gaiola” representam o artesanato da notícia, ao mesmo tempo trafegam com naturalidade no ambiente que – dizem – irá matá-lo.

É momento de mostrar serviço, só para usar um clichê tão frequente quanto verdadeiro no jornalismo.

*Texto originalmente publicado no blog da Virta

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